Taxa das blusinhas afeta comércio em Minas Gerais e provoca queda no setor de moda

Gerais
Por -29/08/2026, às 08H52agosto 29th, 2026
Compras internacionais de pequeno valor compromete as cadeias nacionais de tecidos, vestuário e calçados, segundo dados da Fecomércio MG; FOTO: Fecomércio MG/Divulgação

Estudo da Fecomércio-MG aponta retração de 4,4% nas vendas do varejo mineiro enquanto importações saltaram 47,4% em 2026

A taxa das blusinhas afeta comércio em Minas Gerais e prejudica o desempenho de tecidos, vestuário e calçados em 2026. Um levantamento do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio-MG indicou retração de 4,4% no setor em Minas Gerais, enquanto as importações cresceram 47,4% no país. As alterações na tributação das compras internacionais de baixo valor enfraqueceram o ambiente competitivo no varejo brasileiro. O impacto reflete diretamente no centro comercial de Itaúna, que registra movimento abaixo da média.

Impacto no varejo de moda e concorrência desleal

De acordo com a pesquisa da Fecomércio-MG, as mudanças na tributação iniciadas em agosto de 2024 equilibraram temporariamente a concorrência com produtos importados.

Contudo, a flexibilização das regras tributárias em 2026 impulsionou nova aceleração das remessas do exterior e aprofundou as perdas do segmento nacional. A economista da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves explicou que, a vantagem concedida às plataformas estrangeiras compromete toda a cadeia produtiva:

“O que o estudo coloca em evidência é que a discussão sobre as compras internacionais de pequeno valor vai muito além do preço de um produto. Estamos falando de condições de concorrência que alcançam empresas, trabalhadores, fornecedores, indústria e toda uma cadeia produtiva que gera renda e movimenta a economia brasileira”, afirma a economista da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves.

Dessa forma, a especialista alerta para os riscos de focar apenas nas compras de baixo custo. Conforme ressalta a economista, o deslocamento da demanda afeta o mercado de trabalho do país:

“Negligenciar esse diagnóstico pode penalizar a produção nacional, corroer investimentos e transferir renda e empregos para o exterior”, alerta.

Crescimento das remessas e dados de importação

De acordo com dados do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, os produtos enviados ao país movimentaram R$ 12,16 bilhões entre janeiro e julho de 2026.

Conforme revelam os números, o valor supera os R$ 8,25 bilhões registrados no mesmo período de 2025, indicando alta de aproximadamente 47,4%. A média mensal das compras externas saltou de R$ 1,18 bilhão para R$ 1,74 bilhão entre os sete primeiros meses dos dois anos.

Contudo, o avanço mensal alcançou picos expressivos na comparação interanual, registrando 42,9% em maio, 100% em junho e 71,3% em julho.

Por fim, os pesquisadores utilizaram dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) e do comércio exterior para comprovar o aumento da pressão sobre os comerciantes brasileiros.