Operação Ghost Machine: MP denuncia ex-secretário de Divinópolis e mais 6 por corrupção

Política
Por -29/04/2026, às 17H52abril 30th, 2026
fachada semsur divinópolis
Foto: Google Street View

Investigação aponta fraudes de R$ 4,1 milhões na Semsur; esquema envolvia propinas, medições falsas de “máquinas fantasmas” e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia formal contra sete pessoas investigadas por um esquema de corrupção, fraudes em contratos e lavagem de dinheiro na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur) de Divinópolis. A denúncia é fruto da Operação Ghost Machine, conduzida pelo Gaeco Regional de Divinópolis em conjunto com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O grupo é acusado de desviar recursos por meio de irregularidades na locação de máquinas para o município.

Como funcionava o esquema de “Máquinas Fantasmas”

Conforme o MPMG, as investigações detalham um sistema sofisticado de desvio de dinheiro público que operou entre 2022 e 2025:

  • Propina: Agentes públicos solicitavam valores ilícitos para garantir contratos, assim como agilizar pagamentos a empresas.
  • Fraude em Medições: Para compensar a propina paga pelos empresários, o grupo adulterava boletins diários, registrando horas de trabalho de máquinas nunca realizadas.
  • Validação: Servidores públicos validavam os documentos falsos, assim gerando pagamentos por serviços inexistentes.

Os Alvos da Denúncia

  • Ex-Secretário Municipal Gustavo Mendes: Denunciado por cerca de 200 atos de corrupção passiva. O MPMG aponta que ele negociou aproximadamente R$ 3,45 milhões em vantagens indevidas. Ele também responde por coação no curso do processo após ameaçar de morte uma testemunha.
  • Servidor Efetivo: Apontado como auxiliar direto no esquema, responderá por cerca de 30 atos de corrupção.
  • Empresários: Dois sócios de empresas contratadas acusados de pagar propinas em troca de benefícios contratuais.
  • Familiares: Três parentes de um dos agentes públicos foram denunciados por atuar na ocultação e movimentação financeira (lavagem de dinheiro).

Lavagem de Dinheiro e Prejuízo ao Erário

O MPMG identificou a movimentação de R$ 2,5 milhões em contas de terceiros e empresas para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Diante das provas colhidas, o Ministério Público solicitou, então, à Justiça:

  • A condenação dos réus ao pagamento de R$ 4.101.748,80 como reparação mínima pelos danos causados aos cofres de Divinópolis.
  • Manutenção das prisões (quatro dos denunciados já estão presos).

Além do ex-secretário, estão presos: o servidor Thiago Henrique e os empresários Wendell Barbalho e Caio Freitas.

Conforme o MP, a denúncia agora aguarda o recebimento pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Divinópolis para que se inicie a ação penal.