Candidata a deputada estadual pelo PV, defende políticas de cuidado, valorização dos servidores e ampliação da permanência estudantil
A vereadora de Divinópolis e candidata a deputada estadual pelo Partido Verde (PV), Kell Silva, participou da rodada de entrevistas do Portal Gerais para as eleições de 2026. Durante a conversa, ela apresentou propostas para áreas como segurança das mulheres, valorização dos servidores públicos, educação, cultura, turismo e saúde.
Além disso, Kell destacou a chamada “políticas do cuidado” como eixo de sua campanha. Segundo a candidata, a proposta envolve políticas públicas voltadas principalmente para mulheres, crianças e idosos.
Mulheres e segurança
Ao falar sobre a participação feminina na política, Kell Silva afirmou que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pela necessidade de ampliar a presença de mulheres nos espaços de decisão.
Como exemplo, ela citou um projeto apresentado na Câmara Municipal de Divinópolis para instalar trocadores de fraldas em espaços públicos. De acordo com a candidata, a discussão mostrou como experiências pessoais podem contribuir para a formulação de políticas públicas.
“Não que lugar de fala vá definir quem nós somos nos lugares que a gente ocupa, mas quando a gente tem a nossa vivência e também tem a teoria, a gente consegue fazer políticas públicas de uma forma mais relevante.”
Na área de segurança, Kell defendeu ações integradas para reduzir a violência contra as mulheres. Entre as propostas apresentadas está o fortalecimento do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar, para incluir discussões sobre violência doméstica nas escolas.
Além disso, a candidata propôs a presença de policiais mulheres em municípios que não possuem Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam). A ideia, segundo ela, seria garantir profissionais capacitadas para acolher vítimas e receber denúncias.
“A gente tem proposta também para a gente ter efetivos de policiais mulheres atuando nos municípios em que não tem delegacia da mulher”
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Investimento na autonomia financeira das mulheres
Para a vereadora, o enfrentamento à violência doméstica precisa envolver, além da atuação policial, medidas que permitam às vítimas conquistar independência financeira e romper ciclos de relacionamentos abusivos.
Por isso, ela defende que o Estado amplie o acesso a creches e berçários para garantir um local seguro para os filhos enquanto as mães trabalham ou buscam qualificação.
“Eu começo falando primeiro da questão de creche. Para a mulher poder ter a sua independência financeira e emocional, ela precisa de um lugar seguro para os seus filhos poderem frequentar. Ela não pode depender de terceiro.”
Segundo a vereadora, somente tendo um lugar seguro para deixar seus filhos, é que as mães terão oportunidades de se profissionalizarem e se inserirem no mercado de trabalho. Porém, essas medidas precisam caminhar junto ao atendimento psicológico.
“Ela precisa de apoio psicológico. Então ela precisa chegar num postinho, ser atendida, ter ali esse suporte emocional.”
No entanto, a candidata afirma que a efetividade dessas políticas depende de investimentos. Nesse sentido, Kel defende a valorização dos servidores da segurança pública e a ampliação dos recursos destinados aos serviços de atendimento às mulheres.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsApp“A polícia sem investimento, ela não consegue ter um trabalho efetivo.”
Defesa dos servidores públicos
Professora da rede estadual, Kell também falou sobre a valorização dos servidores públicos. Ela relatou dificuldades relacionadas ao reconhecimento de suas titulações acadêmicas e defendeu mudanças na carreira dos profissionais da educação.
“A educação vem se arrastando há mais de 25 anos. Mas, com o governo Zema, a gente teve a pá de caldo. Nós, professores, estamos completamente sobrecarregados. Quando a gente fala de desvalorização do servidor público, eu estou falando do meu recorte, que sou professora do Estado. Então, eu sofro na pele. É questão de não receber as minhas titulações. Eu entrei como concursada no Estado de Minas e, como mestre, eu não recebi por isso. Eu fui receber quatro, cinco anos depois. Fiz meu doutorado e não recebo meu doutorado ainda.”
Segundo a candidata, a Assembleia Legislativa deve atuar na defesa dos servidores e na discussão de reajustes e direitos. Ela também citou áreas como segurança pública e Corpo de Bombeiros, apontando a necessidade de recomposição dos efetivos.
“A gente está indo com um enfrentamento muito sério dentro da Assembleia, que é de defender esse servidor e fazer com que a gente receba o que a gente faz, porque quem carrega o Estado nas costas são os servidores, gente. Não adianta. É o policial militar, é o bombeiro.”
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Passe livre e permanência estudantil
Na educação, uma das principais propostas apresentadas por Kell é a ampliação do passe livre estudantil. A candidata defende que o benefício alcance estudantes independentemente da renda familiar.
“Então, quando você tem o passe livre sendo implementado, você consegue ter dinheiro no final do mês das famílias e evitar uma invasão escolar”
Em Divinópolis, ela citou a mobilização pelo passe livre e lembrou a gratuidade do transporte coletivo nos dias do Enem, medida que, segundo ela, mostrou a possibilidade de ampliar a política.
“Ano passado, a gente teve uma vitória gigante conseguindo o passe livre nos dias do Enem, nos dois domingos. Isso, para mim, foi fantástico e mostrou que dá para a gente fazer se a gente quiser. A gente tem questão de orçamento, mas dá para fazer, porque tem dinheiro para tudo, não vai ter para o estudante?”
