Incêndios provocaram 92 ocorrências no sistema elétrico estadual e danificaram estruturas de transmissão em áreas rurais e urbanas
As queimadas em Minas Gerais provocaram 92 ocorrências no sistema elétrico da Cemig e interromperam o fornecimento de energia para mais de 46 mil clientes entre janeiro e agosto de 2026. Os incêndios em áreas de vegetação atingiram estruturas essenciais em toda a área de concessão da companhia no estado, afetando residências, comércios, escolas e hospitais. A maioria dos focos surge devido à ação humana em períodos de vegetação seca e baixa umidade. A Cemig reforçou o alerta sobre os riscos criminais e operacionais trazidos pelo fogo.
Impacto no sistema elétrico e prejuízos regionais
De acordo com os dados oficiais da Cemig, os incêndios florestais danificaram equipamentos como postes, cabos e torres de transmissão.
Na área da Superintendência Regional Sul, que atende municípios do Sul e do Oeste mineiro, a empresa contabilizou 12 ocorrências por incêndios no período. Esses incidentes na região Sul e Oeste interromperam o serviço para cerca de 5.400 consumidores.
Jorge Magno Alves Pereira, engenheiro de Operação da Distribuição da Cemig, alertou para a gravidade dos danos: “Vários equipamentos – como postes, cabos e torres – podem ser danificados pelas chamas e isso torna o restabelecimento do serviço mais demorado, o que pode trazer transtornos para os clientes das distribuidoras de energia elétrica. Além disso, o volume alto de fumaça pode trazer sérios danos à saúde, principalmente nesta época do ano em que doenças respiratórias são mais comuns”.
Além disso, a prática de queimadas sem autorização configura crime e pode levar o infrator à prisão.
Causas humanas e desafios nas manutenções
Grande parte dos focos de incêndio surge a partir de atitudes inadequadas da própria população.
Jorge Magno Alves Pereira enfatizou a necessidade de conscientização coletiva: “Por isso, é importante que as pessoas se conscientizem dos impactos causados por suas ações, pensem de forma coletiva e evitem dar início a focos de incêndio que podem tomar grandes proporções e causar muitos estragos, especialmente nesta época do ano, caracterizada por baixa umidade e vegetação seca”.
A localização das ocorrências em áreas rurais amplas e de terreno acidentado dificulta o deslocamento das equipes de manutenção.
Jorge Magno Alves Pereira explicou as complicações do trabalho de campo: “Geralmente, são locais de difícil acesso e em áreas rurais muito amplas. Além disso, levar estruturas pesadas, como torres e postes, em áreas acidentadas, torna ainda mais complexa a manutenção das redes danificadas pelas queimadas”.
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Recomendações de prevenção e ações da companhia
De acordo com as orientações da Cemig, medidas simples evitam o surgimento de grandes focos de fogo na vegetação. A população deve apagar com água as sobras de fogueiras em acampamentos e evitar o descarte de pontas de cigarro acesas em estradas ou áreas rurais.
As pessoas também não devem deixar garrafas de vidro ou plástico expostas ao sol perto de plantas, pois os materiais podem gerar focos de incêndio.
A legislação proíbe o uso de fogo a menos de 15 metros de rodovias, ferrovias e faixas de segurança de linhas de transmissão. A lei também proíbe queimadas em parques florestais, reservas ecológicas e áreas de preservação permanente.
Para combater os riscos de queimadas em MG, a Cemig realiza a poda de árvores, a limpeza das faixas de servidão e a remoção da vegetação ao redor de torres e postes.
Por fim, a concessionária mantém inspeções frequentes em suas linhas para identificar ameaças operacionais e proteger a rede elétrica.


