Operação 9º Círculo mira grupo suspeito de fraudes bancárias de R$ 22 milhões em Minas

Minas Gerais
Por -11/06/2026, às 14H03junho 11th, 2026
Gustavo Amaral/MPMG

MPMG e PMMG cumprem mandados de prisão e de busca contra organização criminosa que adulterava cartões e abria contas em nome de idosos

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), deflagrou nesta quinta-feira (11) a Operação 9º Círculo. A ação, realizada com apoio do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (GCOC) da Polícia Militar, busca desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com ramificações em Sete Lagoas e em outros estados.

Ao todo, a Justiça expediu 14 mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 11 pessoas foram presas. Além disso, a 5ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 10 milhões, bem como o sequestro de veículos ligados aos investigados.

A operação integra a ação nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne Ministérios Públicos de todo o país no enfrentamento às organizações criminosas.

Grupo atuava desde 2023

Segundo as investigações, a organização criminosa atuava, pelo menos, desde 2023. Além disso, mantinha uma estrutura dividida por núcleos e funções específicas.

Uma das principais modalidades utilizadas pelo grupo era conhecida como “cesárea”. Nesse esquema, entregadores responsáveis pela distribuição dos cartões bancários repassavam as encomendas aos criminosos antes da entrega aos clientes.

Em seguida, os integrantes retiravam os chips originais dos cartões, instalavam chips adulterados e fechavam novamente os envelopes. Assim, os destinatários recebiam os cartões sem perceber qualquer alteração.

Posteriormente, os criminosos utilizavam dados das vítimas, obtidos por meio de engenharia social e fornecimento de senhas, para realizar transações fraudulentas em maquininhas registradas em nome de terceiros.

Idosos e aposentados eram alvos frequentes

Paralelamente, a quadrilha mantinha outra frente de atuação. Os investigados abriam contas bancárias com documentos falsificados em nome de terceiros, principalmente idosos e aposentados.

A partir disso, contratavam empréstimos irregulares e obtinham cartões de crédito. De acordo com o Ministério Público, um funcionário bancário participava do esquema. Ele utilizava o cargo para facilitar a abertura das contas e remover bloqueios de segurança.

Mais de 1,2 mil cartões adulterados

Durante as investigações, as instituições financeiras identificaram 1.289 cartões adulterados ligados a entregas feitas por empresas de logística contratadas pelos bancos.

Além disso, a quebra do sigilo bancário revelou uma movimentação superior a R$ 21,9 milhões entre os investigados. Ao todo, os valores circularam em mais de 87 mil transações financeiras.

Nome da operação faz referência à obra de Dante

O nome Operação 9º Círculo faz referência ao último círculo do Inferno descrito por Dante Alighieri, reservado aos traidores e fraudadores.

Segundo o MPMG, a escolha simboliza a conduta atribuída ao grupo, que se aproveitava da confiança de consumidores e instituições financeiras para aplicar os golpes.

Enquanto isso, as investigações continuam. O objetivo é identificar todos os integrantes da organização e recuperar os ativos desviados.

O Ministério Público ressaltou, por fim, que as medidas possuem caráter cautelar e que todos os investigados têm garantido o direito à presunção de inocência.