Lohanna defende educação, saúde e fiscalização da mineração em entrevista ao Portal Gerais

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Por -15/09/2026, às 18H50setembro 15th, 2026
Lohanna defende educação, saúde e fiscalização da mineração em entrevista ao Portal Gerais
PORTAL GERAIS

Candidata a deputada federal pelo Partido Verde também critica Cleitinho, defende mudanças nas emendas parlamentares e fala sobre a dívida de Minas

A candidata a deputada federal pelo Partido Verde (PV), Lohanna, participou de entrevista ao Portal Gerais, nesta segunda-feira (14/9), e falou sobre temas que marcam sua campanha nas Eleições 2026. Entre os assuntos abordados estão as políticas de proteção às mulheres, permanência estudantil, emendas parlamentares, saúde pública, a dívida do Estado e a mineração.

Durante a conversa, Lohanna também avaliou a possível candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao Governo de Minas, criticou a condução das contas estaduais e defendeu mudanças na fiscalização da mineração e no modelo de desenvolvimento econômico do estado.

Lohanna fala sobre ameaças e violência contra mulheres

Um dos primeiros temas abordados na entrevista foi o episódio de novas ameaças de morte e estupro contra a parlamentar, ocorrido em 11/9. Lohanna afirmou que a violência política contra mulheres precisa ser analisada dentro de um cenário mais amplo de violência e ódio contra o público feminino.

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Para ela, o problema não se limita aos casos individuais. Por isso, a candidata defendeu que as autoridades investiguem também possíveis redes organizadas de disseminação de ódio contra mulheres na internet.

“É preciso mais do que só puxar a pena do caso da Lohana, entender esse galinheiro inteiro para entender o que está acontecendo e coibir esse crime que começa nas redes e vai para as ruas”

Na avaliação da candidata, o poder público também precisa ampliar a estrutura de proteção. Entre as medidas citadas estão o funcionamento adequado das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e o fortalecimento dos serviços de assistência social.

Nesse sentido, Lohanna destacou a importância de ampliar a atuação dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e das delegacias especializadas.

Segundo Lohanna, o investimento também deve priorizar a prevenção da violência contra a mulher. Para isso, ela defendeu a qualificação profissional e a geração de emprego, a fim de garantir independência financeira e ajudar mulheres a sair de relacionamentos abusivos, por exemplo.

“Então, a gente precisa atuar na prevenção. E atuar na prevenção é garantir política de CRAS, é garantir política de qualificação profissional. A coisa mais revolucionária pra uma mulher é dinheiro no bolso. Emprego pra mulher, qualificação profissional pra mulher é essencial como luz e água são pras plantas. Então eu vou defender isso enquanto eu estiver na política e depois também.”

Permanência estudantil é uma das bandeiras na educação

Na área da educação, Lohanna destacou a atuação em políticas de permanência estudantil no ensino superior. Segundo ela, seu trabalho envolve iniciativas como restaurantes universitários (RUs) e moradia.

A candidata citou unidades da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e afirmou que acompanha a implantação de restaurantes universitários em diferentes cidades.

Em Divinópolis, conforme relatou, a UEMG constrói o restaurante universitário. Lohanna afirmou que acompanhou o processo e encaminhou cobranças à reitoria diante de problemas relacionados à execução do projeto.

Além disso, ela mencionou a destinação de recursos para o restaurante universitário da UEMG em Ituiutaba.

“Divinópolis eu indiquei, a obra tá acontecendo e a gente indicou mais um milhão de reais pro RU em Ituiutaba pra também garantir que a terceira maior unidade vai ser atendida. Só que a gente precisa garantir que as políticas de permanência vão abranger a nível federal que a gente também precisa ter pra que elas funcionem”

Lohanna também defendeu a ampliação das políticas de permanência para estudantes que ingressam no ensino superior por programas como Prouni e Fies.

“A gente precisa ampliar as políticas de permanência pros alunos de Prouni e de Fies, que são contemplados, que são de baixa ou baixíssima renda, que estão dentro de ambientes muito mais caros do que o ambiente da vida deles normal”

Para a candidata, conseguir uma bolsa ou um financiamento não garante, necessariamente, condições financeiras para permanecer na universidade. Nesse contexto, ela citou despesas com aluguel, alimentação, transporte e equipamentos, que podem dificultar a permanência de estudantes, principalmente em cursos com custos elevados.

Por fim, Lohanna defendeu a criação de estruturas de alimentação em unidades dos Institutos Federais e em outras instituições de ensino.

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Emendas parlamentares: candidata defende mudanças

Outro ponto discutido na entrevista foi o uso das emendas parlamentares. Lohanna afirmou que não defende o fim do mecanismo, mas considera necessário estabelecer regras mais rígidas para a aplicação dos recursos.

