Lorraine questiona horário e quantidade de ferimentos, apresenta áudio enviado pela instituição e afirma ter recebido relatos de outros pais sobre situações semelhantes
Por Heloisa De Tofoli
“Só chora o tempo todo”. A afirmação é de Lorraine Bittencourt, mãe da criança de 1 ano e 1 mês que sofreu lesões no rosto e na cabeça enquanto estava em uma escola particular de Divinópolis, na terça-feira (11/8). Após o episódio, Lorraine, registrou um boletim de ocorrência e levou a filha para atendimento médico, desde então, a rotina da família mudou.
Em entrevista exclusiva ao Portal Gerais, Lorraine conta como recebeu a notícia, apresenta o áudio enviado pela escola e questiona pontos da versão divulgada pela instituição após o caso.
Mãe recebeu mensagem às 15h34
Segundo Lorraine, a escola enviou uma mensagem pelo WhatsApp às 15h34, acompanhada de uma foto da filha com hematomas no rosto. Logo depois, ela foi até a instituição para buscar a criança.
“No dia 11 de agosto, eu recebi uma mensagem via WhatsApp, às 15h34 da tarde, com uma foto embaixo da minha filha com rosto com hematomas.”
A mãe afirma que tentou contato com a escola durante o trajeto, mas não conseguiu resposta. Ao chegar, pediu para ver a filha imediatamente.
“Chegando lá na escola, eu muito nervosa, chorando muito. Pedi para pegar ela, eles falaram, vamos conversar, eu só queria ver minha filha naquele momento.”
Segundo Lorraine, inicialmente, os funcionários levaram apenas a mochila da criança. Depois, trouxeram a menina, que estava dormindo.
“Aí trouxeram ela dormindo, eu peguei ela, fui para fora da escola, na hora que eu vi ela com o rosto de cá, com bastante hematoma, do lado de cá com alguns arranhões, e na cabeça machucada também, bem vermelha.”
Em seguida, a mãe chamou a Polícia Militar. Depois da chegada dos policiais, ela levou a filha para atendimento médico e realizou o exame de corpo de delito.
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Mãe questiona horário informado pela escola
Lorraine também contesta a versão divulgada posteriormente pela instituição sobre o horário do episódio. Segundo ela, o áudio enviado pela escola informa que a criança sofreu a mordida durante a manhã.
No áudio, uma responsável relata que outra criança teria mordido a menina no rosto enquanto a professora pegava outro objeto. A funcionária afirma que retirou a criança imediatamente e cuidou do ferimento.
Entretanto, a mãe afirma que a nota publicada pela escola informou que o episódio ocorreu no início da tarde.
Além disso, Lorraine aponta outra divergência. Segundo ela, a professora responsável pela criança no período da tarde registrou um boletim de ocorrência para resguardar a própria imagem e informou que, durante a manhã, estava trabalhando em outra instituição.
Para a mãe, o registro reforça que o ocorrido aconteceu pela manhã, e não à tarde, como apontado posteriormente pela escola.
“Então, de tarde, era essa professora que estava lá. Então, não foi à tarde.”
A mãe também afirma que a médica que atendeu a criança avaliou que os hematomas apresentavam características de lesões ocorridas havia algum tempo.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsAppMãe afirma que exame apontou lesões em diferentes partes
Outro ponto questionado por Lorraine envolve a quantidade de lesões. A escola informou, em nota, que as profissionais identificaram um único episódio de mordida.
A mãe, por outro lado, afirma que a avaliação policial e o exame de corpo de delito identificaram lesões nos dois lados do rosto e na cabeça.
“Tanto no corpo de delito, quanto no boletim de ocorrência feito pelo Polícia Militar tem, que foi dos dois lados, né? Um lado tá pior que o outro, sim.”
Além disso, Lorraine afirma que a instituição não forneceu as imagens do momento. Segundo ela, a escola informou que a sala onde a criança estava não tinha câmeras.
A mãe também relata que recebeu mensagens de outros pais que teriam passado por situações semelhantes e retirado os filhos da instituição.
Criança mudou comportamento após episódio
Segundo Lorraine, a filha apresentou mudanças de comportamento depois do episódio. A mãe afirma que a criança passou a chorar constantemente e teve dificuldades para dormir.
“Desde esse dia, ela não fala direito, ela só chora o tempo todo. Hoje, inclusive, eu liguei para o pediatra dela pedindo ajuda. E ele falou que a gente vai tentar dar chá natural para ela.”
Segundo a mãe, caso a situação continue nos próximos dias, o pediatra avalia outras medidas.
“E a partir de uns 4, 5 dias, se não der certo, a gente vai dar um calmante.”
Ela reforça que não pretende apontar responsáveis antes da conclusão das apurações.
“Eu não estou aqui pra culpar ninguém.”
Por fim, a mãe afirma que busca respostas sobre o que aconteceu e demonstra preocupação com os possíveis impactos do episódio na filha.
“Porque a minha filha tem consequências pra frente. Traumas de agora pra frente.”


