Sabrina Vitória Melo precisa passar por 30 sessões de radioterapia em Belo Horizonte; mãe terá que deixar o trabalho durante o tratamento
Aos 10 anos, Sabrina Vitória Melo enfrenta um tumor cerebral raro, três cirurgias e a perda de cerca de 80% da visão. A menina, que mora em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, recebeu o diagnóstico de craniofaringioma em 2023. Desde então, enfrenta uma longa rotina de acompanhamento médico. Agora, precisa passar por 30 sessões de radioterapia em Belo Horizonte e, posteriormente, iniciar a reabilitação visual em Pará de Minas.
Diante do comprometimento da visão e das dificuldades financeiras provocadas pela rotina de cuidados que afastaram a mãe, Patrícia Melo do trabalho, a família criou uma vaquinha. A arrecadação busca ajudar nas despesas enquanto acompanha a filha.
- Quem quiser ajudar pode contribuir por Pix. Conforme as informações divulgadas pela própria família, a chave é o telefone (37) 98838-1171, em nome de Patrícia, mãe de Sabrina. A campanha também informa o CPF 702.400.116-00 como chave Pix.
Problemas na visão começaram ainda em 2021
Os primeiros sinais apareceram no final de 2021. Na época, Sabrina começou a reclamar que não conseguia enxergar o quadro da escola. Patrícia procurou um oftalmologista e os primeiros exames apontaram astigmatismo. Assim, a menina começou a usar óculos.
No entanto, em 2022, Sabrina desenvolveu estrabismo. Por isso, a mãe voltou a procurar atendimento. Durante a nova avaliação, o médico percebeu que havia algo comprimindo o nervo óptico e encaminhou a menina para um neurologista.
“Aí, quando foi em outubro, eu levei ela de novo no oftalmologista, porque já estava fazendo um ano. Aí ele viu que tinha algo comprimindo o nervo óptico dela, que não era só visão, tinha algo comprimindo o nervo. Aí passou para o neurologista.”
Depois disso, Sabrina passou por uma ressonância em fevereiro de 2023. O exame identificou o tumor. Em 10 de abril de 2023, ela enfrentou a primeira cirurgia.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsAppSabrina passou por três cirurgias
Após a primeira cirurgia, o tratamento continuou. Segundo Patrícia, Sabrina parou de crescer e, posteriormente, iniciou o uso de GH, o hormônio do crescimento. Contudo, a mãe relata que o tumor voltou a se desenvolver durante esse período. Com isso, a família interrompeu novamente o hormônio.
Em outubro de 2025, Sabrina precisou passar pela segunda cirurgia. Conforme explica Patrícia, a localização do tumor dificulta a retirada completa.
“Ela teve que passar de novo pela cirurgia, que só esvazia o tumor, porque ele está agarrado em artérias dela. Então, não tem como retirar ele todo, é só esvaziar mesmo.”
Os documentos médicos apresentados pela família registram o diagnóstico de craniofaringioma adamantinomatoso e o histórico das intervenções. Além disso, o sumário de alta mais recente registra uma ressecção parcial em 7 de julho de 2026 e recomenda o encaminhamento para radioterapia.
Terceira cirurgia comprometeu a visão
Foi justamente após a terceira cirurgia que Sabrina passou a enfrentar uma das consequências mais difíceis do tratamento. Segundo Patrícia, a intervenção atingiu uma região relacionada à visão e deixou a filha com um comprometimento grave.
“Agora, infelizmente, nessa terceira cirurgia, que foi no dia 7 de julho, pegou o nervo-quiasma, que é onde ela ficou com a visão muito prejudicada, muito mesmo. E, segundo os médicos, é irreversível.”
Um documento de encaminhamento para atendimento de baixa visão apresentado pela família registra acuidade visual de 20/200 nos dois olhos. A campanha organizada pela família informa que Sabrina perdeu cerca de 80% da visão dos dois olhos.
A mudança afetou atividades comuns da infância, inclusive os estudos. Enquanto aguarda acompanhamento adequado na escola, Sabrina depende da ajuda dos colegas.
“Ela, na escola hoje, para estudar, enquanto ainda não vem uma professora auxiliar para ler para ela, coleguinha tem que ditar para ela o que está sendo escrito no quadro para ela copiar no caderno.”
Além disso, Patrícia conta que a filha encontra dificuldades para enxergar objetos à distância e até mesmo para atravessar uma rua.
“Para atravessar a rua, ela não vê um carro que está vindo mais longe, ela só vê bem próximo. Para ler, nem assim, 40 centímetros, 50 centímetros, ela consegue ler algo pequeno. Uma letra maior, nem de um metro já não consegue ler.”
Para a família, portanto, a rotina mudou completamente.
“Infelizmente, é muito complicado. Está bem, bem complicado. A situação não é fácil e é muito triste, é muito triste.”
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Tratamento terá 30 sessões de radioterapia
Agora, Sabrina se prepara para outra etapa. A menina precisa passar por 30 sessões de radioterapia em Belo Horizonte, de segunda a sexta-feira. Dessa forma, a previsão da família é permanecer envolvida nessa etapa por cerca de seis semanas.
O relatório médico apresentado pela família também registra encaminhamento para avaliação de radioterapia estereotáxica.
Depois da radioterapia, Sabrina deverá iniciar a reabilitação visual em Pará de Minas. Segundo Patrícia, a orientação recebida pela família prevê deslocamentos frequentes para dar continuidade ao acompanhamento.
Mãe precisará deixar trabalho para acompanhar filha
A rotina também traz um desafio financeiro. Para acompanhar Sabrina durante as sessões em Belo Horizonte e os demais atendimentos, Patrícia afirma que precisará se afastar do trabalho.
Por isso, ela decidiu criar uma vaquinha.
“Eu fiz uma vaquinha para poder ver se a gente consegue arrecadar algum valor, para eu me manter esse tempo que vou levar ela para Belo Horizonte, que vão ser 30 sessões de radioterapia, de segunda a sexta, então são seis semanas em BH.”
Além dos gastos com o tratamento e deslocamentos, a arrecadação carrega outro significado para mãe e filha.
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Sabrina quer conhecer o mar e andar de tirolesa
Em meio aos hospitais, exames e cirurgias, Sabrina sonha em conhecer o mar e andar de tirolesa. Patrícia espera que, além de garantir condições para acompanhar o tratamento, a mobilização permita realizar esses desejos.
Para a mãe, os sonhos ganharam ainda mais importância diante do comprometimento da visão da filha.
“Como os médicos disseram que é irreversível o quadro e que é só piorar, eu queria muito também, sabe, realizar o sonho dela de conhecer o mar e andar de tirolesa.”
Assim, Patrícia espera transformar parte desse período difícil em novas lembranças para Sabrina.
“Por isso eu fiz a vaquinha, para ver se eu consigo fazer isso. E, principalmente, para poder arcar com os custos do tratamento dela durante esse tempo, porque, infelizmente, não tem como continuar trabalhando na hora que começar a radioterapia.”
Como ajudar Sabrina
Quem quiser ajudar pode contribuir por Pix. Conforme as informações divulgadas pela própria família, a chave é o telefone (37) 98838-1171, em nome de Patrícia, mãe de Sabrina. A campanha também informa o CPF 702.400.116-00 como chave Pix.
Além das doações, a família pede que as pessoas compartilhem a história de Sabrina. Dessa maneira, a campanha pode alcançar mais pessoas e ajudar tanto nas despesas das próximas etapas do tratamento quanto na tentativa de realizar os sonhos da menina.


