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Incêndio que matou três em clínica ocorreu por vingança, diz delegado

 

Motivação do crime poderia ter sido por um roubo na casa de um dos suspeitos; Investigações continuam para constatar o envolvimento de mais pessoas

Marcelo Lopes

A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (31), dois homens e apreendeu um adolescente, suspeitos de provocar um incêndio em uma clínica de recuperação, no bairro Itacolomi, em Divinópolis, na noite de 26 de abril deste ano. Na ocasião, três pessoas foram mortas e outras nove ficaram feridas.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Vivalde Levillesse Júnior, os suspeitos têm as idades de 17, 21 e 24 anos, todos estes moradores do bairro. O trio chegou ao local por volta de 21h30, armados com revolver e pedaços de madeira, invadiram a clínica, efetuaram disparos contra os internos, agrediram outros e logo em seguida, atearam fogo.

Sobre a motivação do crime, acredita-se que tenha ocorrido por vingança. Das vítimas fatais, dois eram naturais de Contagem e um era de Divinópolis.

“Nessa ocasião, três internos se esconderam embaixo da cama. Quando o fogo foi ateado, eles não conseguiram fugir e então morreram carbonizados (…) Também conseguimos averiguar que o motivo do crime foi o fato de que a residência de um dos autores foi furtada dias antes do incêndio, tendo então sido roubada uma TV. Então, revoltado, o suspeito se reuniu com outras pessoas e acreditando que a pessoa que cometeu o roubo teria sido algum paciente da clínica, foram até o local e atearam fogo e fizeram toda essa barbárie”, disse o delegado.

Investigações

Para se chegar a localização dos suspeitos, Vivalde disse que foram realizadas oitivas com testemunhas, trabalho de campo e também mandados de prisão, busca e apreensão. A arma usada no crime ainda não foi encontrada.

Os infratores foram reconhecidos pelos sobreviventes do incêndio. Além do trio, que não possuía antecedentes criminais, também está sendo investigada a participação de mais pessoas.

“Os suspeitos negam a prática do crime, até porque foi um fato bárbaro, que a gente acredita que obter uma confissão é muito difícil (…) As investigações ainda prosseguem, em sentido de apurar o envolvimento de outros infratores, pois até o momento, apenas identificamos os três, mas tudo indica que era em torno de cinco, seis pessoas envolvidas, ao todo, nessa ação delituosa”, relatou Vivalde.

Tanto os maiores quanto o menor de idade irão responder por homicídio consumado (em relação às mortes), tentativa do mesmo (sobre os feridos) e também por incêndio criminoso, A pena pode chegar até 36 anos de prisão. Além das mortes, as investigações também podem envolver a própria clínica. Na época, a Vigilância Sanitária comunicou que o local funcionava de forma clandestina.

O delegado disse que há suspeita de mais envolvidos (Foto: Marcelo Lopes)

“Esta clínica funcionava sem autorização da Secretaria Municipal de Saúde e do Comad. Essa mesma investigação que apura as mortes, também busca apurar o envolvimento à responsabilidade criminal do pastor responsável pelo local”, finalizou o delegado.

Os suspeitos maiores de idade foram encaminhados ao presídio Floramar, enquanto o menor foi levado para o Centro Socioeducativo de Divinópolis.

Marcelo Lopes

Graduado em jornalismo e apaixonado por esportes e histórias.

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