Motoristas reivindicam melhores salários e benefícios, enquanto população enfrenta dificuldades para chegar ao trabalho; Comércio sente os impactos
A greve dos motoristas do transporte público coletivo em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas, iniciada na madrugada desta segunda-feira (10/3), afetou milhares de moradores. Com a paralisação dos ônibus os usuários tiveram que buscar alternativas.
Os trabalhadores do setor reivindicam reajuste salarial, melhorias no vale-alimentação e condições dignas de trabalho. Por outro lado, a greve pegou os usuários do transporte público de surpresa e gerou transtornos. Impacto também no comércio.
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Usuários enfrentam dificuldades com a paralisação dos ônibus
Com os ônibus parados, muitos trabalhadores buscaram alternativas, como caronas, aplicativos de transporte e até mesmo percursos a pé.
No entanto, as tarifas dos transportes por aplicativo dispararam devido à alta demanda, e a espera por um veículo ultrapassou 40 minutos em alguns pontos da cidade.
A auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida da Silva, 53 anos, moradora do bairro São José, relatou o sufoco que enfrentou para chegar ao trabalho:
“Saí de casa às 5h30 e fui para o ponto de ônibus. Quando vi que não tinha nenhum circulando, tentei um Uber, mas o preço estava absurdo e mesmo assim estava demorando muito. Acabei indo a pé até o Centro.”
Já o vendedor João Carlos Oliveira, que trabalha em um shopping popular na região central, contou que para chegar ao serviço pegou carona com outros colegas
“Sem ônibus, tive que pedir carona com um amigo. Ajudei na gasolina e não tive escolha. Agora é torcer para que resolva tudo.”
Thais Rodrigues Silva de Almeida Ramos, de 29 anos, moradora do bairro Vila Romana, foi uma das afetadas pela paralisação. Ela trabalha em uma empresa de fundição no Centro Industrial e não conseguiu ir ao trabalho.
“Eu entro às 7h da manhã e preciso pegar dois ônibus para chegar lá. Hoje, sem transporte, fiquei sem saída. Não consegui carona, o Uber estava muito caro estava dando em média R$65 a R$70, praticamente meu dia de trabalho. Acabei faltando. Agora, fico preocupada se vão descontar do meu salário ou não,” relatou.
Sem acordo
A paralisação havia sido suspensa temporariamente após reunião realizada na sexta-feira (7/3) entre o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), representantes do consórcio TransOeste e do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Divinópolis (Sinttrodiv). Na ocasião, apresentaram uma proposta de reajuste salarial de 15%, o que representaria um ganho real de quase 10%, já que o índice de inflação acumulado é de 4,77%.
Contudo, ainda na madrugada desta segunda-feira, a categoria decidiu manter a greve anunciada inicialmente na última semana de fevereiro. A decisão surpreendeu a Prefeitura de Divinópolis, que, por meio da Secretaria de Trânsito, Transporte e Segurança Pública (Settrans), emitiu uma nota oficial sobre a situação.
Presidente do Sinttrodiv explica a paralisação:
Trânsito Caótico e Reflexos no Comércio
A falta de transporte coletivo levou muitas pessoas a usarem seus próprios veículos, o que causou congestionamento em vias principais, como a Avenida Primeiro de Junho e a Rua Goiás.
Além disso, comerciantes notaram uma queda no movimento logo nas primeiras horas do dia.
Segundo a empresária Terezinha Silva, dona de uma lanchonete no Centro, o número de clientes diminuiu drasticamente:
“Segunda-feira sempre tem bastante movimento no café da manhã, mas hoje foi diferente. Muita gente que vem de ônibus simplesmente não apareceu.”
Negociações
A Prefeitura de Divinópolis divulgou uma nota criticando a greve e alegando que a paralisação contraria o acordo firmado na última sexta-feira (07/3) com sindicato dos motoristas.
Segundo a nota da Prefeitura, durante a reunião, ficou definido que não haveria paralisação até que o SINTTRODIV fizesse nova assembleia com a categoria para discutir a proposta.
De acordo com Erivaldo Adami, presidente do SINTTRODIV a categoria exige que seja pago o piso salarial no valor de R$ 4 mil.
A proposta apresenta na última sexta, foi de R$ 2.550 para R$2.805. E um reajuste do ticket de alimentação de R$500 para R$700, totalizando 15%
Prefeitura de Divinópolis
A Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria de Trânsito, Transportes e Segurança Pública (Settrans), afirmou ter sido surpreendida pela paralisação e criticou a atitude do sindicato.
“Fomos surpreendidos, às 4h desta segunda-feira, pelo início da paralisação do transporte coletivo.”
A administração municipal reconheceu o direito dos motoristas de reivindicar melhorias, mas destacou que havia um acordo para evitar a paralisação neste momento.
“Na reunião realizada na última sexta-feira, no Gabinete do Prefeito, a Diretoria do sindicato dos motoristas, após receber uma nova proposta do consórcio, afirmou que não haveria paralisação na data de hoje (10/3) e que seria realizada nova assembleia para apresentar a proposta aos trabalhadores, tendo inclusive gravado um vídeo anunciando isso para toda população.”
A prefeitura ainda destacou que o consórcio ofereceu um reajuste de 15%, garantindo um ganho real de quase 10%, já que a inflação acumulada foi de 4,77%.
“O próprio sindicato reconheceu a proposta como positiva e afirmou que a defenderia em assembleia, sem qualquer indicativo de paralisação no momento.”
Por fim, o município reforçou o compromisso em solucionar o impasse e garantir o funcionamento do transporte.
“Reforçamos nosso compromisso em buscar soluções que garantam tanto a valorização dos trabalhadores quanto a continuidade do serviço essencial à cidade.”
Ação judicial
O assessor especial do gabinete do prefeito Fernando Henrique também disse que o município acionou a justiça por considerar a greve ilegal. Assista:


