Menino com primeiro caso de doença genética rara identificada no Brasil retorna ao país curado após quatro meses nos EUA

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Por -18/06/2026, às 08H49junho 18th, 2026
Dudu e família enquanto retornavam ao Brasil - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Eduardo Amaral, o Dudu, enfrentou a SPG50 com terapia gênica experimental no Texas e agora projeta uma nova rotina com a família em Minas Gerais

O pequeno Eduardo Silva Amaral, o Dudu, de 3 anos e natural de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, já está em solo brasileiro. O menino enfrentou a Paralisia Espástica Hereditária Tipo 50 (SPG50), uma doença genética ultrarrara que afeta menos de 100 pessoas no mundo. Ele retornou ao país curado após passar quatro meses nos Estados Unidos, onde se submeteu a um tratamento experimental desenvolvido para combater a condição. Desse modo, o primeiro caso diagnosticado da doença no Brasil volta ao lado dos pais para retomar a rotina depois de anos marcados por exames, viagens e uma corrida contra o tempo.

A princípio, a gravidade e a raridade da condição chamam a atenção da comunidade médica. O médico Marcondes França, professor de Neurologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Departamento de Neurogenética da Academia Brasileira de Neurologia, explicou o panorama da patologia:

“No grupo total, temos cinco casos a cada 100 mil pessoas. Existem diversos tipos dessas doenças, mais de 90 ao todo. Algumas se manifestam na fase adulta, outras ainda na infância. A tipo 50 é uma das mais raras. Estimamos que haja menos de 100 casos no mundo”

A jornada internacional e o tratamento inovador

A família desembarcou no Brasil em 13 de junho, logo após uma temporada em Dallas, no Texas. Na cidade americana, Dudu recebeu uma terapia gênica experimental desenvolvida para tratar a doença. Atualmente, a Paralisia Espástica Hereditária Tipo 50 é uma doença genética rara que afeta principalmente o sistema nervoso, causando rigidez muscular progressiva, fraqueza nas pernas e dificuldade para caminhar. Dependendo do caso, também podem ocorrer atraso no desenvolvimento motor, problemas de equilíbrio, alterações cognitivas leves, dificuldades de fala e coordenação, o que impacta a autonomia, a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades do dia a dia, muitas vezes exigindo acompanhamento médico contínuo, fisioterapia e suporte multidisciplinar.

Agora, longe dos hospitais e da mobilização que marcou a trajetória da família, os pais celebram a possibilidade de recomeçar. Portanto, a família permanece temporariamente em São Paulo enquanto organiza o retorno para Patos de Minas, no Alto Paranaíba, cidade natal de Dudu.

O pai do menino, Paulo Amaral, expressou o alívio com o resultado positivo:

“Foram quatro meses muito difíceis e estamos felizes em voltar para o Brasil, para a nossa vida. Agora, dois anos e meio após o diagnóstico, o Eduardo finalmente não tem mais essa doença horrível. Os próximos passos são que ele volte às terapias intensivas, mas dessa vez sem a SPG50 para atrapalhá-lo”

Mobilização digital e mensagem de esperança

Anteriormente, a família anunciou a cura de Dudu nas redes sociais em abril, encerrando uma jornada que mobilizou milhares de pessoas em campanhas de arrecadação e correntes de apoio. Em uma publicação que emocionou seguidores, amigos e apoiadores que acompanharam cada etapa da luta do menino, os pais comemoraram:

“Enfim podemos dizer: vencemos! Dudu está curado”

Para os pais, Débora e Paulo, a dimensão da conquista passou a ser sentida no retorno ao Brasil e na retomada da rotina da família. Com o intuito de inspirar outras pessoas, Débora deixou um recado de otimismo:

“Queremos que outras famílias que passam por situações semelhantes não percam as forças de lutar. Nós fizemos o impossível e sabemos que outros também conseguirão”

Registro histórico e próximos passos

Mesmo após a cura, a trajetória de Dudu continuará sendo acompanhada. Com efeito, a história do menino foi registrada para um documentário internacional sobre crianças submetidas ao tratamento experimental. Com isso, a produção também mostrará os avanços de uma pesquisa que pode mudar o futuro de pacientes com doenças genéticas raras.