O que está por trás do déficit de quase R$ 1 milhão no São João de Deus

Hospital detalha ao PORTAL GERAIS fatores que geram saldos negativos; pandemia impacta e busca por investimentos segue

No dia em que o Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) informou a representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da Câmara e do Conselho Municipal de Saúde Divinópolis sobre um déficit mensal de cerca de R$ 900 mil, o PORTAL GERAIS solicitou ao hospital um detalhamento do que está por trás desse problema. A resposta, fornecida nesta terça-feira (1º/6), narra os diversos fatores que levam ao resultado negativo. 

O valor mais preciso do déficit mensal, segundo o hospital, é de R$ 888 mil e tem sido causado pelas dívidas deixadas por gestões anteriores, havendo um gasto de cerca de R$ 2,1 milhões com estes compromissos.

A pandemia da Covid-19 também impacta no caixa da Fundação Geraldo Corrêa, que administra o hospital. Além do aumentos muito expressivos nos preços dos insumos hospitalares, houve grande aumento de consumo de determinados itens necessários para a preservação da saúde dos colaboradores ou no tratamento de pacientes com a doença.

“O aumento nos custos para aquisição de insumos não pode ser repassado às operadoras de planos de saúde e ao SUS (Sistema Único de Saúde), uma vez que os contratos vigentes não permitem reajustes antes do término da vigência do atual compromisso”.

Com o aumento nos casos de pacientes infectados pelo novo coronavírus, também foi preciso abrir novas vagas de trabalho, para conseguir corresponder à demanda.

“Houve grande aumento do quadro de colaboradores, seja para o aumento de leitos, seja pelo afastamento de colaboradores de alto risco, aumentando, em muito, o pagamento de adicional de insalubridade aos profissionais que atendem aos pacientes infectados por Covid-19”.

Estratégias

Diante dessas novas realidades, a fundação afirma que depende de recursos extras disponibilizados pelo Ministério da Saúde para atendimento a pacientes com Covid-19. Porém, ainda segundo o hospital, esses recursos não têm sido suficientes para cobrir todos os gastos extras.

“Diante de todo este cenário, a instituição tem cumprido todos os seus compromissos. No entanto, pode ter valores comprometidos também em função do não repasse de emendas parlamentares, que representam 15% da necessidade de caixa, em razão das dívidas adquiridas pela instituição nas gestões anteriores”, pontua o CSSJD.

As emendas parlamentares se tornaram uma alternativa para complementar o caixa. No entanto, caso a população e empresários locais queiram contribuir, a instituição afirma que isso diminuirá a dependência do recebimento de emendas.

“O recebimento de emendas parlamentares são práticas comuns nos hospitais, principalmente em um momento no qual não há apoio de custeio do estado para os gastos que se extrapolaram. A receita não operacional, seja ela por emenda, doações da população ou do empresariado são muito importantes para a manutenção da instituição, que é um patrimônio de Divinópolis”, destaca.

Pelos planos da diretoria do CSSJD, essa mobilização em busca de recursos junto a todas as fontes possíveis continuará. A meta é fazer com que a instituição consiga, em 2026, acertar as principais e mais vultosas dívidas deixadas pelas gestões anteriores.

Lupa

Também em resposta ao PORTAL GERAIS, o MPMG informou que acompanha de perto a situação do CSSJD e que tem coletado informações sobre os fatos para avaliar eventuais medidas a serem adotadas.

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert, jornalista formado pela Uemg em Divinópolis e mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, em Portugal.

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