Sonny Clay Dutra, 43, era maior fornecedor de pasta-base de cocaína em MG e no Brasil; contatos internacionais são investigados
O narcotraficante Sonny Clay Dutra, de 43 anos, preso em Divinópolis nesta sexta-feira (9/1), é um dos maiores traficantes de pasta-base de cocaína de Minas Gerais e do Brasil. Ele teria movimentado ao menos R$ 848 milhões. As informações são da Polícia Civil, que divulgou novos detalhes dos crimes cometidos por ele durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado (10/1) pela Polícia Civil em Belo Horizonte.

O criminoso foi detido em um prostíbulo em Divinópolis. Ele já havia sido preso em 2019 durante uma partida de futebol em Ouro Preto, na região do estado. Mas, a defesa do acusado encontrou uma brecha na lei e ele conseguiu liberdade provisória e continuou os trabalhos no mundo do crime.
O criminoso morava em Itaúna, a 41 quilômetros de Divinópolis, onde ele foi preso.
Criminoso tem conexões internacionais, diz delegado
Marcos Vinícius Lobo Leite Vieira, chefe da divisão especializada do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), explica que Sonny Clay tem vários contatos de outros países, como Bolívia e Paraguai, que fornecem pasta-base de cocaína. Com isso, ele se tornou o maior fornecedor de MG e de outros estados do Brasil.
“Ele tem boa circulação dentro desse alto escalão [de contatos] e utiliza disso para manter o tráfico de drogas de maneira empresarial. Ele traz grandes quantias de cocaína para o estado de Minas Gerais e, com isso, ele se tornou o maior narcotraficante daqui”, detalha.
Investigação continua e foco é lavagem de dinheiro

A próxima fase da investigação deverá mapear a rede de lavagem de dinheiro utilizada por Sonny Clay, além de constatar outros “braços” do tráfico chefiados por ele.
“Ele utiliza empresas de fachada em vários estados da federação, com nomes fictícios de sócios, administradores que atuam em diversos ramos, entre eles gênero alimentício, posto de combustível, etc, que faz circular essas quantias ilícitas, transformando em ativos ilícitos”, explica.
Bandido era sem facções
Sonny Clay não era ligado a nenhuma facção criminosa, segundo a polícia. Ele funcionava como um fornecedor de drogas para elas.
“Ele não é faccionado porque ele transita em um grau acima, no meio de várias facções”, acrescenta o delegado.
Ainda segundo a investigação, Sonny Clay é um homem bem articulado, muito inteligente e utiliza contatos fora do país. “Ele não coloca a mão na droga, ele utiliza desses grandes contatos para realizar essa logística e essa distribuição de cocaína em MG e outros estados da federação”, acrescenta.
Mudança na aparência para tentar enganar
Uma dificuldade que os investigadores enfrentaram foi a mudança de aparência de Sonny Clay em relação a 2019. Ele fez alguns procedimentos, que não se sabem quais, o que dificultou para a polícia reconhecê-lo.

A polícia sabia que ele morava entre Itaúna e Divinópolis, mas essa mudança dificultou o encontro.
“Ele ficou mais forte e esteticamente mudou bastante, o que dificultou a identificação dele nesse primeiro momento. Não temos o conhecimento [do que ele mudou], mas que ele mudou bastante a fisionomia, mudou sim”, afirmou o delegado Davi Batista Gomes.
Sonny Clay foi preso com uma arma de fogo calibre .380 e uma moto BMW.



