“Só nós sabemos o que sentimos”: pais enterram Thallya Beatriz pela segunda vez após nove meses de espera por laudo

Minas Gerais
Por -24/07/2025, às 17H46julho 25th, 2025
thallya beatriz que morreu na UPA de divinópolis
Thallya Beatriz tinha 4 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Menina de 4 anos morreu após atendimento na UPA de Divinópolis; restos mortais foram liberados para sepultamento no dia em que completaria 6 anos

Os pais de Thallya Beatriz da Silva Pinto Satiro, menina de 4 anos que morreu em abril de 2024 após atendimento na UPA de Divinópolis, enterraram novamente a filha nesta quarta-feira (23/7) após exumação. A cerimônia aconteceu um dia após os restos mortais retornarem de Belo Horizonte, onde passaram por perícia. A exumação havia sido feita em 28 de outubro de 2024, e o corpo foi liberado exatamente nove meses depois, na terça-feira (22/7) — data em que Thallya completaria 7 anos.

O laudo segue para o juiz responsável pelo caso. A família, até o momento, não teve acesso ao resultado do exame. Conforme entrevista anterior concedida pelo advogado Eduardo Agusto, o documento é essencial para dar andamento a uma ação indenizatória e buscar esclarecimento técnico sobre a causa da morte.

“Só eu e o pai dela sabemos o que sentimos”

A mãe da menina, Juliana da Silva Pinto, reforçou que desde o início houve falhas no atendimento. Ela e o pai, Paulo Satiro, acreditam que o diagnóstico divulgado três meses após a morte, apontando chikungunya como causa, não condiz com os sintomas apresentados por Thallya.

“A gente fica com o coração apertado, estamos esperando para saber o que foi. Convulsão não foi. Vamos saber a verdade. Minha filha não estava bem. Pedimos a autópsia, não fizeram. Muita coisa errada que vimos. Eles tocaram eu e o pai dela da UPA. Muita coisa que fica vago. Esse resultado vai trazer tranquilidade. Só eu e o pai dela sabemos o que sentimos a enterrar ela pela segunda vez”, disse Juliana ao PORTAL GERAIS.

Entenda o caso

Thallya morreu no dia 26 de abril de 2024, dois dias após o primeiro atendimento na UPA Padre Roberto, em Divinópolis, quando deu entrada com dor na perna, assim como com inchaço nos olhos. Conforme os pais, ela nunca apresentou convulsão. Na primeira visita, a médica receitou três medicamentos. Contudo, os sintomas retornaram, e a menina voltou à unidade, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória pouco depois da triagem.

Na época, a Secretaria de Saúde concluiu, por meio de sindicância, que não houve erro, assim como negligência médica. No entanto, a família contesta e aguarda o resultado da perícia para obter um diagnóstico mais preciso.