Candidata a deputada estadual, Jéssica Carvalho defende a criação de cuidotecas, brinquedotecas e espaços de apoio fora do horário regular das aulas, além de auxílio
A candidata a deputada estadual Jéssica Carvalho (PCB) coloca as pautas feministas, a maternidade e a política do cuidado entre os principais eixos de sua atuação. Em entrevista ao Portal Gerais, nesta sexta-feira (18/9), ela também defendeu medidas para garantir a permanência de mães nas instituições de ensino superior.
Graduada em Filosofia e mestre pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Jéssica desenvolveu estudos sobre trabalho de cuidado e trabalho reprodutivo. Além disso, durante a trajetória acadêmica, participou da criação do Coletivo de Mães e Estudantes da universidade.
Segundo a candidata, a experiência como estudante e mãe ajudou a identificar dificuldades enfrentadas por mulheres que precisam conciliar a maternidade com a formação acadêmica.
Permanência estudantil para mães
Jéssica defende que o acesso à universidade precisa vir acompanhado de condições para que as mães consigam permanecer nos cursos. Para ela, políticas de assistência estudantil devem considerar tanto a estudante quanto a criança.
Entre as medidas citadas estão a criação de cuidotecas, brinquedotecas e espaços de apoio fora do horário regular das aulas. A candidata também defende auxílio específico para mães estudantes.
“Eu preciso de um auxílio materno e estudativo. Eu preciso auxiliar a mãe e também esse filho, e isso também passa por uma renda”, afirmou durante a entrevista.
Ainda de acordo com Jéssica, o debate ganhou dimensão nacional a partir da atuação do coletivo formado na UFSJ. Ela afirma que a mobilização contribuiu para discussões sobre políticas de parentalidade e permanência estudantil nas instituições de ensino superior.
Política do cuidado como proposta
Além da permanência estudantil, a candidata defende uma política estadual de cuidado. A proposta, segundo ela, deve envolver não apenas crianças, mas também idosos, pessoas doentes e pessoas com deficiência ou outras necessidades específicas.
Jéssica afirma que a divisão das responsabilidades de cuidado interfere diretamente na autonomia econômica das mulheres. Por isso, ela defende que o Estado participe da organização dessa rede de cuidados.
“Eu acho que isso é um dever inclusive do estado e de todo núcleo social”, declarou.
Nesse sentido, a candidata relaciona a política do cuidado à possibilidade de as mulheres estudarem, trabalharem e construírem independência financeira.
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Violência contra mulheres e autonomia econômica
A pauta feminista também aparece nas propostas apresentadas para o enfrentamento da violência contra as mulheres. Jéssica defende a ampliação das redes de atendimento e ações preventivas.
Além disso, ela relaciona a autonomia econômica à capacidade de mulheres deixarem relacionamentos abusivos. Entre as medidas citadas estão iniciativas de economia solidária, economia participativa e feiras feministas.
Segundo a candidata, essas ações poderiam criar alternativas de renda para mulheres que dependem financeiramente dos parceiros.
Por outro lado, Jéssica considera que medidas de geração de renda precisam caminhar junto com uma política pública de cuidado. Na avaliação apresentada por ela, a sobrecarga com crianças, idosos e outras pessoas dependentes também pode dificultar a independência financeira das mulheres.
Saúde mental também entra na pauta
A candidata também relaciona a política do cuidado à saúde mental. Durante a entrevista, ela citou as jornadas extensas de trabalho e as jornadas duplas e triplas enfrentadas por mulheres como fatores que precisam entrar nesse debate.
Nesse contexto, Jéssica defende maior estrutura para as universidades estaduais mineiras. A proposta, segundo ela, permitiria ampliar projetos de extensão e ações multidisciplinares relacionadas à saúde mental e a outras demandas sociais.
Ela citou, como exemplo, iniciativas de extensão universitária relacionadas à saúde mental de puérperas e defendeu o fortalecimento da estrutura e dos servidores dessas instituições.
Atuação começou no movimento estudantil
A relação de Jéssica com as pautas feministas e estudantis começou ainda na juventude. Aos 27 anos, ela afirma que iniciou a militância no período de transição entre o ensino fundamental e o ensino médio.
Posteriormente, ingressou na UFSJ e se aproximou da juventude do PCB. A partir daí, ampliou a atuação em pautas relacionadas à cultura, ao acesso e à permanência estudantil.
A maternidade, segundo ela, também transformou essa trajetória. Por isso, a candidata passou a integrar as discussões sobre estudantes mães e políticas de cuidado, conectando as pautas feministas à educação e às condições de vida da classe trabalhadora.




