Autoridades destacam dados alarmantes, reforçam rede de apoio e defendem políticas contínuas de enfrentamento ao feminicídio
A sessão extraordinária da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (ACASP) reuniu autoridades e lideranças na manhã desta quarta-feira (04), no auditório do 7º Departamento de Polícia Civil, em Divinópolis. O encontro promoveu debates, reflexões e homenagens à mulher, com foco no enfrentamento à violência doméstica.
Representantes das forças de segurança, do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil participaram da reunião. Durante o evento, lideranças femininas compartilharam experiências e defenderam políticas públicas mais eficazes para proteger mulheres na cidade.
Autoridades reforçam combate ao feminicídio
O delegado Dr. Flávio Tadeu Destro, chefe do 7º Departamento de Polícia Civil que abrange Divinópolis e outros 51 municípios abriu a sessão e apresentou um panorama dos crimes contra a mulher na região. Ele lamentou a morte recente de uma moradora da cidade assassinada pelo próprio primo. Além disso, destacou avanços conquistados ao longo dos anos, mas afirmou que o poder público ainda precisa ampliar políticas sociais de enfrentamento ao feminicídio.
Em seguida, reforçou a importância das legislações que garantem punição aos agressores e defendeu a manutenção da prisão nos casos previstos em lei. Também assegurou que a Delegacia mantém o combate à violência contra a mulher como prioridade.
A delegada interina Dra. Gorete Rios apresentou um histórico da Delegacia da Mulher, instalada em 2002 no município. Ela explicou que o serviço antecedeu a Lei Maria da Penha e já contava com apoio voluntário de profissionais da psicologia e assistência social. Segundo a delegada, a unidade funciona como porta de entrada para procedimentos criminais, incluindo pedidos de medidas protetivas.
Além disso, destacou canais de atendimento como o plantão 24 horas, a assistente virtual Frida e os números 190 e 181 para denúncias.
Dados e rede de proteção
O major Bitencourt, da Polícia Militar, apresentou dados sobre feminicídio no município e mencionou um caso registrado em 2026 que terminou com homicídio e posterior autoextermínio do agressor. Ele ressaltou que muitas ocorrências acontecem dentro das residências, onde a corporação não possui acesso preventivo direto.
Na sequência, a responsável pelo Rádio Patrulha de Proteção à Mulher explicou que a equipe acompanha não apenas a vítima após a denúncia, mas também orienta o agressor, com o objetivo de romper o ciclo da violência.
A presidente da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ellen Lima, repudiou a banalização do papel de inferioridade da mulher dentro do ambiente familiar. Já a vereadora Kell Silva destacou a baixa representatividade feminina na Câmara Municipal e defendeu que mulheres em cargos de liderança funcionam como referência para outras.
Representando o Executivo, a vice-prefeita Janete Aparecida apresentou serviços municipais de apoio, como atendimento especializado no CREAS e reconstrução dentária para vítimas de agressão. Ela também convocou os homens a participarem do debate e ressaltou que a educação para o respeito começa dentro de casa.
Conforme dados apresentados pela Polícia Civil, nos últimos dois anos o município registrou 1.340 pedidos de medidas protetivas e 727 autos de prisão em flagrante relacionados à violência contra a mulher.
Ao final, o presidente da ACASP, Breno Clementino, encerrou a sessão reforçando o compromisso da entidade com o fortalecimento da segurança pública.
Sobre a ACASP
Fundada em 1999, a ACASP atua como sociedade civil sem fins lucrativos e apoia os órgãos de segurança pública de Divinópolis. Todos os integrantes trabalham de forma voluntária. A associação mantém ações voltadas à construção de uma sociedade mais segura e disponibiliza informações sobre como se associar por meio do site oficial.



