Servidora alvo da Operação Ghost Machine é exonerada em Divinópolis

Minas GeraisPolítica
Por -13/03/2026, às 10H28março 13th, 2026

Operação Ghost Machine aponta que esquema começou em 2021 e durou cerca de quatro anos; Contratos investigados ultrapassam R$ 37 milhões.

A Prefeitura de Divinópolis publicou nesta sexta-feira (13/3) a exoneração da servidora Alessandra Cristina Fernandes, alvo da Operação Ghost Machine, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A decisão ocorreu um dia após a operação que investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur).

O ato apareceu no Diário Oficial dos Municípios. Alessandra ocupava o cargo em comissão de gerente administrativa da Semsur e recebeu exoneração após recomendação do promotor da Vara da Fazenda Pública Marcelo Maciel. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.

Quatro pessoas presas na operação

A Operação Ghost Machine resultou na prisão de quatro investigados ligados à secretaria municipal e a empresas do setor de locação de máquinas.

Entre os presos estão:

  • Gustavo Mendes, ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos e servidor efetivo;
  • Tiago Henrique, servidor efetivo da Semsur;
  • Caio Freitas, engenheiro civil e sócio-diretor da empresa CCR, especializada no aluguel de máquinas e veículos;
  • Wendell Barbalho, empresário que atua no mesmo segmento.

O Ministério Público aponta que os contratos investigados ultrapassam R$ 37 milhões, enquanto o pagamento de propinas pode superar R$ 2 milhões.

Com a prisão de servidores, a Prefeitura de Divinópolis informou que abrirá processo administrativo disciplinar contra Gustavo Mendes e Tiago Henrique. Até o final da tarde de ontem, o município não havia recebido oficialmente a notificação em relação as prisões.

Investigação aponta fraude em medições de serviços

As apurações indicam que empresas contratadas pelo município inflavam medições de serviços prestados, o que aumentava os valores pagos pela administração pública. Este esquema, conforme o MPMG, começou em 2021 e operou por cerca de quatro anos na prefeitura.

Um exemplo citado pelos investigadores envolve serviços com caminhões-pipa. Em determinadas situações, o trabalho exigia,por exemplo, dois caminhões, porém a medição apresentada indicava seis veículos.

Assim, os valores pagos pelo município aumentavam artificialmente. Consequentemente, o esquema permitia desviar recursos públicos por meio de contratos de locação de máquinas e equipamentos.

Denúncia partiu do prefeito

A investigação começou após denúncia apresentada pelo prefeito Gleidson Azevedo ao Ministério Público.

Pouco antes disso, em fevereiro de 2025, o então secretário Gustavo Mendes deixou o comando da pasta. Depois da saída dele, o secretário de Governo Matheus Tavares assumiu a Secretaria de Operações e Serviços Urbanos de forma interina.

Revisão de contratos gerou economia milionária

Após a mudança na gestão da secretaria, a prefeitura iniciou uma revisão completa dos contratos da Semsur.

Durante esse período, a administração municipal afirma que conseguiu economizar cerca de R$ 20 milhões.

Além disso, a revisão também ajudou a identificar irregularidades em medições de serviços e contratos, que agora integram as investigações conduzidas pelo Ministério Público.

As empresas alvos da investigação continuaram prestando serviço ao município ao longo do período. Ainda conforme a prefeitura, houve novos processos licitatórios e algumas voltaram a vencer o certame. O município alega que as irregularidades apontadas estão nas medições e não na elaboração de editais, assim, houve o acompanhamento da execução dos contratos.

A prefeitura disse ainda que na ocasião da denúncia não era possível confirmar as irregularidades, agora, apontadas pelo Ministério Público.