Sem máscaras, autoridades aglomeram no Dia dos Namorados e registros viralizam

Deputado Cleitinho Azevedo e vereador Eduardo Print Júnior foram flagrados no Mandalla; direção do espaço se defende

Imagens que circulam pela internet mostram o deputado estadual mineiro Cleitinho Azevedo (Cidadania) e o vereador e presidente da Câmara de Divinópolis, Eduardo Print Júnior (PSDB), sem máscara e sem o distanciamento mínimo exigido pela Vigilância Sanitária por causa da pandemia, que é de três metros. Os registros foram feitos na noite de sábado (12/6), no bar Mandalla. 

As fotos e vídeos viralizaram nas mídias sociais e muitos internautas usaram os espaços de comentários para questionar sobre o descumprimento de regras sanitárias por parte de autoridades públicas.

 

Eduado Print Júnior usa o celular no evento (Foto: Reprodução)

O PORTAL GERAIS perguntou ao deputado, ao vereador, à direção do bar e à Vigilância Sanitária sobre as situações registradas.

Deputado

Cleitinho lembra que a noite em questão era a do Dia dos Namorados.

“Eu não saía com a minha esposa já tinha mais de um ano, por causa da pandemia. Ela queria ver o show do Tesoura Cega. Minha esposa ficou com crise de pânico a pandemia inteira. Resolvi sair com ela dentro da legalidade! Postei nas minhas redes sociais e está lá no meu Facebook minha foto com ela, pra todo mundo ver! Não escondi de ninguém e não fui em festa clandestina. Ali podia funcionar. Não tem nada de errado!”

Argumenta ainda que, naquela mesma noite, havia outros bares e restaurantes funcionando.

“Fui, entrei com ela e fiquei na minha mesa. Se repararem no vídeo, eu estava sentado, como fiquei o tempo inteiro. Agora, não tenho culpa das pessoas chegarem perto de mim e me filmarem ou pedirem pra tirar uma foto comigo. Sou uma pessoa pública! Eu quero só fazer uma pergunta: eu fui a única pessoa dessa cidade que comemorou o Dia dos Namorados? Sou ser humano como qualquer outra pessoa. Lá poderia estar aberto e funcionando. Vou repetir: não fiz nada de errado!”

Cleitinho Azevedo e a companheira durante o evento (Foto: Reprodução/Instagram)

Perguntado sobre a falta de máscara, o deputado estadual alega que ninguém consegue comer e beber de máscara.

“Máscara, quando você entra, não é obrigado a usar. Quando entrei, até perguntei se poderia tirar e disseram que sim. Como em qualquer restaurante e em bares. Assim que você entra, você tira a máscara. Isso pela vigilância”.

Sobre a imposição de três metros mínimos de distância de uma mesa e outra, Cleitinho reforça que as mesas do bar estavam de acordo com a norma.

“No Minas Consciente diz que bares e restaurantes podem funcionar. […] Segui todos os protocolos. Isso não é festa clandestina. Não tem nada disso. […] Fizeram todo um protocolo. Pediram pra eu sentar à mesa e eu sentei. Pode ver que, na hora em que mostra eu no vídeo, eu estou sentado. […] O cara que fez o vídeo estava conversando com o Eduardo, que estava em uma mesa perto da minha. Quando ele me viu, começou a fazer essa filmagem. Eu não falaria pra ele não fazer, porque eu sou uma pessoa pública. E ele até me pediu pra tirar uma foto. Eu não estava aglomerando. Onde eles pediram eu sentar, eu sentei. Não sou pai de quem é maior de idade e estava lá. Posso falar por mim”.

Sobre a repercussão do caso, Cleitinho diz que não pede perdão, mas se desculpa.

“Eu não estava aglomerando. Pegaram outras fotos, de outras pessoas, para fazer entender que eu estava aglomerando. Mas, não estava. Saio de consciência tranquila, sabendo o que eu estava fazendo. Algumas pessoas estão em atacando em grupos, tacando pedra, me julgando. Eu peço desculpa. Não foi minha intenção prejudicar ninguém. A gente é ser humano e está sujeito a falha. Acredito que quase todos os casais de namorados passaram o Dia dos Namorados juntos e foram comemorar não só esta, mas também outras datas. O importante é seguir os protocolos e ter a consciência e a responsabilidade de cuidar de você e de quem está com você.”

