Já não deveria ser preciso pedir uso de máscara

Vereadores de Divinópolis dão broncas em colegas que retiram proteção

Dois vereadores de Divinópolis puxaram nesta quinta-feira (29) as orelhas dos colegas que têm retirado a máscara do rosto durante seus pronunciamentos.
Primeiro foi Eduardo Print Júnior (PSDB), que, na condição de presidente do Legislativo, fez a seguinte observação logo após o pronunciamento de Flávio Marra (Patriota), que não usou o equipamento de proteção durante todo o seu tempo de fala na tribuna:

“Peço a vossa excelência que, na próxima vez, utilize a máscara”.

Print a Marra: ‘na próxima vez, utilize a máscara’ (Foto: TV Câmara/Reprodução)

Depois foi a vez de Lohanna França (Cidadania), que, mais do que apenas pedir, citou todo o embasamento científico que norteia a postura que adota com relação à pandemia.

“Eu queria pedir a todos os vereadores desta casa que, quando falassem em plenário, por favor, usassem a máscara. Porque, a gente sabe, as melhores revistas científicas dizem que o vírus fica no ar de 30 a 40 minutos. Isso, qualquer revista científica de renome já falou. Então, vamos dar exemplo paras as pessoas, porque nós já temos aqui nesta casa dois vereadores com covid e a gente tem aqui pelo menos uns quatro que são do grupo de risco. Isso porque eu não conheço as comorbidades de todo mundo. E, para além dos vereadores, a gente tem um universo de servidores, de funcionários, que vão para casa, que encontram com quem é grupo de risco. Temos agora as pessoas que estão aqui em plenário, que têm que ter a sua segurança preservada. Então, pelo amor de Deus, não é tão difícil. Vamos usar a máscara”.

Lohanna: ‘pelo amor de Deus, não é tão difícil’ (Foto: TV Câmara/Reprodução)

A essa altura do campeonato, com o Brasil batendo a macabra marca dos 400 mil mortos pela covid-19 (Divinópolis tem mais de 300 óbitos confirmados), já não deveria ser preciso pedir uso de máscara a ninguém.

Em que mundo vivem essas pessoas que põem a máscara no queixo quando vão falar, sendo que é da boca que saem os perdigotos potencialmente infectados que pairam no ar ou se fixam a superfícies, permanecendo lá até que consigam invadir o organismo de alguém?

Elas não têm acesso às notícias? Não conseguem compreender o que médicos, biólogos, virologistas, infectologistas e muitos outros especialistas dizem a todo o tempo? Ou simplesmente ignoram a realidade global e vivem (sobrevivem, aliás) do jeito que lhes convém?

A coisa fica ainda pior quando quem não usa a máscara do jeito certo é um político. Porque, quando isso acontece, o político deixa de usar o equipamento como proteção contra a covid-19 e passa a usá-lo como discurso político pró-covid-19, sinalizando sua postura negacionista a quem realmente eles querem que os vejam sem máscara: sua base eleitoral.

O negacionismo perpetrado a nível federal pelo bolsonarismo se reflete diretamente na conduta dos políticos que o seguem nas esferas estaduais e municipais. No final das contas, o que vemos é isto: representantes de poderes públicos desrespeitando e potencializando dano pessoal a quem está fisicamente à sua volta e incentivando seu eleitorado a fazer o mesmo papel deplorável.

Assim caminha o Brasil, cada vez mais fechado com Bolsonaro.

Charge por Ricardo Welbert

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert, jornalista formado pela Uemg em Divinópolis e mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, em Portugal.

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