Atitude de agente de pedágio na MG-050 foi decisiva para expor contradições, mudar o rumo do caso Henay Amorim e abrir investigação por feminicídio em Minas Gerais.
A postura atenta de uma agente de pedágio da MG-050 foi determinante para a reviravolta no caso que resultou na morte de Henay Amorim, de 31 anos, inicialmente tratado como acidente de trânsito e, posteriormente, investigado como feminicídio. A abordagem da funcionária levantou suspeitas, acionou protocolos internos e produziu imagens que se tornaram peças-chave da investigação policial.
Durante a passagem do veículo pelo pedágio, a agente percebeu inconsistências no comportamento do homem e também no estado da mulher. Diante da situação atípica, ela seguiu rigorosamente o protocolo da concessionária, fez perguntas objetivas e comunicou imediatamente o Centro de Controle de Operações (CCO).
“Ela perguntou a ele o que estava acontecendo (…) Como ele falou que ela tinha tido uma queda de pressão, essa funcionária teria se disponibilizado para que uma equipe prestasse socorro. Pediu que parasse o veículo mais a frente para a assistência. Ele teria acenado positivo, mas arrancou o carro e seguiu sentido Divinópolis”, explica o delegado responsável pelo caso, João Marcos Amaral.
Imagens do circuito de segurança mostram quando o casal chega com o carro. Henay aparece no banco de motorista desacordada e Alison no banco de passageiro conduzindo o veículo. É possível ver a perna dele atravessa para alcançar o acelerador. Em determinado momento, ele empurra a cabeça da vítima. Ele efetua o pagamento e segue viagem.
Conforme a nota oficial da Via Nascentes, a colaboradora solicitou que o motorista aguardasse enquanto o apoio era acionado. No entanto, como os agentes de pedágio não possuem autoridade para reter veículos, o condutor deixou o local antes da chegada do suporte.
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Imagens do pedágio expuseram contradições
Apesar da saída do veículo, o procedimento adotado garantiu o registro completo da ocorrência. As imagens captadas no pedágio revelaram detalhes fundamentais, incluindo o estado da vítima e a condução do automóvel, que mais tarde entraram em confronto direto com a versão apresentada pelo suspeito.
Esses registros chegaram ao conhecimento da família e, em seguida, às autoridades, o que acelerou a reavaliação do caso.
De acidente a feminicídio: investigação ganhou novo rumo
Com base nas imagens e nas informações repassadas pela concessionária, a Polícia Civil de Minas Gerais aprofundou a apuração. Laudos periciais indicaram que Henay já estava morta antes da colisão, descartando a hipótese inicial de morte causada exclusivamente pelo acidente na rodovia.
A partir desse ponto, o caso passou a ser tratado como feminicídio, com foco na dinâmica de agressões anteriores e nos momentos que antecederam a colisão.
Concessionária colabora com as investigações
Em nota, a Via Nascentes informou que está colaborando integralmente com a investigação, disponibilizando imagens, dados operacionais e todas as informações solicitadas pelas autoridades.
“Ao identificar uma atitude suspeita, a agente adotou o protocolo padrão da concessionária, comunicando imediatamente o CCO. A concessionária está colaborando com a investigação, disponibilizando à polícia as imagens e informações necessárias”, informou a empresa.



