Conclusão física “inaugura” a fase mais sensível de todo o porocesso: transformar paredes em atendimento real, contínuo e resolutivo
A entrega das obras do Hospital Regional de Divinópolis marca, sem dúvida, um capítulo histórico para a saúde pública do Centro-Oeste de Minas. Contudo, a conclusão física da estrutura não representa o fim da jornada. Pelo contrário, inaugura a fase mais sensível de todo o processo: transformar paredes, equipamentos e promessas em atendimento real, contínuo e resolutivo para a população.
Durante anos, a região conviveu com um vazio assistencial que se traduz em filas, transferências intermináveis e famílias que acompanham, impotentes, o agravamento de quadros que poderiam ser tratados mais perto de casa. Agora, com o prédio pronto, surge uma nova pergunta que precisa de respostas objetivas: o que vem depois da entrega da obra do Hospital Regional de Divinópolis?
Primeiramente, ainda falta concluir um passo essencial: a assinatura pendente para a transferência definitiva do imóvel do Estado para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Sem esse trâmite cartorial, o processo de gestão pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) não se completa, o que impacta diretamente a contratação de profissionais e a ampliação das compras de equipamentos.
Equipagem, contratações, administrativo
Além disso, embora a Ebserh já tenha iniciado a aquisição de parte dos insumos, o hospital ainda precisa passar por um processo robusto de aparelhamento e estruturação de equipes. Médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, administrativos e demais profissionais formam a espinha dorsal de qualquer unidade de saúde. Sem gente, não há hospital. Portanto, o cronograma precisa caminhar com transparência e celeridade.
Conforme anunciado, o funcionamento será escalonado. Ou seja, o hospital começará com atendimento clínico e, gradualmente, avançará até atingir a média e alta complexidade. Na prática, isso significa que os primeiros pacientes só devem ser atendidos dentro de, no mínimo, cinco a seis meses. Já o funcionamento pleno, com todas as especialidades e serviços em operação, poderá levar até dois anos.
Enquanto isso, a população continua dependendo de uma rede sobrecarregada. Por isso, cada etapa atrasada representa mais tempo de espera, mais deslocamentos e mais sofrimento evitável.
Potencial inegável
Ainda assim, o potencial do Hospital Regional de Divinópolis é inegável. A unidade contará com 202 leitos, sendo 30 de UTI adulto, dez de UTI pediátrica e dez de UTI neonatal. Além disso, oferecerá maternidade com quartos PPP, pronto atendimento, bloco cirúrgico com oito salas, ambulatório, setor de diagnóstico e terapia, além de exames como tomografia, ressonância magnética, mamografia, ultrassonografia e raio-x.
Do mesmo modo, o hospital deverá atuar em áreas estratégicas como cirurgia geral e pediátrica, ortopedia, cardiologia, neurologia, urologia, clínica médica, pediatria, oftalmologia, saúde mental, além de atendimentos oncológicos, vasculares, hemodinâmica e obstetrícia de alta complexidade.
Ou seja, trata-se de uma estrutura capaz de mudar o patamar da assistência regional.
O Governo de Minas cumpriu a parte que lhe cabia ao concluir uma obra paralisada desde 2016, investir cerca de R$ 134 milhões e entregar um prédio pronto para operar. Agora, a expectativa se desloca para Brasília. A esperança de 1,2 milhão de pessoas da macrorregião Oeste está depositada nas mãos do presidente Lula (PT) para que o governo federal assegure, por meio do Ministério da Educação e da Ebserh, os recursos, os contratos e a agilidade necessários.
Assim como o governador Romeu Zema (Novo) cumpriu o compromisso de finalizar a obra, a sociedade espera que o governo federal cumpra a promessa de colocar o hospital em funcionamento.
Mais do que uma disputa política, trata-se de uma urgência humanitária. Cada mês de atraso representa vidas que continuam dependendo da sorte, da vaga improvável e da transferência de última hora.
Portanto, o editorial de hoje não celebra apenas um prédio entregue. Ele cobra prazos, transparência e responsabilidade. A população já esperou tempo demais. Agora, chegou a hora de transformar concreto em cuidado, discurso em atendimento e promessa em porta aberta.


