Operação Rejeito: Vice-prefeito de Itaúna aparece como “articulador de corrupção”

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Por -17/09/2025, às 21H40setembro 18th, 2025
Vice prefeito de Itaúna
Foto: Reprodução Redes Sociais

Hidelbrando Canabrava, também secretário de Urbanismo e Meio Ambiente, é citado no esquema de mineração ilegal

Entre os investigados na Operação Rejeito, desencadeada nesta quarta-feira (17/9) pela Polícia Federal está Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), vice-prefeito de Itaúna e atual secretário de Urbanismo e Meio Ambiente. A polícia deflagrou a ação em parceria com a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

Ela mira uma organização criminosa que teria causado danos ambientais graves e movimentado pelo menos R$ 1,5 bilhão em fraudes no setor minerário de Minas Gerais.

Segundo a decisão judicial que embasa a operação, Hidelbrando aparece como sócio e operador em negócios suspeitos ligados à exploração irregular de minério.

Ligações empresariais suspeitas

As apurações revelam que Hidelbrando se associou a outros investigados em diferentes empreendimentos. O relatório da Polícia Federal aponta:

“A HCRN Assessoria e Consultoria Ambiental Ltda., constituída em 7/4/2021, é de propriedade de Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, sócio de Gilberto Horta na empresa Ursa Maior e da GMAIS Ambiental nas empresas BRAVA e Verdecál.” 

Esse vínculo empresarial levanta a suspeita de que ele teria participado de esquemas para obter licenças ambientais fraudulentas e favorecer grupos mineradores investigados.

O lobista Gilberto Horta acabou preso durante a operação.

Papel dentro da organização

De acordo com a decisão, Hidelbrando desempenhava funções consideradas operacionais, articulando contratos e servindo como elo entre empresários e gestores públicos. O documento descreve que ele participou de reuniões estratégicas e que sua empresa foi inserida em contratos com potencial econômico superior a R$ 3 bilhões.

Além disso, a PF indica que ele atuava em conluio com outros membros da organização, que buscavam neutralizar fiscalizações estatais e influenciar servidores da Agência Nacional de Mineração e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Operação bilionária

A Operação Rejeito cumpriu mandados de busca e apreensão e 15 de prisão preventiva, além do bloqueio judicial de R$ 1,5 bilhão em ativos. Dois estão foragidos.

Conforme a Polícia Federal, a quadrilha se beneficiava da corrupção de servidores para liberar licenças em áreas de risco, incluindo barragens com alto potencial de rompimento.

As investigações estimam que o grupo já tenha movimentado R$ 1,5 bilhão e que projetos vinculados à organização possam superar R$ 18 bilhões.

A reportagem do PORTAL GERAIS tentou contato com a assessoria da prefeitura de Itaúna. Ela informou se tratar de questão direta do vice-prefeito e que, por isso, não se manifestará. Orientou a procurá-lo diretamente ou a assessoria.

Entramos em contato com a assessoria que ficou de retornar, porém não obtivemos retorno até a publicação desta matéria.

Também tentamos contato direto com Hidelbrando por meio da ligação e WhatsApp. Contudo, sem retorno.