Tradição reúne mais de 1.300 crianças em um dia de amor, partilha e esperança em homenagem a Santa Luzia
Por Brenda Fernandes
Há 29 anos, Divinópolis vive uma tradição marcada pela fé, solidariedade e compromisso social. A festa nasceu de uma promessa feita por Maria Lúcia Rezende, conhecida como Dona Nega, em favor dos filhos Renata e Ricardo Rezende, diagnosticados com retinose pigmentar, doença hereditária que afeta a retina e provoca perda progressiva da visão. Conforme os médicos, a enfermidade não tem cura.
Quando a medicina já não oferecia mais recursos, Maria Lúcia se apegou à fé e fez uma promessa: realizar a Mesa dos Inocentes, em honra a Santa Luzia, protetora dos olhos.
De um gesto simples a uma grande tradição solidária
A primeira edição da festa, realizada há 29 anos, tinha a expectativa de receber apenas cinco crianças. No entanto, 15 participaram. Desde então, o evento cresceu de forma contínua e, atualmente, reúne mais de 1.300 crianças todos os anos, vindas de diferentes regiões de Divinópolis.
O encontro acontece no sítio da Dona Nega e ocupa um dia inteiro de celebração. As crianças têm acesso gratuito a pula-pula, algodão-doce, cachorro-quente, pipoca, refrigerante, salão de beleza, parquinho, almoço completo e churros. Participam crianças de abrigos, creches, orfanatos e comunidades em situação de vulnerabilidade social, todas transportadas por ônibus até o local.
Data mantida por tradição e adaptação ao calendário escolar
A festa acontece tradicionalmente no dia 13 de dezembro. Em anos como 2025, quando a data cai no fim de semana e inviabiliza a participação das escolas, o evento é, então, antecipado para o último dia útil anterior.
Fé, gratidão e impacto social
“Isso me satisfaz a alma. Ver essa meninada correndo não tem nada que substitua essa riqueza. A presença de Deus nesse dia dentro da minha casa vem através dessas crianças. Por meio delas, eu tenho certeza de que Deus está presente”, afirmou Dona Nega, emocionada.
De acordo com Ricardo Rezende, filho de Dona Nega, a tradição se tornou compromisso da família. “Nesses 29 anos, minha mãe sempre disse que não fecharia as portas para nenhuma criança. O almoço e os cachorros-quentes eu preparo aqui na cozinha com uma turma boa. Tem criança que nunca comeu um cachorro-quente, um churros ou um frango frito. Isso é muito gratificante. Tenho muito orgulho.”
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Voluntariado e doações mantêm a festa viva
A realização da festa só é possível graças ao trabalho voluntário, assim como às doações recebidas ao longo do ano. Renata Rezende ressaltou o engajamento coletivo. “Hoje a festa não é só dela, nem só minha. A festa agora é de todos os colaboradores. Cada um ajuda com um pouco: tem gente que doa refrigerantes, outras pessoas contribuem com pães, salsichas, pipoca e óleo.”
Familiares, bem como voluntários se unem para preparar os alimentos, organizar o espaço, cuidar da logística, dos brinquedos e das atividades recreativas. O objetivo é garantir que crianças que, muitas vezes, não têm oportunidades semelhantes, possam viver um dia especial de Natal.
Emoção compartilhada por voluntários e instituições
Uma das voluntárias é Rita Fernandes, que participa da festa há 22 anos, desde a sétima edição. “É uma alegria ver a felicidade dessas crianças todos os anos. Para muitos, esse é o Natal que eles têm. Com a colaboração de várias pessoas, conseguimos fazer uma festa tão grandiosa.”
Lucimar, presidente da instituição Lar das Meninas, participou do evento pelo segundo ano consecutivo. Conforme ele, a iniciativa se tornou importante para as crianças. “Muitas não têm essas experiências. Hoje, uma me disse que nunca tinha comido churros. Olha que coisa simples.”
Expectativa das crianças e encerramento com emoção
As próprias crianças demonstram o quanto o momento é aguardado durante todo o ano. “Quando eu era criança, vinha com a escola e sempre queria ficar mais tempo. Depois comecei a vir com minha avó para passar o dia inteiro. O que eu mais gosto é do pula-pula e quando vem muita gente, porque a alegria é contagiante”, contou Gabriel Arthur, de 10 anos.
Na despedida, com os ônibus já posicionados para o retorno, acontece a surpresa final. O Papai Noel aparece distribuindo sacolinhas, bolas e bonecas. Além disso, arrancando sorrisos e olhares encantados.
Entre abraços, acenos e risadas, o sítio de Dona Nega se despede de mais um ano inesquecível, um dia em que o Natal chega antes, em forma de carinho, partilha e esperança, assim, deixando em cada criança a certeza de que ainda existem gestos capazes de transformar vidas.



