Reitor da UFSJ alerta: sem doação do hospital regional em 2025, unidade não abrirá em 2026

Minas Gerais
Por -19/11/2025, às 10H16novembro 19th, 2025
Foto: Reprodução TV Câmara

Estado concluiu a obra, repassou R$ 85 milhões ao MEC para equipar, mas ainda deve ocorrer a doação do imóvel do hospital regional para a UFSJ; Restrições de ano eleitoral aumentam urgência

O reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), campus Divinópolis, Marcelo Pereira, afirmou nesta terça-feira (18) que ainda precisa ocorrer a doação do imóvel do Hospital Regional à universidade para que ele funcione a partir de 2026. O governador Romeu Zema (Novo) confirmou que as obras estão totalmente concluídas. Durante homenagem recebida na Câmara Municipal, o reitor pediu apoio da sociedade e dos vereadores para acelerar a tramitação do projeto de autoria da deputada Lohanna França (PV) na Assembleia Legislativa diante das restrições do ano eleitoral.

Na segunda-feira (17), durante a inauguração da linha tronco do gasoduto em Divinópolis, Zema afirmou que as obras do hospital estão totalmente concluídas. Ele também confirmou que o governo já repassou R$ 85 milhões ao Ministério da Educação (MEC) para equipar a unidade e informou que o processo de doação está em andamento. O hospital funcionará como hospital universitário, o que exige, por lei, que haja a transferência do imóvel para a UFSJ antes da contratação da EBSERH, responsável pela gestão.

Reitor diz que hospital ainda está parado na CCJ

Durante a homenagem, Marcelo Pereira fez um alerta direto.

“Estamos em plena campanha para que o hospital seja efetivamente doado à UFSJ. Ele não foi doado ainda. Ele se encontra na CCJ da Assembleia Legislativa. O relator é o deputado estadual Jean, e ele precisa passar pela CCJ e tramitar rapidamente na Assembleia para que a universidade possa receber o hospital e, com isso, equipar o hospital e contratar a EBSERH para que ele comece a funcionar.”

O reitor explicou que o cronograma é urgente, já que o ano eleitoral pode impedir a inauguração da unidade em 2026, como previsto.

“Nós temos uma linha de tempo muito perigosa, porque se passarmos para o ano eleitoral não vamos conseguir colocar o hospital para funcionar, porque ele não pode ser inaugurado nesse período. E sabemos o que significa o ano eleitoral.”

Risco real de o hospital perder recursos já enviados

Marcelo Pereira também alertou que Minas Gerais corre risco de perder parte dos recursos já repassados pelo Estado ao governo federal caso a unidade não entre em funcionamento.

“Por isso, nós precisamos muito da ajuda de todos vocês, os munícipes, as pessoas, para que nós possamos efetivar a doação e começar o funcionamento desse hospital. Nós precisamos do apoio dos vereadores e vereadoras. Vocês têm muita influência no Parlamento, e é um esforço suprapartidário, senhoras e senhores.”

“Estamos salvando vidas”, diz reitor

Em um dos trechos, ele destacou a urgência assistencial.

“Estamos preservando, salvando vidas. Provavelmente, daqui a 50 anos ninguém vai lembrar disso, mas nós estaremos salvando vidas. Por fim, nesse exato momento, tem um pai, tem uma mãe, tem um esposo, tem uma esposa, tem uma filha, tem um amigo ao lado de um ente querido, aguardando a remoção para um leito em qualquer espaço aqui de Minas Gerais, em Belo Horizonte, ou em outra cidade que possa recebê-lo. Muitos desses e dessas não sobreviverão porque não tem um leito especializado.”

O reitor reforçou o papel essencial do hospital universitário tanto na assistência quanto na formação.

“Um hospital universitário para Divinópolis, claro, vai formar com excelência nossos alunos e alunas. Mas, antes de tudo, é um ato para salvarmos vidas. Vidas, provavelmente, de parentes e familiares de vocês.”

Apelo final: risco de perder R$ 85 milhões já repassados

Marcelo encerrou a fala com um pedido de mobilização pública e alertou para a possibilidade de os recursos deixarem Minas Gerais.

“Por isso, eu peço o apoio de vocês nessa luta conjunta para que possamos trazer o hospital para Divinópolis, para a UFSJ. Por enquanto, ele não é nosso, não houve a doação e já houve o repasse pelo governo do estado para a EBSERH R$ 85 milhões dos contribuintes mineiros para equipar o hospital. Já utilizou R$ 35 milhões. E, se esse hospital não sair, esse recurso vai para qualquer lugar do país, menos para Minas Gerais. Então é um ato que eu peço a vocês: que se unam nesse esforço para trazermos o hospital para cá.”