Os nomes que podem fortalecer o PT no Centro-Oeste, região de Cleitinho

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Por -27/01/2026, às 06H00janeiro 28th, 2026
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Foto: Divulgação

Gleide e Vítor pavimentam “dobradinha”; Cleitinho transita entre os campos, mantém discurso alinhado à direita e, flerta com pautas caras à esquerda

No epicentro das eleições de 2026, o PT trabalha na construção de candidaturas no Centro-Oeste de Minas. Até agora, duas pré-candidaturas já avançaram: a da secretária nacional de Finanças do partido, Gleide Andrade, para deputada federal; e a do vereador de Divinópolis, Vítor Costa, para deputado estadual. Juntas, as campanhas formam uma dobradinha clara e são os nomes para fortalecer o PT na região. Assim, o partido tenta ampliar a votação de Gleide, que em 2022 somou pouco mais de 49,6 mil votos, mas ficou fora da Câmara.

Desde então, Gleide intensificou a presença regional e se aproximou de lideranças locais. Além disso, assumiu o papel de interlocutora do governo federal no Centro-Oeste. Anúncios de recursos e investimentos passam por ela. Ao mesmo tempo, a dirigente se mantém na linha de frente da defesa do Hospital Regional, onde atua como porta-voz direta do presidente Lula na região.

Na outra ponta da dobradinha, Vítor Costa agrega um perfil específico. Com pautas voltadas à juventude e à comunidade LGBTQIA+, ele dialoga com agendas de diversidade, igualdade de gênero, educação, meio ambiente. Por isso, o PT o enxerga como um novo nome progressista com potencial de tração eleitoral no Centro-Oeste. Caso eleito, o PT não perde cadeira na câmara municipal. A Professora Thay, também do PT, assume a vaga.

Até aqui, embora outros filiados tentem viabilizar candidaturas, interlocutores do partido garantem um desenho mais enxuto. Em síntese, apenas esses dois nomes devem disputar os votos petistas na região. A estratégia busca evitar pulverização e maximizar resultados.

Mesmo natural de São Gonçalo do Pará, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, não entra nessa conta. Afinal, no último pleito em que se elegeu deputada estadual, ela recebeu apenas 2.005 votos no Centro-Oeste. Sua base permanece concentrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A pré-campanha, no entanto, tende a ganhar ritmo a partir de fevereiro. Nesse momento, o diretório estadual deve se reunir para chancelar oficialmente as pré-candidaturas e ajustar o discurso regional.

PT convive com indefinições em esfera estadual

Enquanto isso, no plano majoritário, o PT ainda convive com indefinições. O Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) deve se reunir essa semana com a prefeita de Contagem, Marília Campos, cotada para disputar o Senado. Contudo, a demora em confirmar seu nome causa estranhamento entre aliados, que a veem como a opção mais competitiva no momento.

Marília também já apareceu como possível candidata ao governo de Minas. Entretanto, a ausência de definições abriu um vácuo no campo progressista. Entre nomes como o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e o da reitora da UFMG Sandra Goulart, voltou a circular, nesta semana, o do senador Rodrigo Pacheco. Para avançar, porém, ele precisa de um partido forte e de autonomia interna, algo improvável no PSD, que já abraçou o projeto do vice-governador Mateus Simões.

Nesse tabuleiro, surge o nome da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, como possível indicação do PT para compor uma chapa majoritária. Ainda assim, as especulações não escondem a realidade: a esquerda segue sem um nome consolidado. Enquanto o tempo passa, o espaço para a aproximação entre centro e direita cresce, e a expectativa por Pacheco na disputa diminui.

Um segundo turno no horizonte

Diante desse cenário, analistas já projetam um segundo turno. Com a direita fragmentada e sem definição clara à esquerda, o senador Cleitinho (Republicanos) aparece liderando pesquisas. Não por acaso, ele transita entre os campos, mantém discurso alinhado à direita e, simultaneamente, flerta com pautas caras à esquerda.

No plano municipal, em Divinópolis, administrada por Gleidson Azevedo (Novo), irmão gêmeo de Cleitinho, a política também sinaliza movimentos. O Hospital Regional virou ponto de encontro entre o prefeito e Gleide Andrade. Na semana passada, ambos dividiram a bancada da Rádio Minas em uma entrevista conjunta. Oficialmente, tratam a aproximação como relação republicana em defesa do interesse público — como a política deveria funcionar.

Ainda assim, em um ambiente de negociações intensas, muitos leem o gesto do prefeito como sinal de aproximação estratégica. Especialmente, diante da possibilidade de um segundo turno entre Cleitinho e outro nome da direita.

Como a política insiste em desafiar previsões, até o improvável pode se tornar provável. Portanto, resta aguardar para confirmar qual desenho, de fato, se consolidará.