Múltiplos disparos contra vítima no bairro Ipiranga foi mais um capítulo de uma sangrenta disputa entre as gangues “Brasil” e “Alemanha”, monitoradas desde 2018.
O Tribunal do Júri da Comarca de Pitangui acatou integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e condenou o executor de um homicídio qualificado a uma pena de 28 anos de reclusão. O crime, que vitimou Marcelo Cândido Júnior, de 27 anos, foi apontado pelas autoridades como o mais recente desdobramento de uma histórica e violenta guerra territorial entre grupos criminosos rivais conhecidos na região pelas alcunhas de “Brasil” e “Alemanha”.
O histórico de sangue e a Operação Copa do Mundo
De acordo com os registros judiciais, a rivalidade e a alternância de assassinatos e tentativas de homicídio entre as duas facções em Pitangui remontam a um período anterior a 2018. A escalada da violência urbana motivou, na época, a deflagração da Operação Copa do Mundo, uma força-tarefa conjunta entre o MPMG e as forças de segurança pública que conseguiu desarticular as lideranças dos bandos.
Contudo, mesmo após a operação, o histórico de criminalidade persistiu de forma cíclica ao longo dos anos de 2021 e 2023. Investigadores apontam que os atentados ocorriam em formato de represália: em determinados momentos, membros da ala “Brasil” executavam rivais da facção “Alemanha”, desencadeando respostas violentas em curto espaço de tempo. A morte de Marcelo seguiu esse padrão, motivada unicamente pelo fato de a vítima ter sido vista na companhia de integrantes de um grupo opositor no dia anterior ao crime.
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Indenização inédita para os filhos da vítima
A alta penalidade imposta ao réu, fixada em 28 anos, levou em consideração a reincidência do criminoso e o conjunto de circunstâncias judiciais desfavoráveis, caracterizadas pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima atraída ao portão de casa sob o pretexto de uma entrega de encomendas e baleada na cabeça à queima-roupa.
Além do tempo de reclusão em regime fechado, a Promotoria de Justiça obteve uma vitória considerada inédita para a jurisprudência penal da comarca: a fixação de uma condenação de R$ 100 mil a título de danos morais coletivos e familiares. O valor foi estipulado em decorrência do impacto social do crime, visto que a vítima deixou dois filhos pequenos que dependiam financeiramente do pai para subsistência.
O Promotor de Justiça responsável pelo caso, Dr. Gabriel Gonçalves, celebrou o resultado do julgamento como um basta à impunidade no município:
“Essa decisão representa uma grande vitória para toda a nossa comarca porque demonstra de forma clara que esse tipo de criminalidade organizada e violenta não será tolerada em Pitangui. A resposta do Poder Judiciário e do Ministério Público foi firme, garantindo não apenas a punição severa do executor, mas também o amparo financeiro e a reparação civil para duas crianças que tiveram suas vidas transformadas por essa disputa sem sentido”, concluiu o promotor.



