Técnica inovadora salva jovem com 85% do corpo queimado em hospital de Belo Horizonte

Minas Gerais
Por -31/10/2025, às 13H56outubro 31st, 2025
Divulgação/Francis Campelo

Hospital João XXIII é o primeiro do país a padronizar o método Meek, que amplia as chances de sobrevivência em casos graves de queimaduras

Uma técnica inédita utilizada no Hospital João XXIII (HJXXIII), em Belo Horizonte, salvou a vida de Kauã Oliveira, de 24 anos, que teve 85% do corpo queimado após a explosão de um botijão de gás em abril, em Patos de Minas. O jovem, internado há mais de seis meses, sobreviveu graças ao uso do método Meek, padronizado pela unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) — a primeira do país a adotar o procedimento.

Tratamento revolucionário

A mãe de Kauã, Joice Maria de Santana, não esconde a emoção ao ver o filho se recuperando. “Só dele estar vivo, já é uma grande vitória”, afirma. O quadro era considerado gravíssimo, e os médicos chegaram a dizer que as chances de sobrevivência eram baixas.
Após o primeiro atendimento no Hospital Regional Antônio Dias, o jovem foi transferido para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do João XXIII, onde recebeu o tratamento inovador.

Segundo Kelly Araújo, coordenadora do CTQ, o método foi essencial. “Kauã chegou em estado muito grave, com queimaduras de terceiro grau em quase todo o corpo. A área sem queimadura era mínima. Com a tecnologia Meek, conseguimos expandir essa pequena área de pele não queimada, o que foi essencial para o processo de cicatrização da área afetada”, explica.

O Meek funciona cortando pequenos fragmentos da pele saudável do paciente, que são fixados em curativos expansíveis. Essa estrutura, semelhante a uma sanfona, aumenta em até nove vezes a área de cobertura, acelerando o processo de recuperação.

Antes da padronização do método, a expansão da pele era de no máximo quatro vezes, o que limitava as chances de cura em casos críticos. “Com o Meek, reduzimos o número de cirurgias e aceleramos a reabilitação”, completa Kelly.

Superação e reabilitação

Durante a internação, Kauã enfrentou complicações hepáticas e infecções, mas contou com o apoio de uma equipe multidisciplinar. O fisioterapeuta João Paulo Brito acompanhou o jovem desde o início do tratamento. “Kauã perdeu muita massa muscular e ficou muito tempo acamado. Fomos trabalhando o controle de tronco, o equilíbrio e a força, sempre respeitando os limites dele. Quando ele conseguiu sair pela primeira vez para ver o sol, foi um momento simbólico. Ele ficou feliz e ainda mais motivado a continuar lutando”, relata.

A mãe, presente em todos os momentos, reconhece a importância do trabalho da equipe. “Só quero levar meu filho pra casa e agradecer a todos aqui por tratarem ele com tanto carinho. Se não fosse o Meek e essa equipe maravilhosa, não sei se ele estaria aqui”, diz Joice emocionada.

Com o avanço do tratamento, o caso de Kauã se tornou exemplo de esperança para outros pacientes que enfrentam queimaduras graves. O sucesso da técnica Meek consolida o Hospital João XXIII como referência nacional no atendimento a grandes queimados.