Planos de saúde atenderão pacientes do SUS a partir de agosto em todo o Brasil

Minas Gerais
Por -29/07/2025, às 09H01julho 29th, 2025
SUS
Josué Damacena/Fiocruz/Divulgação

Governo federal pretende converter R$ 750 milhões em dívidas das operadoras em consultas, exames e cirurgias especializadas

A partir de agosto, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser atendidos por operadoras de planos de saúde em todo o país. A medida faz parte do programa Agora Tem Especialistas e tem como meta inicial converter R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento ao SUS em atendimentos especializados, como consultas, exames e cirurgias.

As operadoras que possuem débitos com o SUS poderão, de forma voluntária, aderir ao programa e transformar suas dívidas em serviços nas áreas de maior demanda, como oncologia, cardiologia, ginecologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

A iniciativa foi anunciada nesta segunda-feira (29) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A proposta busca reduzir filas e ampliar o acesso à atenção especializada, mobilizando a estrutura privada para complementar os atendimentos da rede pública.

“É a primeira vez que transformamos dívidas com o SUS em ações concretas de atendimento. O paciente será atendido gratuitamente na rede privada, conforme a necessidade identificada pelos estados e municípios”, afirmou o ministro da Saúde.

Como funcionará

Para participar, as operadoras devem aderir a um edital e comprovar capacidade técnica e operacional. Também devem apresentar uma matriz de serviços conforme as demandas do SUS. As empresas participantes serão avaliadas quanto à regularidade fiscal e terão vantagens como uso da capacidade ociosa dos hospitais e redução de processos judiciais.

Após a aprovação, será montado um “cardápio” de ofertas de atendimentos especializados, que ficará disponível para estados e municípios utilizarem conforme suas necessidades. A prestação dos serviços será regulada por critérios clínicos e de prioridade, com monitoramento técnico do Ministério da Saúde.

Uma das novidades é a adoção de combos de cuidado pacotes que incluem consulta, exames e tratamento, com remuneração apenas após a conclusão de todo o ciclo. Isso busca garantir agilidade e resolutividade no atendimento.

Critérios de adesão

As operadoras precisam garantir, no mínimo, 100 mil atendimentos mensais para participar. Planos menores, com pelo menos 50 mil atendimentos/mês, poderão aderir de forma excepcional, desde que atuem em áreas com carência de serviços.

A distribuição dos atendimentos também seguirá critérios regionais, priorizando as regiões com maior carência de serviços especializados.

Segundo o advogado-geral da União, Jorge Messias, o programa representa uma oportunidade de elevar a qualidade da saúde pública. “É uma resposta concreta a um desafio real: ampliar o acesso à atenção especializada no SUS com eficiência e justiça”, destacou.

Especialidades incluídas

  • Oncologia
  • Oftalmologia
  • Ortopedia
  • Otorrinolaringologia
  • Cardiologia
  • Ginecologia

O atendimento será gratuito para o paciente e os serviços prestados pelas operadoras geram um Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR), que permitirá o abatimento da dívida com o SUS.