Operação prende ex-secretário e empresários por esquema milionário em Divinópolis

Minas Gerais
Por -12/03/2026, às 14H49março 13th, 2026
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Operação Ghost Machine prende quatro pessoas em Divinópolis, entre elas o ex-secretário Gustavo Mendes. Investigação do Ministério Público apura esquema de corrupção que pode envolver mais de R$ 37 milhões em contratos públicos.

Operação prende ex-secretário e empresários em investigação de corrupção


A Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) prendeu quatro pessoas na manhã desta quinta-feira (12/3) durante a Operação Ghost Machine, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Entre os presos estão dois empresários, um servidor efetivo da prefeitura e o ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos, Gustavo Mendes.

A investigação apura um esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro dentro da Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur). Os contratos sob suspeita ultrapassam R$ 37 milhões, enquanto o pagamento de propinas pode passar de R$ 2 milhões, segundo o Ministério Público.

Além disso, as apurações indicam que pelo menos 14 pessoas podem estar envolvidas no esquema, o que amplia o alcance da investigação.

Ex-secretário preso foi exonerado antes das investigações

Entre os detidos está Gustavo Mendes, que ocupou o cargo de secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos. No entanto, ele também é servidor efetivo do município e atualmente está afastado por problemas de saúde.

Ele deixou o cargo de secretário em fevereiro de 2025, portanto antes do início das investigações, que começaram no mês seguinte.

As apurações tiveram origem em denúncias apresentadas pelo próprio prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo.

Ministério Público quer afastamento de servidor preso

Durante coletiva de imprensa, o Ministério Público informou que pretende se reunir ainda hoje com o prefeito e com o atual secretário da pasta. O objetivo, segundo os promotores, consiste em solicitar o afastamento do servidor efetivo preso na operação.

Além disso, a investigação aponta que o grupo teria usado a estrutura administrativa da secretaria para beneficiar interesses particulares. Dessa forma, os investigados direcionariam editais e contratos públicos.

Esquema envolvia contratos e medições fictícias

De acordo com o Ministério Público, o esquema utilizava contratos de locação de máquinas e serviços urbanos. Entretanto, os investigadores identificaram medições fictícias de serviços, que serviam como base para liberar pagamentos e, posteriormente, desviar recursos públicos.

Por isso, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e ativos financeiros dos investigados, incluindo contas bancárias, veículos, imóveis, investimentos em bolsa de valores e até criptoativos.

Operação mobilizou grande força policial

A Operação Ghost Machine mobilizou diversas instituições de segurança e investigação. Participaram da ação:
• o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco);
• a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Divinópolis;
• a Polícia Civil de Minas Gerais;
• a Polícia Militar de Minas Gerais;
• e a Polícia Penal de Minas Gerais.

Ao todo, a operação contou com dois promotores de Justiça, sete agentes do Gaeco, 30 policiais militares, 14 policiais civis e 16 viaturas.

Além disso, as equipes cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em Divinópolis. As diligências buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e bens possivelmente ligados ao esquema.