Juares Marques dos Santos tem quatro mandados de prisão e já foi condenado por tentativa de feminicídio que deixou ex paraplégica; Polícia Civil investiga familiares e amigos que teriam ajudado na fuga
A prisão de Juares Marques dos Santos, de 51 anos, conhecido como “Lázaro de Ermida”, abre agora uma nova frente de investigação no caso. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apura a participação de familiares, amigos e outras pessoas que teriam ajudado o homem a permanecer escondido por quase um ano. Segundo a corporação, há suspeita de uma rede de apoio que fornecia, entre outros itens, alimentos ao foragido enquanto ele permanecia em áreas de mata.
Juares acabou preso na manhã desta quinta-feira (13/08), na zona rural de Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas. Ele estava foragido desde agosto de 2025, quando ocorreu o feminicídio da companheira, de 39 anos, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis. A mulher morreu posteriormente, em setembro, em decorrência dos ferimentos.
Durante coletiva realizada em Divinópolis após a prisão, as forças de segurança detalharam a operação, os crimes atribuídos ao investigado e as dificuldades enfrentadas ao longo das buscas. Conforme a polícia, Juares tinha quatro mandados de prisão em aberto. Entre eles, estão uma ordem relacionada a uma condenação anterior por feminicídio tentado que deixou a ex-companheira paraplégica, a prisão preventiva pelo feminicídio de 2025 e mandado relacionado a roubo de veículo cometido durante o período em que permaneceu foragido.
Família e amigos entram na mira da Polícia Civil
Com Juares preso, a Polícia Civil pretende avançar na apuração sobre quem teria contribuído para mantê-lo escondido. Durante as diligências, os investigadores encontraram indícios de que o foragido recebia auxílio enquanto permanecia na mata.
De acordo com a coletiva, policiais encontraram restos de alimentos e embalagens nos locais pelos quais Juares havia passado. Além disso, a investigação reuniu informações sobre pessoas que teriam levado comida de motocicleta até áreas onde ele se escondia.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsApp“É claro que ninguém fica tanto tempo foragido sem ter uma rede de apoio”, afirmou a Polícia Civil durante a coletiva.
Conforme os investigadores, além de uma rede familiar já identificada, existem suspeitas sobre apoio externo. A polícia afirma que essa ajuda dificultou as tentativas de captura ao longo dos últimos meses.
A investigação envolve familiares, amigos e até moradores da comunidade. Entretanto, a Polícia Civil não divulgou os nomes dos suspeitos porque as diligências continuam.
“Ele teve o apoio. Principalmente o apoio familiar. A gente suspeita de algumas pessoas que contribuíram com ele”, afirmou a polícia. Na sequência, a corporação explicou que essas pessoas serão investigadas por possível favorecimento pessoal. “Inclusive familiares. Familiares e amigos.”
Como “Lázaro de Ermida” acabou preso
A captura ocorreu depois que as forças de segurança receberam, na quarta-feira (12/08), uma nova informação sobre o paradeiro de Juares. Embora várias denúncias anteriores não tenham se confirmado, os policiais decidiram verificar novamente a pista.
Então, por volta das 5h desta quinta-feira, as equipes iniciaram outra operação. Com auxílio de drone e trabalho de inteligência, os policiais identificaram uma pessoa com características semelhantes às Juares caminhando pela linha férrea.
Para evitar uma possível fuga ou reação, policiais descaracterizados se posicionaram no trajeto e se passaram por trabalhadores rurais. Juares se aproximou normalmente e chegou a cumprimentá-los antes da abordagem.
Dessa forma, os agentes conseguiram surpreendê-lo. Segundo a polícia, ele não reagiu à prisão.
A estratégia ganhou ainda mais importância porque, conforme relatado na coletiva, havia informações de que Juares dizia que não seria capturado com vida. A polícia destacou, porém, que o planejamento permitiu realizar a prisão preservando a integridade física do foragido.
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Linha férrea ajudava Juares a se deslocar
A Polícia Civil também revelou detalhes sobre a rotina do homem durante o período de fuga. Conforme as investigações, Juares tinha experiência em permanecer em áreas de mata e utilizava a linha férrea como referência e também como rota para se deslocar entre diferentes localidades.
