Detalhes repassados pela delegada Francielly de Queiroz chocam pela crueldade; agressor filmava o sofrimento da vítima nua e enviava para amigos em tom de deboche
O desfecho do inquérito que apurou o cárcere privado e a tortura de uma mulher surda, de 47 anos, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, impressionou pela frieza do agressor. Conforme a delegada responsável pelas investigações, Francielly de Queiroz, o suspeito se vangloriava dos atos encaminhando imagens da vítima para amigos.
Ao detalhar a análise do material extraído do celular do suspeito, a delegada revelou que o homem, servidor público, não apenas filmava o sofrimento físico da companheira, mas utilizava os registros para fazer piada e exibir o controle que exercia sobre ela para terceiros.
“Durante a investigação, nós arrecadamos algumas imagens que foram feitas pelo próprio investigado no seu aparelho de telefone celular, onde ele registrava tanto as agressões quanto essas sessões de tortura. As imagens dela ajoelhada sobre os caroços de milho foram divulgadas para alguns amigos, sendo motivo de que para o qual ele estava humilhando a vítima, submetendo àquele sofrimento, e ele se vangloriando desses atos”, destacou a autoridade policial.
Perversão usada como prova no inquérito
Conforme a delegada, o telefone celular do autor virou uma das principais peças de prova técnica para o indiciamento. Os arquivos mostraram que o homem transformou o crime em um espetáculo de humilhação, enviando fotos da companheira nua e submetida a castigos medievais para canais de conversa particulares sob a justificativa de que estava “vingando” uma suposta traição.
A incapacidade da vítima de emitir sons e pedir socorro devido à sua condição de saúde agravou o quadro de vulnerabilidade, que só chegou ao fim quando as agressões transbordaram para a área comum do condomínio, sendo vistas por um vizinho.
Viu essa? Após caso de tortura, Prefeitura de Divinópolis quer endurecer punições a servidores
Sofrimento psicológico
Durante os oito dias de confinamento, a mulher ficou privada de alimentação e obrigada a consumir drogas sob ameaça.
“Ela foi submetida a intenso sofrimento físico e psicológico. Ficou sem alimentação, foi obrigada a consumir drogas, era queimada com cigarro e obrigada a tomar banhos gelados e a ajoelhar em milho e feijão nua como forma de castigo. O investigado se vangloriava desses atos”, relatou a delegada Francielly de Queiroz.
Conforme a delegada, o suspeito chegou a enviar fotos da companheira ajoelhada sobre os grãos para um grupo de amigos, utilizando o sofrimento da vítima como motivo de escárnio.
A reviravolta no caso ocorreu durante a madrugada em que houve o flagrante. Aproveitando-se de uma fresta na porta, a mulher conseguiu escapar do imóvel. No entanto, ela foi alcançada pelo homem ainda nas redondezas do prédio, sendo agredida e arrastada pelos cabelos de volta para o apartamento. A cena foi testemunhada por um vizinho do condomínio, que acionou imediatamente a Polícia Militar.
- Trabalhador morre durante desmontagem de palco em Nova Serrana
- Com mais de 50 atrações, Festival de Inverno de Itapecerica 2026 celebra tradição e grandes shows
- Poema de Tito Malaquias inspira Festival de Inverno de Itapecerica 2026
- Jovem fica em estado grave após acidente entre carro e moto em Divinópolis
- Escola Municipal Adolfo Machado sofre furto e tem equipamentos levados em Divinópolis
Tentativa de feminicídio no momento da abordagem
Ao retornar ao cativeiro após a tentativa de fuga fracassada, o agressor demonstrou ainda mais violência. Armado com uma faca de cozinha, ele desferiu vários golpes contra a companheira. Para salvar a própria vida, a mulher entrou em luta corporal e segurou a lâmina com as mãos, sofrendo graves cortes nos dedos e palmas. Os militares chegaram ao endereço exatamente no momento do ataque, interrompendo a agressão e prendendo o autor em flagrante.
Diante do robusto conjunto de provas materiais e testemunhais, a Polícia Civil concluiu o inquérito com o indiciamento do homem por seis crimes correlatos:
- Tentativa de feminicídio
- Tortura majorada
- Cárcere privado
- Divulgação de cena de nudez sem consentimento
- Dano qualificado (pela destruição do celular da vítima)
A delegada ressaltou que o desfecho do caso e o acolhimento da vítima exigiram uma mobilização emergencial integrada envolvendo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds), a Polícia Militar, o Ministério Público e o Poder Judiciário para garantir a prisão preventiva do autor e a proteção integral da sobrevivente.




