Ministro do Trabalho defende o fim da escala 6×1 e critica “perversidade” nas relações de trabalho

Minas Gerais
Por -11/11/2025, às 08H04novembro 11th, 2025
aviso prévio
Foto: Agência Senado

Durante seminário na Câmara dos Deputados, Luiz Marinho pediu avanços na jornada laboral e reforçou a importância da negociação coletiva

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta segunda-feira (10) o fim da escala 6×1 e a criação de novos modelos de jornada de trabalho que garantam mais saúde e equilíbrio aos trabalhadores. A declaração foi feita durante o seminário “Alternativas para o Fim da Escala 6×1”, promovido pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Marinho classificou a escala 6×1 seis dias de trabalho por um de descanso como “incompatível com a vida moderna” e “perversa, especialmente para as mulheres”. O ministro defendeu a ampliação do descanso semanal:

“Precisamos devolver às trabalhadoras e trabalhadores o direito a pelo menos dois dias consecutivos de descanso”, afirmou.

Apesar da crítica, ele ponderou que há setores que exigem operação contínua e que, nesses casos, a negociação coletiva é essencial.

“Não existe lei capaz de determinar a grade de horários de todos os setores. Isso é papel da negociação coletiva. Os sindicatos estão fragilizados e precisam recuperar capacidade de negociação”, destacou.

Propostas e debate

O encontro reuniu sindicatos, trabalhadores, representantes de empregadores e parlamentares. Um dos principais pontos discutidos foi a PEC 8/25, que propõe jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, com limite de 36 horas semanais e extinção da escala 6×1. A proposta ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

O ministro ressaltou que as relações de trabalho no Brasil ainda carregam desigualdades estruturais.

“A desigualdade não é um acidente, é resultado de escolhas históricas que penalizam os trabalhadores, especialmente os mais pobres”, afirmou.

Segundo ele, cabe ao Estado corrigir distorções, garantir direitos trabalhistas e fortalecer a fiscalização.

Redução da jornada e modernização

Marinho defendeu também a redução da jornada máxima para 40 horas semanais, afirmando que o país tem condições econômicas para avançar.

“Na minha opinião pessoal, cabe perfeitamente reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais imediatamente”, disse.

O ministro lembrou que a mudança constitucional de 48 para 44 horas semanais em 1988 enfrentou resistência semelhante.

“O mundo não acabou. As empresas se adaptaram, e muitas categorias já negociam 40 horas semanais”, afirmou.

Comércio aos domingos e feriados

Durante o evento, Marinho também voltou a criticar a reação de setores empresariais à portaria que regulamenta o trabalho aos feriados.

“A portaria apenas dizia que feriado não é proibido funcionar, mas que é obrigatório negociar. A reação foi brutal”, comentou.

Ao encerrar sua fala, o ministro reforçou a disposição do governo para dialogar com trabalhadores, empregadores e o Parlamento:

“Precisamos avançar com serenidade e construir a transição necessária. É hora de virar a página da escala 6×1.”