Vereador

Eduardo Print Júnior também diz que o local havia disponibilizado os espaços de modo a cumprir as recomendações.

“No evento de sábado, que era especial de Dia dos Namorados, havia o distanciamento entre os lounges e bistrôs no Mandalla, como consta em laudo da Vigilância Sanitária. Eram oito lounges de até oito pessoas e 30 bistrôs de até quatro pessoas, com o devido distanciamento. Eu estava num dos lounges, acompanhado da minha esposa e de outros casais de amigos, dos quais temos convivência praticamente diária”.

Sobre a ausência de máscara nas imagens, Print também argumenta que tratou-se apenas do momento de comer e beber.

“Estávamos num bar e restaurante, como tem funcionado na cidade. Estávamos consumindo comidas e bebidas. Para ir ao banheiro ou estacionamento, por exemplo, fazíamos sim o uso de máscaras, por determinação da casa e como regra do ‘Minas Consciente’”.

Bar

Gilson Dias, um dos sócios do Mandalla, afirma que não houve desrespeito aos protocolos.

“Houve o momento em que amigos saíram de cada lounge, tiraram fotos e voltaram. “Não descumprimos nenhuma ordem de distanciamento e higienização. Sabemos que, se houver essa desobediência, nossa Casa é interditada e multada. Obviamente não é de nosso interesse. O Mandalla está aberto a quem quiser visitar as dependências e avaliar se há ou não o respeito às normas do Minas Consciente. É um local amplo, arejado e que preza pela segurança de todos”.

Dias divulgou a imagem de um laudo que teria sido pela Vigilância Sanitária atestando a legalidade do espaço com relação às exigências da pandemia.

Laudo de conformidade atribuído à Vigilância Sanitária (Foto: Mandalla/Divulgação)

“É o laudo de conformidade, de que está tudo certo. Em todas as aberturas do bar, nós lembramos essas novas condições aos clientes. Somos um dos estabelecimento que mais cobram aos clientes o respeito às normas. A gente leva nome de chato por isso, inclusive. A cobrança é feita. Hoje trabalhamos com um quadro de oito seguranças, só para ficar por conta de fiscalizar e orientar a turma. Só que às vezes algum cliente se levanta, não respeita, e a gente tem de ir lá e falar. Estamos de olho e em momento algum queremos fazer alguma coisa que seja fora das normas da Vigilância Sanitária. Nós somos parceiros e queremos cumprir o decreto”, pontua.

Vigilância Sanitária

A Vigilância Sanitária de Divinópolis respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem no começo desta quinta-feira (17).

“A Vigilância Sanitária esclarece que recebeu denúncia de aglomeração no estabelecimento Mandalla na noite do dia 12/6, às 21h05. Por volta da meia-noite, a equipe, juntamente com a Polícia Militar, compareceu ao local para apuração da denúncia. No momento da apuração, a denúncia era improcedente. Não havia apresentação de músicos e não havia aglomeração”, destaca. 

O órgão acrescenta que trabalha com fatos presenciados pelos fiscais e, por determinação legal, não pode autuar por fotos, vídeos ou similares. A denúncia só se torna procedente com a comprovação, pelo fiscal, do descumprimento de regramentos.

“Salientamos que nesta mesma noite a Vigilância Sanitária recebeu mais de 47 denúncias. Dessas, 31 foram fiscalizadas e mais de dez estabelecimentos comerciais foram infracionados por descumprimento de regramentos. Os agentes públicos que estiveram presentes na apuração da referida denúncia são responsáveis por seus atos e ratificam o que foi descrito em laudo de vistoria”.

A Vigilância Sanitária finaliza o comunicado afirmando que preza por seu comprometimento com a saúde pública de Divinópolis e não mede esforços para fiscalizar todos os estabelecimentos que possam estar em descumprimentos de medidas sanitárias.

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert, jornalista formado pela Uemg em Divinópolis e mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, em Portugal.

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