Câmara de Divinópolis adia novamente a votação da emenda ao projeto que distribui sensores de glicose para pacientes com diabetes tipo 1.
A Câmara Municipal de Divinópolis adiou, pela segunda vez, a votação do Projeto de Lei nº CM 268/2025, que prevê o fornecimento gratuito de sensores de monitoramento contínuo de glicose para pacientes com diabetes tipo 1. Com o pedido de vista aprovado durante a reunião desta terça-feira (4), os vereadores voltarão a analisar a matéria em até sete dias.
O novo adiamento revoltou mães e familiares que acompanharam a sessão. Muitos compareceram ao plenário na expectativa de acompanhar a votação da proposta, mas deixaram a Câmara frustrados após a retirada da matéria da pauta.
Projeto prevê distribuição gratuita dos sensores
O Projeto de Lei nº CM 268/2025 determina que o Município forneça gratuitamente sensores de monitoramento contínuo de glicose e os insumos necessários aos pacientes com diabetes tipo 1 residentes em Divinópolis. Além disso, o texto autoriza o Executivo a regulamentar os critérios para distribuição dos equipamentos e prevê que o município utilize recursos próprios, convênios, parcerias e emendas parlamentares para custear a política pública.
Nesta terça-feira, porém, os vereadores votariam primeiro uma emenda apresentada durante a tramitação do projeto. Entretanto, o pedido de vista adiou essa análise e, consequentemente, a votação da proposta por mais sete dias.
A emenda do vereador Ney Burguer (Novo) restringe, inicialmente, o benefício a crianças de 0 a 12 anos inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Segundo o autor do projeto, vereador Josafá Anderson (PSB), a alteração representa um primeiro passo para implantar a política pública e permitirá futuras ampliações após a regulamentação.
Mães criticam novo adiamento
Após o encerramento da sessão, Raquel Hurtado, mãe de uma criança com diabetes tipo 1 criticou a decisão dos vereadores. Em entrevista ela afirmou que o sentimento predominante entre as famílias é de tristeza.
“A indignação vira uma tristeza pelo ser humano, por quem a gente votou, quem a gente colocou lá e em quem a gente confia.”
Ela também lembrou que esta é a segunda vez que familiares comparecem à Câmara para acompanhar a votação da proposta.
“Na outra vez nós ficamos quase três horas aqui. No último momento retiraram o projeto da pauta. Hoje fizeram a mesma coisa. É a segunda vez que nós estamos aqui tentando aprovar esse projeto.”
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Sensor reduz picadas e permite monitoramento em tempo real
Durante a entrevista, Raquel explicou como o equipamento funciona e destacou os benefícios para quem convive com o diabetes tipo 1.
Segundo ela, o sensor permanece fixado ao braço e mede a glicemia durante 24 horas por dia. Dessa forma, reduz significativamente a necessidade de furar os dedos diversas vezes ao longo do dia.
“Meu filho ficou 15 dias sem o sensor. Eu fazia, em média, 20 picadas por dia nas pontas dos dedos das mãos e dos pés.”
Além disso, ela explicou que o dispositivo transmite os dados em tempo real para o celular da criança e também para os aparelhos dos familiares.
“No caso do meu filho, ele está na escola. O sensor transmite para o celular dele, que transmite para o meu, para o do meu marido e para o do avô. Quando a glicemia cai, eu ligo imediatamente para a escola. Se sobe, eu vou até lá aplicar a insulina.”
A justificativa do projeto destaca que o monitoramento contínuo permite identificar rapidamente episódios de hipoglicemia e hiperglicemia, melhora o controle glicêmico, reduz complicações e substitui diversas punções diárias nos dedos. Além disso, tecnologias mais modernas emitem alertas quando identificam risco de queda da glicose.
Autores do projeto também apontam importância da medida
O vereador Josafá Anderson, autor do projeto também afirmou que as famílias acompanham a tramitação da proposta há dois anos e cobrou prioridade para a pauta.
Segundo ele, diversas cidades brasileiras já oferecem o equipamento por meio da rede pública de saúde.
“É difícil acreditar que Divinópolis esteja tão atrasada na saúde. Várias cidades já oferecem esse dispositivo, seja para crianças ou para outros públicos, conforme a regulamentação de cada prefeitura.”
O vereador ressaltou ainda que, após a aprovação da lei, caberá à Prefeitura regulamentar a distribuição dos sensores.
“O sensor salva vidas”
Ao defender a aprovação da medida, o vereador e coautor do projeto Dr. Delano (PL) informou que o equipamento pode evitar situações graves.
Segundo ele, uma queda repentina da glicose pode provocar perda de consciência, quedas e até traumatismo craniano se não houver monitoramento adequado.
“O sensor salva vidas.”
O vereador explicou que o dispositivo emite alertas sempre que identifica alterações na glicemia, permitindo que familiares e cuidadores ajam rapidamente.
“É um aparelho muito sensível. Assim que a glicose começa a cair, ele avisa. Isso permite agir antes que aconteça algo mais grave.”
A justificativa do projeto também aponta que o uso contínuo do sensor reduz internações, diminui complicações decorrentes do diabetes tipo 1 e pode gerar economia aos cofres públicos ao evitar tratamentos de doenças renais, cardiovasculares, retinopatias e amputações.


