Rio Doce Mais Vida: Governo de Minas investe R$ 1 bilhão na maior restauração ecológica do estado

Minas Gerais
Por -19/06/2026, às 08H06junho 19th, 2026
Minas lança Rio Doce mais vida; FOTO: IEF / Divulgação

Projeto de recuperação ambiental vai transformar a bacia do Rio Doce com ações integradas em 200 municípios e foco em produtores rurais

O Governo de Minas Gerais, por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), lançou neste mês de junho um conjunto de iniciativas ambientais na bacia hidrográfica do Rio Doce. Com a finalidade de recuperar a região, as ações contemplam 200 municípios e somam investimentos estimados em aproximadamente R$ 1 bilhão. Essas medidas integram o Novo Acordo de Reparação do Rio Doce, que as autoridades firmaram em outubro de 2024 após o rompimento da Barragem de Fundão em 2015.

O que é o projeto Rio Doce Mais Vida?

Com o propósito de liderar essa virada ambiental, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) coordena o Rio Doce Mais Vida. O programa se destaca como a maior iniciativa de restauração ecológica que o Estado já estruturou. Ademais, o projeto tem metas claras: promover a recuperação ambiental da bacia do Rio Doce, fortalecer os serviços ecossistêmicos e apoiar a regularização ambiental de propriedades rurais.

Foco nos produtores rurais e na regularização ambiental

De maneira direta, a iniciativa apoiará a regularização ambiental de imóveis rurais privados. Nesse sentido, o IEF priorizará as propriedades de até quatro módulos fiscais.

Com o intuito de estruturar a recuperação, o plano engloba ações fundamentais como:

  • Recuperação de passivos ambientais em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RL);
  • Adoção de práticas conservacionistas de solo e água;
  • Implementação de mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Portanto, o PSA servirá para reconhecer e remunerar proprietários e possuidores rurais que contribuam para a conservação e recuperação da vegetação nativa em suas propriedades.

Intervenções práticas no campo e suporte técnico

A fim de conter a degradação, os técnicos realizarão o plantio de mudas nativas, a condução assistida da regeneração natural e a aplicação de técnicas de restauração ecológica em áreas degradadas. Além disso, o projeto prevê a implantação de barraginhas, curvas de nível e terraceamentos. Essas estruturas ajudam no controle da erosão e aumentam a infiltração de água no solo. Igualmente, as equipes farão a adequação de estradas rurais internas, a construção de aceiros e a implementação de soluções de saneamento rural.

Simultaneamente, balcões itinerantes de atendimento técnico em municípios prioritários vão fortalecer a regularização ambiental. Dessa forma, os produtores receberão orientações sobre adequação ambiental, apoio à qualificação e retificação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e incentivo à adesão ao Programa PRA Produzir Sustentável.

Capacitação regional e polos de atuação

Para dar suporte às ações de restauração e ampliar a capacitação regional, o governo implantará dois viveiros-escola florestais. Consequentemente, as unidades de Governador Valadares e de Ubá produzirão mudas nativas e oferecerão formação técnica para profissionais e produtores rurais.

Segundo a diretora de Conservação e Recuperação de Ecossistemas do IEF, Marina Fernandes Dias, o projeto vai além das ações tradicionais de reflorestamento. “O projeto se apresenta como uma política pública integrada, que combina regularização ambiental, conservação da água e do solo, restauração ecológica e incentivos econômicos para a manutenção da conservação ao longo do tempo”, destaca.

O projeto Rio Doce Mais Vida dividirá o atendimento dos 200 municípios em dois polos de atuação:

  • Polo Aimorés: responsável por 123 municípios. O Estado publicará o edital para seleção da organização responsável em junho de 2026 e prevê o início das atividades para novembro do mesmo ano.
  • Polo Mariana: responsável por 77 municípios. O Executivo lançará o edital em outubro de 2026 e projeta a execução a partir de abril de 2027.

Metas para o futuro da bacia

Por fim, o acordo estabelece a meta de restaurar 12 mil hectares nos próximos 20 anos. Desse total, os parceiros destinarão 9 mil hectares à recuperação de passivos ambientais em APPs e Reservas Legais de imóveis rurais privados. Por outro lado, direcionarão os outros 3 mil hectares à recuperação de áreas degradadas em Unidades de Conservação estaduais.

Desse modo, o projeto busca transformar os recursos da reparação em resultados concretos para a recuperação dos ecossistemas, a conservação dos recursos hídricos e o fortalecimento da sustentabilidade das atividades rurais em toda a bacia hidrográfica.