Prefeituras rebatem acusações de Gleidson sobre envio de moradores de rua a Divinópolis

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Por -04/09/2025, às 18H19setembro 4th, 2025
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Prefeitura de Divinópolis realizou ação de acolhimento no dia 3 de setembro (Foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)

Nova Serrana, Pedra do Indaiá e Carmo do Cajuru negam prática após vídeo do prefeito de Divinópolis

O vídeo divulgado pelo prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), nesta quarta-feira (3/9), continua gerando repercussão na região Centro-Oeste de Minas. Ao lado do vereador Matheus Dias (Avante) e da secretária de Assistência Social, Juliana Coelho, o prefeito acusou cidades vizinhas de estarem enviando “moradores de rua” para o município.

“Estão colocando dentro do ônibus e mandando para cá”, disse Gleidson, que anunciou endurecimento no atendimento: “A prefeitura agora vai ajudar os moradores aqui de Divinópolis. Aqueles que vieram de fora, tamo junto não.”

As falas levaram, então, as prefeituras citadas no vídeo a se posicionarem.

Nova Serrana: deslocamento foi desejo do próprio cidadão

A Prefeitura de Nova Serrana esclareceu que prestou assistência a um idoso que buscava familiares na cidade e necessitou de atendimento médico. Após a alta, houve o encaminhamento equivocadamente ao Centro Pop, onde manifestou desejo de ir para Divinópolis. O deslocamento foi realizado pelo Centro de Acolhimento Frederico Ozanan (CAFO), uma entidade filantrópica independente da gestão municipal.

De acordo com a nota, “Nova Serrana é referência no acolhimento, assegurando seus direitos básicos, a dignidade e a liberdade de escolha de cada pessoa atendida.”

Pedra do Indaiá: “Isso nunca existiu”

O prefeito de Pedra do Indaiá, Mateus Santos, rechaçou as declarações de Matheus Dias. “Isso é uma mentira, isso nunca existiu. Pedra do Indaiá nunca encaminhou nenhum morador de rua para Divinópolis ou para qualquer outra cidade. Isso seria uma falta de respeito e nós não fazemos.”

Conforme o prefeito, o município adota a política do migrante, também praticada em Divinópolis. Em 29 de agosto, a cidade ajudou um homem que vinha de Goiás e queria retornar a Três Corações. Por decisão própria, ele passou por Divinópolis antes de seguir viagem.

Mateus Santos classificou como grave a fala do vereador e pediu responsabilidade. “A forma com que o vereador falou fica parecendo que Pedra do Indaiá está descartando pessoas em Divinópolis. Eu gostaria muito que o vereador pensasse antes de falar besteira.”

Carmo do Cajuru: direito de ir e vir

A Prefeitura de Carmo do Cajuru também contestou a acusação. Segundo a Secretaria de Promoção Social, todas as pessoas em situação de rua recebem acolhimento conforme protocolos da Política Nacional de Assistência Social.

Quando o próprio indivíduo deseja se deslocar, a cidade fornece a chamada “passagem social”, emitida por cartão eletrônico. “É absolutamente imprópria qualquer interpretação que reduza essas pessoas à condição de objetos passíveis de depósito ou transferência como mera mercadoria”, afirmou a gestão.

Nota oficial de Divinópolis

Nesta quinta-feira (4/9), a Prefeitura de Divinópolis reforçou sua posição em nota oficial.

“O acolhimento institucional é um recurso emergencial, pensado para garantir proteção em momentos de vulnerabilidade extrema. Por isso, é dever da cidade de origem acompanhar seus moradores, oferecer políticas sociais adequadas e buscar articulação com outros municípios, de modo a assegurar os direitos de cada cidadão.”

Além disso, a nota destacou que todos os serviços de acolhimento são custeados exclusivamente com recursos municipais. “Essa realidade reforça que o atendimento deve ser direcionado, prioritariamente, às pessoas que já vivem nas ruas da cidade. A Prefeitura reafirma, assim, seu compromisso em proteger a dignidade, garantir acesso a direitos e oferecer melhores condições de vida à população divinopolitana.”