Quem são os presos da Operação Ghost Machine em Divinópolis

Minas GeraisPolítica
Por -12/03/2026, às 18H59março 16th, 2026

 

Após a deflagração da Operação Ghost Machine pelo Ministério Público de Minas Gerais em Divinópolis, a prefeitura anuncia exoneração de servidora e a abertura de processo administrativo disciplinar contra dois

A Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) prendeu quatro pessoas na manhã desta quinta-feira (12/3) durante a Operação Ghost Machine, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Entre os detidos estão o ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos, um servidor de carreira da prefeitura e dois empresários do setor de locação de máquinas.

As prisões fazem parte de uma investigação que apura corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro dentro da Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur). Segundo o Ministério Público, os contratos investigados ultrapassam R$ 37 milhões, enquanto o pagamento de propinas pode superar R$ 2 milhões.

Além disso, as apurações indicam envolvimento de pelo menos 14 pessoas no esquema, que teria usado contratos públicos para desviar recursos.

Ex-secretário e servidor de carreira estão entre os presos

Entre os presos está Gustavo Mendes, ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos. Ele também integra o quadro de servidores efetivos da prefeitura, embora atualmente esteja afastado por problemas de saúde.

Gustavo deixou o comando da secretaria em fevereiro de 2025, portanto antes do início das investigações, que começaram em março daquele ano.

Outro preso é o servidor de carreira Tiago Henrique, que também atuava na pasta investigada.

Empresários do setor de máquinas também foram detidos

Além dos servidores públicos, a operação também prendeu dois empresários ligados ao setor de locação de máquinas e equipamentos utilizados em serviços urbanos.

Entre eles está Caio Freitas, engenheiro civil e sócio-diretor da empresa CCR, especializada no aluguel de máquinas e veículos.

Outro detido é o empresário Wendell Barbalho, que atua no mesmo segmento empresarial.

De acordo com o Ministério Público, os empresários teriam participado do esquema que envolvia direcionamento de editais e pagamento de propinas em contratos públicos.

Esquema inflava medições de serviços

As investigações apontam que empresas contratadas inflavam as medições de serviços prestados ao município. Dessa forma, os pagamentos liberados superavam o volume real de trabalho executado.

Um exemplo citado nas apurações envolve a utilização de caminhões-pipa. Em determinadas situações, o serviço demandava dois caminhões, porém a medição apresentada indicava seis veículos, o que ampliava o valor pago pelo município.

Segundo os investigadores, esse modelo permitia desviar recursos públicos por meio de contratos de locação de máquinas e equipamentos.

Prefeitura anuncia processos disciplinares

Durante coletiva, a Prefeitura de Divinópolis informou que abrirá processo administrativo disciplinar contra os servidores efetivos presos, ou seja, o ex-secretário Gustavo Mendes e o servidor Tiago Henrique.

Além disso, a administração municipal confirmou que já elaborou um decreto de exoneração de uma servidora, que foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.

As investigações tiveram início após denúncias apresentadas pelo prefeito Gleidson Azevedo ao Ministério Público.

Prefeitura afirma que revisou contratos e economizou R$ 20 milhões

Segundo a prefeitura, após a saída de Gustavo Mendes da secretaria, em fevereiro de 2025, o secretário de Governo Matheus Tavares assumiu a pasta interinamente.

Durante esse período, a administração municipal realizou uma revisão completa dos contratos da secretaria. Como resultado, o município afirma que economizou cerca de R$ 20 milhões.

De acordo com a prefeitura, as irregularidades identificadas nas investigações envolvem cobrança de serviços acima do que realmente foi executado, especialmente em contratos de locação de máquinas utilizados em serviços urbanos.

Mesmo após a denúncia formalizada pelo prefeito junto ao Ministério Público, as empresas investigadas continuaram prestando serviços à Prefeitura. De acordo com o assessor especial do gabinete do prefeito, Fernando Henrique, à época não havia confirmação de irregularidades que justificassem a suspensão imediata dos contratos.

Por isso, durante o período de apuração, a administração municipal realizou acompanhamento técnico e revisão dos contratos firmados com as empresas. Nesse intervalo, também ocorreram novos processos licitatórios, nos quais as mesmas empresas voltaram a vencer os certames.

Segundo o assessor, até o momento não há comprovação de irregularidades na fase de licitação. As suspeitas levantadas pela investigação concentram-se na execução contratual, especialmente no pagamento por serviços que não teriam sido efetivamente prestados. 

As empresas seguem prestando serviço e o MP recomendou uma auditoria dos contratos suspeitos de irregularidades.