No momento da prisão, por exemplo, ele caminhava pela linha férrea em Santo Antônio do Monte, seguindo em direção à região de Lagoa da Prata.
Além disso, durante as buscas, os policiais chegaram diversas vezes a locais onde ele havia passado pouco antes. As equipes encontraram cabanas improvisadas, restos de fogueira e sinais de preparação de alimentos.
Em algumas ocasiões, conforme relatado na coletiva, Juares improvisava estruturas elevadas nas árvores para passar a noite. Por isso, a combinação entre conhecimento da mata, deslocamentos constantes e apoio de terceiros dificultou a localização.

Buscas passaram por diferentes cidades de Minas
Durante quase um ano, as forças de segurança verificaram denúncias em diferentes municípios. Conforme a coletiva, houve diligências em cidades como Pains, Lagoa da Prata e Santo Antônio do Monte, além de outras localidades da região.
As equipes também utilizaram drones, câmeras térmicas e realizaram buscas a cavalo. Um dia antes da prisão, por exemplo, policiais percorreram cerca de 30 quilômetros a cavalo durante uma das diligências.
De acordo com a polícia, muitas denúncias não se confirmaram. Além disso, crimes registrados em comunidades rurais chegaram a ser atribuídos a Juares sem que houvesse comprovação de autoria.
Agora, com a prisão, a Polícia Civil também pretende esclarecer quais ocorrências registradas durante a fuga realmente tiveram participação dele.
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Quatro mandados de prisão contra Juares
A Polícia Civil informou que Juares acumulava quatro mandados de prisão em aberto. Um deles decorre de condenação, enquanto os demais envolvem prisões preventivas relacionadas a investigações e crimes atribuídos a ele.
Entre os casos está um roubo de veículo registrado em março deste ano. Conforme a polícia, durante a fuga Juares teria roubado um carro para se deslocar e chegou a conversar por telefone com a vítima sobre onde abandonaria o veículo.
Além disso, a polícia apura outros furtos cometidos durante o período em que ele permaneceu escondido. Há ainda uma investigação sobre uma possível importunação sexual contra uma mulher em uma comunidade rural. Caso a autoria seja confirmada, ele também poderá responder pelo crime.
Condenação por tentativa de feminicídio
O feminicídio ocorrido em Divinópolis não representa o primeiro episódio grave de violência contra uma mulher atribuído a Juares. Segundo a Polícia Civil, ele já havia cometido uma tentativa de feminicídio contra uma ex-companheira em 2006 em Arinos, no Noroeste de Minas.
Naquele caso, conforme informado durante a coletiva, Juares agrediu a mulher e desferiu um golpe de faca. A vítima sobreviveu, mas ficou paraplégica. A polícia informou ainda que ele chegou a ser preso em flagrante, soltou e posteriormente recebeu condenação pelo crime. Contudo, ele fugiu.
Para os investigadores, o histórico demonstra uma escalada da violência atribuída ao homem. Durante a fuga, além dos furtos, a polícia identificou episódios em que ele teria começado a abordar mulheres, circunstância que levou as equipes a intensificarem as buscas para evitar novos crimes.

Relembre o feminicídio em Divinópolis
Juares estava foragido desde agosto de 2025, quando agrediu a companheira, de 39 anos, na comunidade do Choro. Conforme a investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o casal mantinha um relacionamento havia cerca de 15 anos.
Na ocasião, segundo a investigação, ele atingiu a mulher violentamente na cabeça e no rosto com um banco de madeira de aproximadamente sete quilos. A violência teria sido tão intensa que uma parte do banco chegou a quebrar durante as agressões.
Uma das filhas do casal, de 13 anos, presenciou parte da ocorrência. A mãe pediu que a criança procurasse ajuda. Quando ela retornou, encontrou a situação já consumada, enquanto Juares havia fugido.
A vítima recebeu atendimento médico, mas morreu no dia 9 de setembro de 2025 em consequência dos ferimentos. Desde então, as forças de segurança mantiveram as buscas pelo suspeito.
Agora, além do andamento dos processos e investigações contra Juares, a Polícia Civil concentra parte das diligências na identificação das pessoas que teriam integrado a rede de apoio durante a fuga. Segundo a corporação, quem comprovadamente tiver ajudado o foragido poderá responder criminalmente por favorecimento pessoal.


