Polícia investiga familiares e amigos que teriam ajudado “Lázaro de Ermida” durante fuga

DivinópolisGerais
Por -13/08/2026, às 14H26agosto 14th, 2026
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Juares Marques dos Santos tem quatro mandados de prisão e já foi condenado por tentativa de feminicídio que deixou ex paraplégica; Polícia Civil investiga familiares e amigos que teriam ajudado na fuga

A prisão de Juares Marques dos Santos, de 51 anos, conhecido como “Lázaro de Ermida”, abre agora uma nova frente de investigação no caso. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apura a participação de familiares, amigos e outras pessoas que teriam ajudado o homem a permanecer escondido por quase um ano. Segundo a corporação, há suspeita de uma rede de apoio que fornecia, entre outros itens, alimentos ao foragido enquanto ele permanecia em áreas de mata.

Juares acabou preso na manhã desta quinta-feira (13/08), na zona rural de Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas. Ele estava foragido desde agosto de 2025, quando ocorreu o feminicídio da companheira, de 39 anos, na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis. A mulher morreu posteriormente, em setembro, em decorrência dos ferimentos.

Durante coletiva realizada em Divinópolis após a prisão, as forças de segurança detalharam a operação, os crimes atribuídos ao investigado e as dificuldades enfrentadas ao longo das buscas. Conforme a polícia, Juares tinha quatro mandados de prisão em aberto. Entre eles, estão uma ordem relacionada a uma condenação anterior por feminicídio tentado que deixou a ex-companheira paraplégica, a prisão preventiva pelo feminicídio de 2025 e mandado relacionado a roubo de veículo cometido durante o período em que permaneceu foragido.

Família e amigos entram na mira da Polícia Civil

Com Juares preso, a Polícia Civil pretende avançar na apuração sobre quem teria contribuído para mantê-lo escondido. Durante as diligências, os investigadores encontraram indícios de que o foragido recebia auxílio enquanto permanecia na mata.

De acordo com a coletiva, policiais encontraram restos de alimentos e embalagens nos locais pelos quais Juares havia passado. Além disso, a investigação reuniu informações sobre pessoas que teriam levado comida de motocicleta até áreas onde ele se escondia.

“É claro que ninguém fica tanto tempo foragido sem ter uma rede de apoio”, afirmou a Polícia Civil durante a coletiva.

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Conforme os investigadores, além de uma rede familiar já identificada, existem suspeitas sobre apoio externo. A polícia afirma que essa ajuda dificultou as tentativas de captura ao longo dos últimos meses.

A investigação envolve familiares, amigos e até moradores da comunidade. Entretanto, a Polícia Civil não divulgou os nomes dos suspeitos porque as diligências continuam.

“Ele teve o apoio. Principalmente o apoio familiar. A gente suspeita de algumas pessoas que contribuíram com ele”, afirmou a polícia. Na sequência, a corporação explicou que essas pessoas serão investigadas por possível favorecimento pessoal. “Inclusive familiares. Familiares e amigos.”

Como “Lázaro de Ermida” acabou preso

A captura ocorreu depois que as forças de segurança receberam, na quarta-feira (12/08), uma nova informação sobre o paradeiro de Juares. Embora várias denúncias anteriores não tenham se confirmado, os policiais decidiram verificar novamente a pista.

Então, por volta das 5h desta quinta-feira, as equipes iniciaram outra operação. Com auxílio de drone e trabalho de inteligência, os policiais identificaram uma pessoa com características semelhantes às Juares caminhando pela linha férrea.

Para evitar uma possível fuga ou reação, policiais descaracterizados se posicionaram no trajeto e se passaram por trabalhadores rurais. Juares se aproximou normalmente e chegou a cumprimentá-los antes da abordagem.

Dessa forma, os agentes conseguiram surpreendê-lo. Segundo a polícia, ele não reagiu à prisão.

A estratégia ganhou ainda mais importância porque, conforme relatado na coletiva, havia informações de que Juares dizia que não seria capturado com vida. A polícia destacou, porém, que o planejamento permitiu realizar a prisão preservando a integridade física do foragido.

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Linha férrea ajudava Juares a se deslocar

A Polícia Civil também revelou detalhes sobre a rotina do homem durante o período de fuga. Conforme as investigações, Juares tinha experiência em permanecer em áreas de mata e utilizava a linha férrea como referência e também como rota para se deslocar entre diferentes localidades.