“Eu não vou dizer que tem que acabar com a emenda, porque eu vou dar um exemplo. Durante o governo Bolsonaro, as emendas impositivas foi o que mais foram a fonte de ajuda para as universidades federais, porque o governo federal não colocava um real dentro de universidade. Então ali a gente garantiu que elas mantivessem de portas abertas. Agora, a gente precisa, na minha opinião, dar uma diminuída nesses valores e a gente precisa colocar mais regras”

Na avaliação dela, os valores deveriam seguir, principalmente, as necessidades da população, e não apenas a quantidade de votos que o parlamentar recebeu em determinada cidade.

Como exemplo, a candidata citou a destinação de recursos para Ituiutaba, mesmo sem possuir uma base eleitoral expressiva no município. Além disso, Lohanna criticou a ideia de que o recurso destinado por um parlamentar cria uma espécie de dívida eleitoral com a população.

“Quantos parlamentares iam ganhar a eleição se acabasse esse negócio de emenda? Porque o povo hoje manda emenda e acha que comprou a alma da população. ‘Aí eu mandei emenda para as faltas da rua, esse povo aqui tem que votar em mim.’ Parece que a pessoa acha que a emenda saiu do bolso dela. A emenda vem dos impostos da população. Se o parlamentar tem algum mérito, é de pra onde ele escolheu destinar”

Segundo ela, o dinheiro das emendas integra o orçamento público e tem origem nos impostos pagos pela sociedade. Por essa razão, a candidata também defendeu mais transparência e controle sobre a utilização desses recursos.

Saúde: Lohanna defende fortalecimento do atendimento regional

Na saúde, Lohanna destacou o Hospital Universitário de Divinópolis como uma das principais estruturas para a região Centro-Oeste de Minas. Segundo ela, além de atender a população, o hospital também movimenta a economia local, gera empregos e fortalece outros serviços da cidade.

A candidata defendeu a ampliação de programas federais, como o Agora Tem Especialistas, principalmente para procedimentos de média complexidade.

Na avaliação dela, municípios pequenos não conseguem manter estruturas hospitalares capazes de oferecer todos os níveis de atendimento. Dessa forma, Lohanna defende uma organização regionalizada da saúde, com centros de referência e acesso facilitado para pacientes de diferentes municípios.

Para ela, a atenção básica avançou em algumas áreas. Entretanto, a média complexidade ainda representa um dos principais gargalos do sistema.

“Eu proponho destinar emendas na saúde pra fortalecer o Agora Tem Especialistas e garantir que esses atendimentos cheguem nas nossas cidades. Porque a atenção primária, normalmente ela funciona. A gente aumentou muito a nossa cobertura em Minas Gerais nos últimos anos, inclusive com incentivos do Ministério da Saúde pras prefeituras que aumentavam o credenciamento das equipes. Quando é uma coisa de muita alta complexidade, um transplante, o SUS também atende muito bem. A questão é o meio. E a gente precisa garantir que esse meio vai ser melhor atendido. Então, eu pretendo atuar nesse sentido”

Lohanna critica possível candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas

A entrevista também abordou a disputa pelo Governo de Minas Gerais. Lohanna avaliou a possibilidade de Cleitinho Azevedo (Republicanos) concorrer ao cargo e afirmou considerar que o senador não estaria preparado para administrar o estado.

“Eu respeito muito a população de Minas Gerais e o voto da população. Mas eu entendo que o Cleitinho não tem condições de ser o nosso governador. Ele não tem preparo pra ser o nosso governador.”

Além disso, Lohanna criticou a gestão do governador Romeu Zema e afirmou que a dívida estadual aumentou durante os anos de governo.

“Minas Gerais, pra quem tá acompanhando a gente e não sabe, tinha uma dívida de 110 bilhões de reais no início do governo Zema. Como o Zema ficou 8 anos dando calote e não pagou essa dívida, a dívida tá chegando quase a 200 bilhões de reais”

Ao explicar sua visão sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), a candidata comparou o programa ao parcelamento de uma dívida. Segundo ela, a proposta apresentada pelo atual governo permite ampliar o prazo de pagamento e reduzir o impacto das parcelas.

“Ao invés da gente ter que pagar em parcelas grandes de valor e em menor número de parcelas, a gente passou a poder pagar um valor menor e parte desse valor ser revertido em investimentos no Estado. Em educação técnica e profissional, rodovias e tudo mais. Mitigação da emergência climática. Portanto, o governo federal já entregou uma alternativa”

Para Lohanna, o próximo governador encontrará um cenário fiscal difícil, independentemente de quem vencer a eleição.

Mais fiscalização na mineração

Outro tema de destaque foi a mineração. Lohanna afirmou ser favorável a uma fiscalização mais rigorosa das atividades mineradoras e a regras ambientais mais rígidas.

