Shows pagos com dinheiro público viram palanque político

EditorialMinas Gerais
Por -22/07/2025, às 06H00julho 21st, 2025
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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cenas eleitoreiras e altos gastos com shows e eventos têm se tornado parte das previsões orçamentárias de muitas prefeituras brasileiras. Cada cidade investe conforme o perfil da sua localidade. Aqui, no interior de Minas, não muito longe da capital, eventos religiosos e culturais já consomem uma fatia do orçamento municipal.

A justificativa costuma ser sempre a mesma: levar lazer à população. E, faz sentido. O povo – que sofre com áreas prioritárias – precisa. Não questionamos isso. No entanto, o problema começa quando o que deveria ser um momento de confraternização popular se transforma em palanque político.

É comum ver prefeitos, vereadores e até deputados subirem ao palco para se promoverem, usando microfones pagos com dinheiro público.

Durante o evento “Evangelizar é Preciso”, por exemplo, o palco, o som e a iluminação, financiados pela prefeitura, também serviram de vitrine política para o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo – irmão do senador Cleitinho. A contratação do padre custou R$ 50 mil aos cofres públicos, conforme consta no Portal da Transparência.

E a agenda segue. Neste fim de semana, Divinópolis realiza mais um grande evento: o Divina Motofest, o terceiro encontro nacional de motociclistas, de 25 a 27 de julho, na rua Pitangui. Entre as atrações confirmadas, está o show da banda Raimundos, que custará R$ 62 mil em recursos públicos. A banda Brazuca também se apresentará, com um cachê de R$ 12 mil.

Uso oportunista

Não se trata de condenar o investimento em cultura e lazer. Muito pelo contrário: essas iniciativas são importantes e podem movimentar a economia local, além de promover o bem-estar. O que se questiona é o uso oportunista e político desses eventos pagos com dinheiro público.

A população precisa estar atenta: não há almoço grátis. Somos nós que pagamos cada cachê, cada estrutura de som e iluminação. E é inadmissível que, em eventos financiados por recursos públicos, políticos usem o microfone para se autopromover, o que, na prática, configura uma espécie de “showmício fora de época”.

É hora de discutir a necessidade de proibir o uso político de eventos pagos com dinheiro público. A legislação atual tem brechas que permitem esse tipo de exposição, muitas vezes com artistas exaltando gestores que contrataram seus shows. O que se vê, em várias cidades, não é apenas festa, mas campanha eleitoral disfarçada, bancada com o nosso dinheiro.