No momento da prisão, por exemplo, ele caminhava pela linha férrea em Santo Antônio do Monte, seguindo em direção à região de Lagoa da Prata.

Além disso, durante as buscas, os policiais chegaram diversas vezes a locais onde ele havia passado pouco antes. As equipes encontraram cabanas improvisadas, restos de fogueira e sinais de preparação de alimentos.

Em algumas ocasiões, conforme relatado na coletiva, Juares improvisava estruturas elevadas nas árvores para passar a noite. Por isso, a combinação entre conhecimento da mata, deslocamentos constantes e apoio de terceiros dificultou a localização.

Buscas passaram por diferentes cidades de Minas

Durante quase um ano, as forças de segurança verificaram denúncias em diferentes municípios. Conforme a coletiva, houve diligências em cidades como Pains, Lagoa da Prata e Santo Antônio do Monte, além de outras localidades da região.

As equipes também utilizaram drones, câmeras térmicas e realizaram buscas a cavalo. Um dia antes da prisão, por exemplo, policiais percorreram cerca de 30 quilômetros a cavalo durante uma das diligências.

De acordo com a polícia, muitas denúncias não se confirmaram. Além disso, crimes registrados em comunidades rurais chegaram a ser atribuídos a Juares sem que houvesse comprovação de autoria.

Agora, com a prisão, a Polícia Civil também pretende esclarecer quais ocorrências registradas durante a fuga realmente tiveram participação dele.

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Quatro mandados de prisão contra Juares

A Polícia Civil informou que Juares acumulava quatro mandados de prisão em aberto. Um deles decorre de condenação, enquanto os demais envolvem prisões preventivas relacionadas a investigações e crimes atribuídos a ele.

Entre os casos está um roubo de veículo registrado em março deste ano. Conforme a polícia, durante a fuga Juares teria roubado um carro para se deslocar e chegou a conversar por telefone com a vítima sobre onde abandonaria o veículo.

Além disso, a polícia apura outros furtos cometidos durante o período em que ele permaneceu escondido. Há ainda uma investigação sobre uma possível importunação sexual contra uma mulher em uma comunidade rural. Caso a autoria seja confirmada, ele também poderá responder pelo crime.

Condenação por tentativa de feminicídio

O feminicídio ocorrido em Divinópolis não representa o primeiro episódio grave de violência contra uma mulher atribuído a Juares. Segundo a Polícia Civil, ele já havia cometido uma tentativa de feminicídio contra uma ex-companheira em 2006 em Arinos, no Noroeste de Minas.

Naquele caso, conforme informado durante a coletiva, Juares agrediu a mulher e desferiu um golpe de faca. A vítima sobreviveu, mas ficou paraplégica. A polícia informou ainda que ele chegou a ser preso em flagrante, soltou e posteriormente recebeu condenação pelo crime. Contudo, ele fugiu.

Para os investigadores, o histórico demonstra uma escalada da violência atribuída ao homem. Durante a fuga, além dos furtos, a polícia identificou episódios em que ele teria começado a abordar mulheres, circunstância que levou as equipes a intensificarem as buscas para evitar novos crimes.

Relembre o feminicídio em Divinópolis

Juares estava foragido desde agosto de 2025, quando agrediu a companheira, de 39 anos, na comunidade do Choro. Conforme a investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o casal mantinha um relacionamento havia cerca de 15 anos.

Na ocasião, segundo a investigação, ele atingiu a mulher violentamente na cabeça e no rosto com um banco de madeira de aproximadamente sete quilos. A violência teria sido tão intensa que uma parte do banco chegou a quebrar durante as agressões.

Uma das filhas do casal, de 13 anos, presenciou parte da ocorrência. A mãe pediu que a criança procurasse ajuda. Quando ela retornou, encontrou a situação já consumada, enquanto Juares havia fugido.

A vítima recebeu atendimento médico, mas morreu no dia 9 de setembro de 2025 em consequência dos ferimentos. Desde então, as forças de segurança mantiveram as buscas pelo suspeito.

Agora, além do andamento dos processos e investigações contra Juares, a Polícia Civil concentra parte das diligências na identificação das pessoas que teriam integrado a rede de apoio durante a fuga. Segundo a corporação, quem comprovadamente tiver ajudado o foragido poderá responder criminalmente por favorecimento pessoal.