PCMG prende comerciante suspeita de fraude com notas promissórias em Carmo do Cajuru

Carmo do CajuruGerais
Por -28/07/2026, às 14H35julho 28th, 2026
PCMG

Mulher de 52 anos é investigada por estelionato, falsificação, agiotagem e lavagem de dinheiro; Justiça bloqueou até R$ 100 mil.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu uma comerciante, de 52 anos, suspeita de estelionato, falsificação de documento particular, agiotagem e lavagem de dinheiro, em Carmo do Cajuru. Dona de uma loja de vestuário e artigos de cama, mesa e banho, ela teria usado notas promissórias preenchidas posteriormente para cobrar, na Justiça, dívidas que não existiam. Além da prisão, a Justiça bloqueou bens e valores da investigada até o limite de R$ 100 mil.

Durante a operação, policiais civis cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à suspeita. As equipes recolheram documentos e outros materiais que podem fortalecer as investigações.

Investigação aponta esquema de fraude

Segundo a Polícia Civil, a comerciante aproveitava a relação de confiança com os clientes durante vendas parceladas. Ela pedia que os consumidores assinassem notas promissórias em branco. Enquanto isso, registrava os valores das compras em fichas separadas, que ficavam sob seu controle.

Mesmo depois da quitação das compras, muitas vezes pagas em dinheiro, a comerciante não devolvia as promissórias. Em vez disso, guardava os documentos na loja ou em casa.

As investigações indicam que, mais tarde, ela preenchia as promissórias com valores e datas diferentes das negociações originais. Depois, usava esses títulos para entrar com ações de cobrança contra clientes que já haviam pago a dívida ou que nem sequer fizeram compras nas datas registradas.

Os investigadores também encontraram indícios de adulteração dos documentos. Em um dos casos, o sobrenome da vítima apareceu escrito de forma incorreta. Além disso, a perícia identificou diferenças de caligrafia e marcas de grampos que sugerem manipulação posterior.

O delegado Weslley Castro afirmou que o esquema atingia principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre as vítimas estão consumidores com baixa escolaridade e até uma pessoa que declarou não saber ler nem escrever.

“As vítimas, em regra, somente tomavam conhecimento das supostas dívidas quando eram citadas judicialmente, sem qualquer cobrança extrajudicial anterior, circunstância que reforça os indícios da fraude”, ressaltou.

Polícia apreende dezenas de documentos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam dezenas de notas promissórias. Muitas estavam em branco e continham apenas a assinatura dos clientes. As equipes também localizaram fichas cadastrais, envelopes com títulos arquivados e um caderno usado para agendar renegociações de dívidas.

Além disso, os policiais encontraram cheques de terceiros, alguns assinados e sem preenchimento, documentos intitulados “Termo de Confissão de Dívida”, um celular e outros papéis que reforçam os indícios de agiotagem.

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) apoiou a operação. Além da prisão, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 100 mil em bens e valores da suspeita e da empresa. O Judiciário também restringiu imóveis ligados à investigada para garantir eventual ressarcimento às vítimas.

A Polícia Civil continua as investigações. A corporação orienta que pessoas que receberam cobranças semelhantes nos últimos seis meses procurem a Delegacia de Polícia Civil em Carmo do Cajuru para registrar ocorrência e prestar informações. O sigilo das apurações será preservado.