STF publica decisão que condenou Bolsonaro por trama golpista e abre prazo para recursos

Minas Gerais
Por -22/10/2025, às 09H58outubro 22nd, 2025

Defesas têm cinco dias para apresentar embargos de declaração; expectativa é que o caso seja concluído até o fim do ano

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta quarta-feira (22) a decisão da Primeira Turma que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados por tentativa de golpe de Estado.

Com a publicação no Diário da Justiça, foi aberto o prazo de cinco dias para que as defesas apresentem embargos de declaração, recurso usado para pedir esclarecimentos sobre contradições ou trechos pouco claros da decisão. A condenação foi decidida por 4 votos a 1 e o documento tem quase 2 mil páginas.

Embora raramente alterem sentenças, esses recursos podem, em casos específicos, ajustar o tamanho das penas. Após o prazo de cinco dias, o relator Alexandre de Moraes pode decidir individualmente ou levar o caso ao colegiado.

A pena de Jair Bolsonaro, de 27 anos e três meses de prisão, só começará a valer após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso. A defesa do ex-presidente deve questionar o papel de liderança atribuído a ele na trama, ponto que garantiu a maior pena.

Os advogados também devem recorrer com embargos infringentes, que podem alterar o resultado, embora o STF tenha entendimento de que só cabem quando há dois votos pela absolvição o que não ocorreu neste caso, já que apenas o ministro Luiz Fux votou por absolver seis dos oito réus, incluindo Bolsonaro.

O ex-presidente está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, mas em outro processo, que apura possível interferência de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no inquérito do golpe.

Relembre a condenação

Em setembro, por 4 votos a 1, o STF considerou comprovada a atuação de uma organização criminosa que teria atuado para manter Bolsonaro no poder. Segundo o julgamento, o grupo:

tentou minar a confiança nas urnas eletrônicas;

pressionou militares por uma ruptura institucional;

usou a máquina pública contra adversários, com espionagem ilegal e disseminação de dados falsos;

traçou planos que previam prisão e morte de autoridades.

Esses atos culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Além de Bolsonaro, foram condenados: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.