Santa Casa de Bom Despacho atrasa FGTS e pode prejudicar atendimento

Bom DespachoMinas Gerais
Por -11/07/2025, às 14H04julho 11th, 2025
santa casa de bom despacho
Foto: Divulgação/Santa Casa de Bom Despacho

Denúncia aponta falta de pagamento do FGTS a funcionários da Santa Casa

A Santa Casa de Bom Despacho enfrenta uma grave denúncia de descumprimento das obrigações trabalhistas. De acordo com o ex-prefeito Fernando Cabral, a instituição deixou de recolher o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de seus trabalhadores, situação que pode provocar rescisões indiretas e comprometer diretamente o atendimento à população.

Cabral apresentou mais de 20 extratos emitidos pela Caixa Econômica Federal que comprovam a ausência dos depósitos.

“Cada mês que passa pode significar um direito perdido”, alertou o ex-prefeito, destacando que os valores do FGTS prescrevem após cinco anos. Ele também reforçou que, se o trabalhador ingressar na Justiça, poderá receber todas as verbas rescisórias como se tivesse sido demitido.

Insegurança e medo entre os trabalhadores

Apesar das irregularidades, muitos funcionários da Santa Casa temem denunciar por medo de retaliações ou perda do emprego. Conforme Cabral, essa omissão pode custar caro: “Temos profissionais qualificados, que cuidam da população com dedicação. Mas quando a diretoria da instituição falha, isso atinge a todos, inclusive os pacientes”, afirmou.

O ex-prefeito da cidade do Centro-Oeste de Minas ressaltou ainda que a Santa Casa é um patrimônio da cidade e precisa de gestão responsável e transparente.

“É inadmissível que uma entidade de tamanha importância para o município trate seus funcionários com descaso”, disse.

Documento apresentado não comprova regularidade

Durante entrevista em um podcast local, o vice-presidente da Santa Casa, Denilson Diniz, afirmou que os depósitos do FGTS estariam em dia. Ele chegou a apresentar um documento como prova. Contudo, conforme explicam especialistas, o único comprovante válido para atestar a regularidade do FGTS é o extrato emitido em nome do trabalhador. Ou seja, o documento disponível pelo aplicativo oficial do FGTS ou diretamente na Caixa Econômica Federal.

E foi exatamente esse tipo de extrato que Fernando Cabral reuniu. Até agora, ele contabiliza mais de 20 documentos diferentes, todos indicando que a instituição deixou de fazer os depósitos.

Cabral aconselha que os profissionais procurem um advogado trabalhista o quanto antes. “É fundamental que cada trabalhador resguarde seus direitos antes que eles prescrevam. Ignorar o problema só favorece quem está errado”, finalizou.

A reportagem do PORTAL GERAIS entrou em contato com a Santa Casa, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.