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O dia que a terra parou e o apocalipse

Por 07/10/2021outubro 8th, 2021Blog, Últimas Notícias

 

Reflexos do fim do mundo não são o paredão de tempestade de poeira que vem afligindo o interior paulista, entre outras localidades, nas últimas semanas. O reflexo do fim do mundo é todo mundo, mudo. Num universo paralelo no qual nos afeiçoamos a viver.

É toca, esconderijo. Lugar sem muro. Palco das conexões, das meias-verdades. Ilusões. A gente se diverte e até esquece que há imprecisões. Se apaixona pelo avatar. Com o que parece ser.

No dia em que a Terra parou não houve o fim do mundo. Nem tempo para o juízo final. Nesse plano tudo continuou igual, mesmo assim houve choro e ranger de dentes.

Cada um no seu quadrado, o criador e a criatura.

Reclamou das sete horas sem curtir, comentar, compartilhar ou stalkear ninguém? Perdeu nada. Quem de fato perdeu, perdeu seis bilhões que não fazem falta.

E você reclamando da falta de conversa, da selfie, do post não publicado. Pois é, sobre outra perspectiva o mundo anda assombrado. O homem e as desgraças humanas tudo num jogo de estímulo e resposta.

A série que faz sucesso na Netflix mundo afora dobra a aposta e retrata a insensatez. Quando falta o humano, o que sobra é a besta. Animal que por desatino age por instinto.

Quem dera fosse só roteiro, ideias num punhado de papel. O que foi escrito não foi fingido. É real. É o homem se assemelhando a um animal acuado. Morde, fere. Por defesa é ataque.

Indivíduo que ora é ceia, ora é diversão para os pseudodeuses. Ungidos pela graça de poder, de fazer refém. Subjugar sem exercer força. Apenas se aproveitando do que é fraqueza no outro.

A justificativa é insana. Quando está em xeque a sobrevivência, são outros os valores. Mas nem tudo deveria estar perdido. Há de ter alguma outra saída. Sair fora desse jogo.

Criar justificativas por ser falho não torna ninguém melhor. Tampouco estanca o que é sangria. Frases de efeito também não resolvem.

É a lucidez nos atos é que vai polindo o homem.

Passo a passo.

No dia a dia – nesse ou no outro universo paralelo – os jogos são vorazes. Existência é, contra tudo e contra todos, manter-se limpo. Sobriedade ante aos desafios é redenção.

Os sinais apocalípticos são características de tempos conturbados e confusos em que há inversão de valores. Talvez venha daí a simpatia pela série consagrada na Netflix.

Não é só pelo entretenimento, mas pela identificação. O surreal, o subjetivo não são tão abstratos.
Possuem lastro nessa realidade.

Rodrigo Dias

É jornalista e web poeta, há mais de duas décadas trabalha no mercado de comunicação. Formado em Publicidade e Propaganda, também atua como assessor de comunicação.