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Entre novembro e dezembro foi registrado apenas um óbito durante o parto (Foto: Divulgação)

Entre novembro e dezembro foi registrado apenas um óbito durante o parto (Foto: Divulgação)

Depois de comemorar a queda do índice de mortalidade no Hospital São João de Deus, o ano não começou muito bem. A tia de uma gestante internada na unidade denunciou a morte de pelo menos quatro bebês durante o parto nesta semana. Um teria ocorrido na segunda-feira (05), outro dois na terça (06) e outro ontem (07) pela manhã. O hospital ainda não confirma, e fala extraoficialmente em dois.

Cristina Vargas, 47 anos, tem acompanhado a sobrinha que está internada com 41 semanas de gestação. Terça-feira (06) ela chegou no hospital e segundo a tia dela, eles deram um comprimido para induzir o parto normal e pediu que ela voltasse para a casa e retornasse no sábado (10). Entretanto, Cristina bateu o pé até conseguir a internação da sobrinha.

O principal problema, que segundo a denunciante, poderia estar contribuindo com os óbitos durante os partos seria o tempo de espera para evitar a cesariana. Uma outra gestante internada no mesmo quarto da sobrinha dela já está com 42 semanas e teria tomado sete comprimidos para induzir o parto normal. A medida seria em resistência as cesarianas.

“Não estou reclamando das enfermeiras, dos profissionais, porque o atendimento é muito bom. O problema é que eles falam em uma norma e que a cesariana é apenas em último caso”, conta Cristina.

A sobrinha dela teve o bebê nesta quarta-feira (08) por parto normal. A preferência pelo parto normal é aplicada, principalmente, às pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Eles falam que é apenas em último caso que eles fazem a cesariana”, conta a mãe da gestante, Patrícia.

Dados

De acordo com a Assessoria de Comunicação do hospital, em novembro não foi registrado nenhum óbito de bebês durante o parto, em dezembro houve um. Já os dados de janeiro serão confirmados apenas na segunda-feira (12). Extraoficialmente fala-se em dois.

Ainda segundo a assessoria, o médico responsável pelo setor está de férias e retorna apenas na segunda. Apenas ele poderia falar sobre as causas das mortes e explicar sobre a preferência pelo parto normal.

Dados apresentados pela assessoria apontam que em dezembro houve 87 partos normais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no hospital e outro 12 por convênios. Já as cesarianas pelo SUS somaram 29 e 48 por convênios.

Riscos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a data provável do parto (DPP) é calculada para 40 semanas após o primeiro dia da última menstruação. Um bebê que nasce antes de 37 semanas é considerado prematuro e, após a 42a, pós-termo. Nos dois casos, os riscos de complicações aumentam muito. Mas, a partir da 40ª semana e um dia, os cuidados e o acompanhamento médico devem ser redobrados.

“A placenta envelhece e a troca de oxigênio e nutrientes entre mãe e filho piora, o que pode causar até o óbito do bebê”, diz Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Para evitar esse risco, a gestante deve ser submetida a exames como cardiotocografia e ultrassom a cada três dias, que vão avaliar o feto e o líquido amniótico.

“Dá para aguardar até 42 semanas, mas, se a medicina já sabe do aumento do risco, vale a pena?”, pondera Sandra Maria Alexandre, professora adjunta do Departamento Obstetrício da Unifesp, em São Paulo.