Foragido, Certidão de Movimentos Migratórios aponta que o vice-prefeito de Itaúna Hidelbrando Canabrava Neto não retornou ao país após a operação Rejeito
Investigado no âmbito da operação Rejeito, a Polícia Federal confirmou, nesta terça-feira (13/1), ao PORTAL GERAIS, que solicitou à Justiça Federal a inclusão do vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), na lista de procurados da Interpol. Conforme nota oficial da corporação, o mandado de prisão permanece válido, o que mantém a possibilidade de prisão do investigado em território estrangeiro. Ele está foragido desde setembro do ano passado.
“O mandado de prisão do senhor Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto continua válido, e houve pedido à Justiça Federal de inclusão do investigado na lista de procurados da Interpol. Mantém-se assim a possibilidade da prisão do procurado em país estrangeiro”, informou a PF.
Vice-prefeito de Itaúna foragido
Conforme revelado em primeira mão pelo PORTAL GERAIS, uma Certidão de Movimentos Migratórios obtida pela comissão processante da Câmara Municipal de Itaúna não registra o retorno de Hidelbrando ao Brasil. O documento integra o processo que apura denúncia de abandono de cargo, o qual poderia resultar na cassação do mandato, mas que se encontra suspenso por decisão judicial.
De acordo com a certidão, Hidelbrando deixou o país com destino aos Estados Unidos na primeira quinzena de setembro, poucos dias antes da deflagração da Operação Rejeito, em 17 de setembro. Desde então, não voltou a aparecer na prefeitura nem há registro oficial de retorno ao país.
O presidente da comissão processante, vereador Gustavo Barbosa (Republicanos), explicou que o documento informa data e horário da saída. Contudo, sem qualquer apontamento de reentrada em território nacional. A comissão teve acesso à certidão em 15 de dezembro, antes da concessão da liminar que interrompeu os trabalhos.
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Processo suspenso por decisão judicial
O processo que poderia levar a cassação do vice-prefeito acabou interrompida por decisão do juiz Alex Matoso Silva, da 2ª Vara Cível. Ele concedeu liminar em mandado de segurança a Hidelbrando. A decisão suspendeu imediatamente a Comissão Processante nº 002/2025, instaurada pela Câmara com base na denúncia de infração político-administrativa.
Ao fundamentar a liminar, o magistrado afirmou que “não se mostra juridicamente admissível a instauração de processo político-administrativo com base no Decreto-Lei nº 201/1967 contra o vice-prefeito”, sob pena de violação ao princípio da legalidade estrita e ao devido processo legal.
A câmara aceitou a denúncia por maioria de votos em outubro e citava, além do suposto abandono de cargo, desdobramentos da Operação Rejeito.
Operação Rejeito
Hidelbrando é um dos alvos da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal junto com a Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal. A investigação apura um esquema de corrupção e fraudes em licenciamentos ambientais ligados ao setor de mineração, com movimentação estimada em R$ 1,5 bilhão.
Na época da operação, a Prefeitura informou que o vice-prefeito estaria nos Estados Unidos para participar de evento relacionado ao meio ambiente, sem caráter institucional. A última postagem de Hidelbrando nas redes sociais ocorreu dentro de um avião, um dia antes da deflagração da operação. Desde então, seu paradeiro permanece desconhecido.
Medidas adotadas pela Prefeitura
A Prefeitura de Itaúna informou que já adotou todas as medidas administrativas possíveis. Inicialmente, exonerou Hidelbrando do cargo de secretário municipal de Meio Ambiente, função que ele acumulava com a vice-prefeitura.
Em 17 de outubro, o Executivo confirmou a suspensão do pagamento do subsídio mensal do vice-prefeito, em razão da ausência por mais de 15 dias sem justificativa oficial apresentada à administração municipal.


