Equipe da Calixcoca acusa coordenador de embolsar sozinho R$ 2,6 milhões recebidos em premiação internacional e pede divisão na Justiça
Segundo Informações do Jornal Estado de Minas, uma disputa milionária agita os bastidores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Três professores processam o coordenador do projeto Calixcoca, vacina terapêutica contra a dependência de crack e cocaína, acusando-o de reter sozinho o prêmio de 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões) recebido da Eurofarma em 2023, sem repassar valores à equipe ou à instituição.
O caso envolve os docentes Maila de Castro (Faculdade de Medicina), Gisele Goulart (Faculdade de Farmácia) e Ângela de Fátima (Instituto de Ciências Exatas), que integraram o desenvolvimento da Calixcoca e afirmam ter trabalhado por anos no projeto. Eles alegam que o professor Frederico Garcia, do Departamento de Psiquiatria, recebeu o valor da premiação, afastou-se e parou de responder aos colegas.
De acordo com os autores da ação, toda a equipe acreditava que, em caso de vitória, o recurso seria revertido para novas pesquisas da UFMG. A patente da vacina foi registrada em nome da universidade, e não de um pesquisador individual. O grupo pede que metade do prêmio seja destinada à instituição e o restante dividido entre os docentes, cerca de R$ 330 mil para cada um.
O regulamento do prêmio permitia inscrição de apenas um médico, e o valor foi depositado na conta da pessoa física indicada. Apesar disso, os professores sustentam que o projeto foi coletivo e que houve desrespeito ao trabalho conjunto.
A defesa de Garcia não respondeu aos questionamentos. A UFMG e a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) disseram que não irão se manifestar.
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Controvérsias científicas
Financiada por recursos da Fapemig, governo federal e emendas parlamentares, a Calixcoca enfrenta críticas de entidades como o Fórum Mineiro de Saúde Mental e a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial. Em manifesto, 40 organizações alertam que estudos semelhantes existem desde a década de 1980 sem avançar para testes em humanos e criticam a abordagem exclusivamente biológica para o uso de drogas.
Para as entidades, a proposta desconsidera fatores sociais e pode reforçar práticas de tratamento forçado, afetando populações marginalizadas.
Funcionamento da vacina
A Calixcoca busca induzir o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, impedindo que a droga chegue ao cérebro. O projeto já demonstrou segurança e eficácia em testes pré-clínicos. Frederico Garcia, no entanto, ressalta que a vacina não é solução universal e que sua indicação precisa ser avaliada caso a caso.Uma disputa milionária agita os bastidores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Três professores processam o coordenador do projeto Calixcoca, vacina terapêutica contra a dependência de crack e cocaína, acusando-o de reter sozinho o prêmio de 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões) recebido da Eurofarma em 2023, sem repassar valores à equipe ou à instituição.
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O caso envolve os docentes Maila de Castro (Faculdade de Medicina), Gisele Goulart (Faculdade de Farmácia) e Ângela de Fátima (Instituto de Ciências Exatas), que integraram o desenvolvimento da Calixcoca e afirmam ter trabalhado por anos no projeto. Eles alegam que o professor Frederico Garcia, do Departamento de Psiquiatria, recebeu o valor da premiação, afastou-se e parou de responder aos colegas.
De acordo com os autores da ação, toda a equipe acreditava que, em caso de vitória, o recurso seria revertido para novas pesquisas da UFMG. A patente da vacina foi registrada em nome da universidade, e não de um pesquisador individual. O grupo pede que metade do prêmio seja destinada à instituição e o restante dividido entre os docentes, cerca de R$ 330 mil para cada um.
O regulamento do prêmio permitia inscrição de apenas um médico, e o valor foi depositado na conta da pessoa física indicada. Apesar disso, os professores sustentam que o projeto foi coletivo e que houve desrespeito ao trabalho conjunto.
A defesa de Garcia não respondeu aos questionamentos. A UFMG e a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) disseram que não irão se manifestar.
Controvérsias científicas
Financiada por recursos da Fapemig, governo federal e emendas parlamentares, a Calixcoca enfrenta críticas de entidades como o Fórum Mineiro de Saúde Mental e a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial. Em manifesto, 40 organizações alertam que estudos semelhantes existem desde a década de 1980 sem avançar para testes em humanos e criticam a abordagem exclusivamente biológica para o uso de drogas.
Para as entidades, a proposta desconsidera fatores sociais e pode reforçar práticas de tratamento forçado, afetando populações marginalizadas.
Funcionamento da vacina
A Calixcoca busca induzir o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, impedindo que a droga chegue ao cérebro. O projeto já demonstrou segurança e eficácia em testes pré-clínicos. Frederico Garcia, no entanto, ressalta que a vacina não é solução universal e que sua indicação precisa ser avaliada caso a caso.
Fonte: Estado de Minas



