Marília Campos diverge do PT e classifica candidatura própria ao Governo de Minas como ‘equívoco’

Eleições 2026Minas Gerais
Por -25/06/2026, às 09H38junho 25th, 2026
Marilia Campos - Foto: ALMG/REPRODUÇÃO

Ex-prefeita de Contagem defende criação de uma frente ampla com partidos aliados a Lula e reafirma que sua única pretensão política para 2026 é a disputa ao Senado

Os rumos do Partido dos Trabalhadores (PT) para a sucessão estadual em Minas Gerais em 2026 geraram uma divergência pública na legenda. Após a presidente estadual do PT-MG, deputada Leninha, confirmar que a sigla terá candidatura própria ao Governo do Estado, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, emitiu uma nota oficial criticando duramente a decisão, classificando-a como um “equívoco estratégico”.

O racha interno ganhou força após uma reunião no Palácio da Alvorada na última quarta-feira (24/06), onde Leninha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bancada federal selaram a intenção de encabeçar a chapa majoritária no estado. Embora os bastidores apontem Marília Campos como o nome mais cotado pelo partido para disputar o Palácio Tiradentes, a ex-prefeita rejeitou a ideia e defendeu a necessidade de recuo para a formação de uma coalizão maior.

“Embora legítima do ponto de vista partidário, ela [a candidatura própria] representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado. A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas. Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros”, ponderou Marília Campos.

Defesa de Frente Ampla e o “Fator Pacheco”

O cenário político mineiro sofreu uma reviravolta desde 29 de maio, quando o senador Rodrigo Pacheco (PSB) anunciou sua decisão de deixar a vida pública ao fim do mandato, desestruturando os planos iniciais de uma candidatura natural apoiada pelo Governo Federal.

Para Marília, o momento exige que o PT abra mão do protagonismo na cabeça de chapa para liderar um arco de alianças competitivo, unindo partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL e PDT. A líder política relembrou o desenho da campanha presidencial de 2022 para justificar que os melhores resultados nas urnas nascem da convergência de siglas.

Foco mantido na disputa para o Senado

Na mesma nota, a equipe de Marília Campos rechaçou a possibilidade de o nome dela figurar na disputa pelo governo mineiro, blindando sua pré-candidatura ao Senado Federal. A articulação para o Congresso já havia sido aprovada internamente pelas instâncias do PT em janeiro e conta com o aval do presidente nacional da sigla, Edinho Silva.

Marília, que deixou o comando da Prefeitura de Contagem com altos índices de aprovação popular para percorrer o estado e dialogar com prefeitos e o setor produtivo, reforçou que o plano continua o mesmo.

“Trata-se de uma pré-candidatura estratégica porque Minas não possui atualmente senadores da base do presidente Lula e porque representa um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários. Essa é a única disponibilidade política colocada por Marília para a disputa de 2026 e o palanque petista capaz de contribuir para a reeleição do presidente Lula no estado”, concluiu o comunicado.