Professores recebem R$ 5 mil após suspensão ilegal de nomeações em São Sebastião do Oeste

Minas Gerais
Por -04/02/2026, às 17H40fevereiro 6th, 2026
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Sintram realizou reuniões com os professores (Foto: Divulgação Sintram)

Acordo liderado pelo Sintram garantiu a indenização aos professores de São Sebastião do Oeste

Após quase oito anos de espera, professores da rede municipal de São Sebastião do Oeste começaram a receber indenização individual de R$ 5 mil por prejuízos causados pela suspensão ilegal de nomeações ocorrida em 2017. O pagamento só se tornou possível após negociação conduzida pela atual diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram).

“A gente vem negociando com o Executivo desde 2024 na tentativa de recuperar esse dinheiro que era um direito desses professores. O acordo foi a melhor forma e a categoria aprovou todos os termos. Tivemos uma vitória importante, fruto da luta do sindicato”, destacou o presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes.

Suspensão de nomeações sem base legal

Em 2014, a Prefeitura de São Sebastião do Oeste realizou concurso público para diversos cargos. A homologação do certame ocorreu em 2015 e, em 5 de dezembro daquele ano, candidatos aprovados para o cargo de professor foram nomeados e, posteriormente, empossados em 19 de dezembro.

Entretanto, em 10 de janeiro de 2017, o então prefeito Belarmino Leite suspendeu as nomeações, sem apresentar fundamento jurídico, alegando apenas incapacidade financeira do município.

Posteriormente, em 1º de fevereiro de 2017, ou seja, 21 dias após a suspensão, o próprio prefeito assinou novo decreto reconhecendo a ilegalidade do ato e confirmando os cargos dos professores.

Salários e direitos não pagos

Apesar do reconhecimento da ilegalidade, a Prefeitura não pagou:

  • Remuneração referente a janeiro de 2017
  • Reflexos em férias e 13º salário
  • Contagem dos 21 dias como tempo de efetivo serviço

Dessa forma, os profissionais permaneceram com prejuízos financeiros e funcionais.

Ação judicial abriu precedente

Em 2022, uma das professoras prejudicadas ingressou com ação judicial contra o município. Em outubro de 2024, o juiz Altair Resende de Alvarenga, da Comarca de Itapecerica, julgou procedentes todos os pedidos, garantindo à autora indenização de R$ 4.367,09.

A decisão abriu precedente para os demais servidores.

Sindicato negociou acordo coletivo

Embora os outros professores não tenham ajuizado ações individuais, o Sintram iniciou negociações extrajudiciais com a Prefeitura de São Sebastião do Oeste para garantir o mesmo direito.

“O que fizemos foi negociar um acordo nas mesmas bases da sentença judicial que garantiu a uma professora o ressarcimento dos seus direitos. Essa negociação ocorreu de acordo com a vontade dos professores que não moveram ações contra o município”, explicou Marco Aurélio Gomes.

A homologação do acordo aconteceu em junho de 2025.

Pagamento autorizado

Na sexta-feira, 30 de janeiro, o prefeito Rômulo Beirigo (Republicanos) autorizou o pagamento de R$ 5 mil a cada professor participante do acordo.