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Rodrigo Dias

A intolerância e o ódio não estão ligados, necessariamente,  à  condição econômica. Obviamente os países subdesenvolvidos, onde as diferenças sociais são mais evidentes, estão mais suscetíveis; mas, mesmo assim, esta condição não é determinante.

Nem sempre, também, o acesso à informação é garantia de que a intolerância e o ódio serão extirpados de uma sociedade. Vivemos a era da informação, e independente deste fato o mundo continua violento. Ao ponto de alguns atos contra a vida serem tão ou mais  bárbaros do que quando a humanidade ainda engatinhava no sentido de se constituir em sociedade.

A origem da intolerância e do ódio perpassa a questão cultural, da formação do homem e do seu meio. As reminiscências da intolerância e do ódio eclodem ao menor agito. Sangram feridas que muitos já julgavam fechadas, cicatrizadas.

Nos Estados Unidos nem mesmo a eleição e reeleição histórica que elevaram um negro ao cargo de homem mais importante do  mundo – é assim que os americanos se consideram perante o restante de nós – abrandou o ódio racial que sempre foi latente naquele país.

Grandes cantores pop, astros de cinema e atletas das principais modalidades esportivas da América são negros. Estão em constante exposição na mídia e entram, diariamente, na casa de  milhões  de  americanos  e,  mesmo  assim, ainda parece ser difícil conviver com o que é diferente.

Lá, um negro ou negra é designado como homem ou mulher de cor. Uma abordagem que coloca a “raça negra” numa questão secundária e sugere subliminarmente a criação de um subcidadão, o de cor.

Se nos Estados Unidos os atos racistas são historicamente  explícitos  e violentos, o combate a eles também o são. O pacifista Martin Luther King Jr. foi quase uma exceção entre aqueles  que  combatiam  o  racismo.  Existiram pessoas, e até mesmo partido, que tinham uma abordagem social, mas eram viris quando confrontados.

A América até aceitou um Michael Jackson negro que se tornou branco, mas condena a advogada branca, Rachel  Dolezal,  que assumiu uma identidade negra. A forma de como lidar com esta questão étnica por lá gera confusão. E se num momento há igualdade no outro a instabilidade é aparente.

Engana-se quem acredita que por aqui a situação é melhor. Se lá é explícito por aqui é velado o racismo. Tanto que a introdução de políticas afirmativas, como as de cota para negros em universidades,  são  costumeiramente rechaçadas.

Por aqui, o negro joia continua sendo o sorridente, o bem humorado que aceita as piadinhas, o bom de bola, o prestativo, o que agarra no pesado ou a negra que sabe sambar, arrumar uma casa e cozinhar bem.

Se estiver no esquema não vai ter problema. Caso contrário, leva pedrada.

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