Política do Extermínio: Operação Contenção

Editorial
Por -30/10/2025, às 07H00outubro 29th, 2025
operação contenção rj
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Quem escolhe o crime conhece bem o destino que o aguarda: a cadeia ou o cemitério (…) mas o que deveria ser uma operação para devolver a paz, a destruiu”

O governo do Rio de Janeiro mostrou, na prática, o que é a política do extermínio. Nessa guerra que muda de nome , ora “chacina”, ora “massacre”, não há vencedores nem vencidos. A megaoperação chamada Operação Contenção, deflagrada contra o Comando Vermelho (CV), ceifou vidas de criminosos, mas também de inocentes. Quatro policiais foram mortos e, entre os 119 corpos já contabilizados, não é possível afirmar quantos realmente tinham ligação com o crime.

Estamos diante de um resultado desastroso do combate ao narcotráfico. A ação mais letal da história do estado foi tratada como troféu político. O governador Cláudio Castro comemorou os mortos como símbolos de um “trabalho bem feito”, transformando a tragédia em espetáculo. E aqui, não se trata de inverter valores nem de vitimizar traficantes. Quem escolhe o crime conhece bem o destino que o aguarda: a cadeia ou o cemitério.

Política do extermínio

Mas o que se viu nos complexos do Alemão e da Penha, que abrigam 26 comunidades, foi o oposto do prometido. O que deveria ser uma operação para devolver a paz, a destruiu. Ruas vazias, comércios fechados e famílias trancadas em casa foram o saldo real da intervenção. A megaoperação trouxe mais medo, mais insegurança e menos esperança.

Nessa guerra, é preciso compreender que não há vencedores. Ainda que todos os mortos, exceto os policiais, estivessem envolvidos com o crime, o narcotráfico já está recrutando outros 500 jovens neste exato momento. Enquanto o poder público transforma a tragédia em palanque, o crime segue sua rotina de negócios.

A verdade é que a autorização para a operação já nasceu com interesses políticos. Era uma mensagem certera para quem já está de “saco cheio” da bandidagem. Não por menos, aplaudiria a “mão firme” do Estado. O debate sobre segurança pública, contudo, ficou contaminado pela disputa eleitoral que já se avizinha, a apenas um ano dos pleitos presidencial e estadual.

Megaoperação no Rj: barbárie

A barbárie virou narrativa. E as redes sociais tratam de amplificá-la, criando falsas verdades de cunho ideológico que impedem a construção de uma política de segurança eficaz. Uma política que de fato combata o narcotráfico, e não que transforme o derramamento de sangue em propaganda de governo.

As facções criminosas se tornaram uma tragédia nacional que exige resposta urgente, coordenada entre o governo fluminense e a União. Mas, enquanto a política for guiada por interesses eleitorais, permaneceremos reféns do crime, e do populismo que se alimenta dele.

O Congresso Nacional, por sua vez, prefere surfar na tragédia em vez de cumprir seu papel. Todos – deputados e senadores – tem um lado e uma opinião. Contudo, não fazem o dever de casa: tornar as leis mais eficientes no combate às facções. O resultado é um país dividido entre os que celebram as mortes e os que condenam os policiais e, no meio disso, o crime segue crescendo, alimentado pela política do desmando.

As operações policiais, construídas com o serviço de inteligência, investigação e estratégia, enfraquecem as facções e salvam vidas. São necessárias.

No entanto, o governador do Rio envolveu as forças de segurança no jogo político e transformou luto em espetáculo e sangue em aplauso.

Não é só sobre menos 100 bandidos. É também sobre policiais mortos enquanto defendia a população e milhares de inocentes no meio do fogo cruzado.