Kell Silva defende criminalização da misoginia após ataques a jovem morta durante salto em Limeira

Política
Por -16/06/2026, às 19H03junho 21st, 2026
ASSESSORIA DE IMPRENSA

Vereadora condena comentários misóginos na internet e defende punição para autores das publicações: “nem morrer podemos”

Por Heloisa Benicio

A vereadora de Divinópolis Kell Silva (PV) defendeu a criminalização da misoginia após comentários ofensivos publicados nas redes sociais contra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu durante uma atividade de rope jump, em Limeira, no interior de São Paulo, no final de semana. Em pronunciamento na reunião ordinária desta terça-feira (16/6), a parlamentar defendeu a criminalização da misoginia e afirmou que a violência contra as mulheres não termina após a morte.

Além das circunstâncias da tragédia, comentários de teor sexual e ofensivo provocaram indignação nas redes sociais.

Vereadora denuncia naturalização da violência

Durante o pronunciamento, Kell Silva mostrou capturas de tela de algumas publicações e afirmou que muitos homens ainda se sentem à vontade para atacar e objetificar mulheres mesmo depois da morte.

Conforme a vereadora, o enfrentamento desse tipo de violência exige mais do que a presença feminina nos espaços de poder. Por isso, ela defendeu uma participação mais efetiva dos homens na construção de políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres.

“Mais que a presença feminina na política para defender essas pautas, é necessário que os homens também defendam as mulheres por meio de políticas públicas”, declarou.

“Nem morrer a gente tá podendo”, afirma vereadora

Ao comentar as mensagens divulgadas nas redes sociais, Kell Silva associou o conteúdo à banalização da violência sexual.

Além disso, a parlamentar afirmou que esse tipo de comportamento contribui para normalizar agressões contra as mulheres.

“Isso aqui é naturalizar a cultura do estupro, isso aqui é naturalizar a violência contra nossos corpos, nem morrer a gente tá podendo”, afirmou.

De acordo com ela, os ataques virtuais representam uma forma de violência e não podem ser tratados como simples brincadeiras.

Parlamentar defende criminalização da misoginia

Ainda durante a reunião, a parlamentar afirmou que a internet não pode ser vista como um ambiente livre de responsabilização e defendeu uma fiscalização mais rigorosa das plataformas digitais.

Segundo ela, comentários com esse teor influenciam crianças e adolescentes que têm acesso às redes sociais e, consequentemente, contribuem para a formação de comportamentos misóginos.

Por esse motivo, Kell Silva defendeu que a misoginia seja encarada como crime e que os autores de ataques contra mulheres também respondam judicialmente por esse tipo de conduta.

Vereadora pede apoio dos homens

Além das críticas, Kell Silva pediu o apoio dos colegas parlamentares homens na defesa dos direitos das mulheres. De acordo com a parlamentar, o combate à violência de gênero não deve ser uma responsabilidade exclusiva das mulheres.

“E eu conto com meus colegas políticos, que são a maioria de homens, para poder olhar e nos defender, porque nem depois de morta a gente tem paz”, afirmou.

Caso amplia debate sobre violência digital

Enquanto as investigações sobre a morte de Maria Eduarda continuam, o caso também ampliou o debate sobre violência digital.

Além disso, a repercussão nacional reacendeu discussões sobre a responsabilização de usuários por conteúdos misóginos nas redes sociais.