Segundo a candidata, existem situações em que empresas podem retirar uma quantidade maior de minério do que a declarada. Ela afirmou que já encaminhou relatos aos órgãos de controle e defendeu investigações sobre esses casos.

“Eu sou uma pessoa que defende uma ampliação robusta da fiscalização sobre a mineração. Porque hoje, não são todas as empresas, claro, mas existem várias empresas que retiram uma quantidade maior de minério do que declaram. Portanto, Minas perde dinheiro nessa questão”

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Lohanna critica proposta de Cleitinho de ampliar imposto sobre mineração

Ao comentar a proposta de Cleitinho de ampliar o imposto sobre a mineração em Minas Gerais para financiar a redução do IPVA, Lohanna afirmou que o debate sobre o setor precisa ir além da arrecadação.

Segundo a candidata, a exploração de minerais estratégicos, como o lítio e as terras raras, deve estar vinculada à criação de arranjos produtivos locais. Dessa forma, o estado poderia processar a matéria-prima e desenvolver produtos, como baterias, em vez de apenas exportar os minerais.

“Eu não quero só tirar o lítio lá do Jequitinhonha, do Vale do Jequitinhonha, e vender esse lítio pra China. Vender esse lítio pros Estados Unidos pra que eles façam a bateria. Não. Se for pra tirar o lítio daqui, eu quero que a gente faça a bateria aqui.”

Na avaliação de Lohanna, essa estratégia poderia gerar empregos de qualidade, fortalecer a economia mineira e melhorar a qualidade de vida da população. Por outro lado, a candidata criticou a proposta de aumento da tributação sobre a mineração. Para Lohanna, a medida não apresenta, necessariamente, ações voltadas à fiscalização, à regulamentação ou ao licenciamento ambiental.

“Se você aumenta o imposto sobre a mineração, que é o que ele tá dizendo, ele não tá dizendo que ele vai fiscalizar mais, ele não tá dizendo que ele vai regular, que ele vai fazer o licenciamento ambiental com mais seriedade. O que ele tá dizendo é que ele simplesmente vai aumentar o imposto.”

Lohanna fala sobre privatização

Na área de saneamento, Lohanna afirmou que pretende defender o acesso à água como um direito, e não como uma mercadoria. Embora reconheça que algumas privatizações podem ser necessárias, ela se posicionou contra a transferência dos serviços de água e energia para empresas privadas.

Segundo a candidata, o alto custo da infraestrutura dificulta a concorrência no setor. Por isso, ela defendeu uma atuação mais efetiva do poder público na proteção de nascentes, lagoas e demais recursos hídricos, inclusive em áreas privadas.

“A gente quer defender a água e saneamento como direitos, entendendo inclusive a responsabilidade do poder público de intervenção quando a gente tem risco de prejuízo a lagoas, lagos, nascentes em áreas que estão privadas.”

Escala 6×1 e redução da maioridade penal

Lohanna reafirmou seu posicionamento favorável ao fim da escala 6×1. A candidata afirmou que já trabalhou nesse regime e conhece as dificuldades de quem tem apenas um dia de descanso por semana.

“Eu sou a favor porque eu já trabalhei nessa escala, eu sou a favor porque eu sei o que é a vida de um trabalhador exausto que tem um dia pra descansar.”

Além disso, Lohanna criticou a concessão de incentivos fiscais sem comprovação de retorno para a população. Ela defendeu que o poder público avalie a geração de empregos e renda antes de conceder benefícios às empresas

Questionada sobre a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, Lohanna afirmou que não apoia a medida. Para ela, o Brasil precisa fortalecer a investigação criminal, as polícias, as escolas e as políticas de inclusão social antes de ampliar o debate sobre punições.

“Olha, eu preciso falar de fortalecimento da polícia civil, da polícia militar, das escolas, eu preciso falar primeiro de emprego, eu preciso falar de um monte de coisa. E se essas coisas todas rodarem, aí a gente fala dessa questão. Eu acho que assim, eu tenho dificuldade e não sou a favor de redução de maioridade penal.”

Lohanna defendeu ainda políticas que valorizem a educação e o trabalho como caminhos para melhorar as condições de vida dos jovens, especialmente aqueles que vivem nas periferias.

“Um deles é a gente voltar a valorizar o estudo e o trabalho como as coisas que mudam a vida da gente, que valem a pena e que garantem um futuro melhor.”

Ao longo da entrevista, Lohanna defendeu que Minas Gerais precisa combinar responsabilidade fiscal, investimentos públicos e fortalecimento da fiscalização. Na avaliação da candidata, áreas como educação, saúde, proteção às mulheres, infraestrutura e meio ambiente precisam de ações integradas.

A entrevista faz parte da cobertura do Portal Gerais sobre as Eleições 2026, que acompanha candidatos e propostas para os principais cargos em disputa em Minas Gerais.