Para estudantes universitários, Kell defendeu também o transporte gratuito entre municípios. Como exemplo, citou alunos de Divinópolis que estudam em Itaúna e poderiam utilizar um serviço subsidiado pelo poder público.
Além do transporte, a candidata afirmou que pretende defender políticas de permanência nas universidades estaduais. Entre as propostas, estão a ampliação de restaurantes universitários, bolsas de permanência e investimentos na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Segundo Kell, o acesso ao ensino superior precisa vir acompanhado de condições para que os estudantes concluam os cursos.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsApp“Então, lutar pela permanência desses alunos é muito mais importante às vezes do que a gente pôr ele lá dentro. A gente quer pôr o aluno lá dentro, a gente quer fazer ele passar no Enem, mas e depois que passa? A gente não pode abandoná-los.”
Cultura e turismo no interior
Na área cultural, Kell defendeu a descentralização dos recursos e a simplificação dos editais para facilitar o acesso de artistas e produtores de cidades do interior.
A candidata afirmou que muitos trabalhadores da cultura possuem conhecimento e experiência em suas áreas, mas encontram dificuldades para elaborar projetos e concorrer aos editais.
“Às vezes falta um entendimento para entrar em um edital, falta tempo para ela escrever um projeto. Então, é necessário que a gente faça uma simplificação às vezes desses editais para chegar a mais pessoas. Mas, para também simplificar os editais e a gente ter mais pessoas participando, a gente precisa ter recursos voltados para ter esses editais funcionando, para ter mais recursos para dentro do audiovisual, para dentro do teatro.”
Por isso, ela propôs mudanças nos mecanismos de financiamento e incentivos para atividades como audiovisual e teatro. Além disso, defendeu políticas municipais que estimulem produções culturais e cinematográficas.
Kell também relacionou cultura e turismo ao desenvolvimento econômico dos municípios. Nesse contexto, citou a criação de rotas turísticas alternativas e religiosas no Centro-Oeste de Minas.
Para a candidata, cidades como Pitangui e outras localidades da região possuem patrimônio histórico e cultural que pode integrar novos circuitos turísticos.
“Minas Gerais é o estado, a mãe de um país e que tem uma cultura muito forte.”
De acordo com Kell, a criação de rotas pode incentivar a circulação de visitantes e movimentar a economia de municípios que ficam fora dos principais circuitos turísticos.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsAppSaúde e atendimento aos idosos
Na saúde pública, Kell destacou a necessidade de ampliar os atendimentos de média e alta complexidade no interior.
Entretanto, a candidata afirmou que pretende dar atenção especial à população idosa. A proposta apresentada prevê a criação de estruturas especializadas em geriatria na região, inclusive com a possibilidade de implantação de um ambulatório ou clínica voltada para esse público.
Segundo Kell, a iniciativa poderia utilizar como referência experiências existentes em Belo Horizonte e descentralizar serviços para outras regiões de Minas Gerais.
Além disso, ela defendeu investimentos em UTIs neonatais e estruturas de saúde em cidades menores, com o objetivo de reduzir a necessidade de deslocamentos para os grandes centros.
“Pensando nessa prática do cuidado, a gente tem essas propostas muito voltadas para as pessoas mais idosas, dentro dessa perspectiva do cuidado. A gente pensar também na questão das UTIs neonatais. A gente sabe que no Hospital Regional vai ter, o São João de Deus já tem UTIs também, mas a gente precisa tentar mandar recursos para fortalecer isso no interior.”
A candidata também relacionou o envelhecimento da população à falta de redes de apoio familiares. Para ela, o poder público precisa considerar a realidade de famílias com poucos ou nenhum filho, que podem enfrentar dificuldades para cuidar de parentes idosos.
Creches e política de cuidado
A ampliação de vagas em creches e berçários também apareceu em diferentes momentos da entrevista. Kel defendeu o aproveitamento da estrutura já existente na rede pública, desde que as adaptações atendam às necessidades das crianças.
“Você consegue montar um berçário razoável utilizando a estrutura já existente. Não é muita coisa. Você consegue fazer isso. É você direcionar bem esse orçamento.
A candidata afirmou ainda que o planejamento deve considerar mudanças demográficas e a variação da demanda por vagas ao longo dos anos. Nesse sentido, ela defendeu que novos espaços possam receber outras funções quando a demanda por educação infantil diminuir.
“Não é gasto quando a gente está investindo no futuro das crianças, porque isso vai voltar para a gente.”
Para Kell, políticas de transporte também devem acompanhar a expansão das vagas. Ela citou o passe livre para mães como uma alternativa para facilitar o deslocamento até as unidades de ensino.
Ao encerrar a entrevista, a candidata reforçou a defesa da chamada política do cuidado e afirmou que pretende levar a proposta para outras áreas da administração pública.
“Porque a gente quer fazer uma política de esperança, porque se a gente perder a esperança, a gente já perdeu a vida, né? Então a gente vem com essa mensagem de que dá para fazer uma política para todos, uma política do cuidado, uma política do diálogo.”





