Candidato ao Governo de Minas promete revisar contratos e incentivos fiscais, combater a sonegação e negociar a dívida do Estado com o Governo Federal
O candidato ao Governo de Minas Cleitinho Azevedo (Republicanos) nas eleições de 2026 afirmou neste domingo (16/8), em Divinópolis, que pretende promover um “choque de gestão” no Estado caso seja eleito. Entre as medidas defendidas pelo senador estão corte de gastos, revisão de contratos, reavaliação de incentivos fiscais e fortalecimento da fiscalização para aumentar a arrecadação.
O candidato afirmou que pretende buscar uma negociação da dívida de Minas com o Governo Federal. Segundo ele, independentemente de quem assumir a Presidência da República em 2027, o Estado precisará manter o diálogo com a União para tentar reduzir o débito.
“Da parte do governo, a gente tem que fazer um choque de gestão, a gente tem que cortar gasto, a gente tem que rever cada contrato.”
As declarações ocorreram durante uma agenda em Divinópolis no primeiro dia oficial da campanha eleitoral de 2026. Cleitinho participou de um “adesivaço” ao lado dos irmãos, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) e o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos) – que disputam à reeleição e uma vaga na Câmara Federal, respectivamente.
Na ação, Cleitinho detalhou algumas das medidas que pretende adotar para enfrentar a situação fiscal de Minas Gerais.
Cleitinho promete revisar gastos e contratos do Estado
Ao falar sobre as contas públicas, Cleitinho afirmou que o primeiro movimento de uma eventual gestão será olhar para dentro da estrutura estadual. Nesse sentido, o candidato defendeu uma revisão dos gastos e contratos mantidos pelo Governo de Minas.
Além disso, Cleitinho questionou os incentivos fiscais concedidos a empresas. Para ele, o Estado precisa analisar individualmente os benefícios e verificar qual retorno cada concessão trouxe para Minas Gerais.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsApp“Como é que eu estou devendo bilhões de reais e eu vou deixar de receber? […] Então tem que analisar cada empresa que teve essa isenção.”
Dessa forma, Cleitinho defende que o ajuste fiscal não fique restrito ao corte de despesas. O candidato também pretende rever receitas das quais o Estado abre mão atualmente.
Durante a entrevista, ele mencionou um montante superior a R$ 20 bilhões relacionado às isenções fiscais. Contudo, afirmou que a análise deverá considerar individualmente as empresas beneficiadas.
Combate à sonegação também entra na proposta
Paralelamente ao corte de gastos, Cleitinho defendeu o fortalecimento da estrutura de fiscalização tributária. Segundo o candidato, o Estado precisa investir em mecanismos para identificar a sonegação e ampliar a arrecadação.
“A Receita Estadual tem que ter uma inteligência artificial, a Receita Federal tem que ter estrutura para a gente ver quem está sonegando.”
Cleitinho também argumentou que pequenos produtores e contribuintes cumprem suas obrigações tributárias e, por isso, o Estado precisa cobrar o mesmo comportamento dos grandes devedores.
Assim, a proposta apresentada pelo candidato combina redução de despesas, revisão de benefícios e aumento da arrecadação como caminhos para melhorar a situação financeira de Minas.
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Cleitinho descarta promessa de zerar dívida de Minas
Apesar de prometer um choque de gestão, Cleitinho evitou afirmar que conseguiria quitar completamente a dívida estadual durante um eventual mandato.
Pelo contrário, o candidato reconheceu o tamanho do débito e disse que sua proposta consiste em reduzi-lo.
“Não vou falar aqui que a gente vai zerar a dívida, não, porque a dívida chega a quase R$ 200 bilhões, mas a gente vai deixar ela reduzida.”
Além das medidas dentro da administração estadual, Cleitinho defendeu uma segunda frente: negociar diretamente com o Governo Federal.
“Quando você deve, você tem que dialogar”, afirma Cleitinho
Para Cleitinho, a relação entre Minas Gerais e o próximo governo federal precisará partir do diálogo. Nesse sentido, o candidato afirmou que uma eventual divergência política com o presidente eleito não deve impedir uma negociação sobre a dívida.
“Quando você deve, você tem que dialogar. Então, assim, a gente deve para o Governo Federal. Não adianta você pegar quem for presidente a partir de 2027 e brigar com esse presidente, não vai resolver nada.”
Em seguida, o senador afirmou que pretende procurar a União para negociar independentemente de quem estiver no Palácio do Planalto.
“Se eu estou te devendo, eu tenho que vir com humildade para poder conversar com você e dialogar para a gente poder negociar essa dívida.”
Dessa maneira, Cleitinho tenta conciliar o discurso de redução dos gastos estaduais com uma postura de negociação com Brasília. Segundo ele, o objetivo será buscar alternativas para diminuir gradualmente o endividamento.
Acordo de Mariana entra nas alternativas citadas por Cleitinho
Entre as possibilidades apresentadas durante a entrevista, Cleitinho também citou recursos relacionados ao Acordo de Mariana.
O candidato mencionou R$ 80 bilhões e sugeriu discutir com o Governo Federal uma forma de relacionar esses recursos à dívida de Minas. Ao mesmo tempo, defendeu que a União realize investimentos em infraestrutura no Estado.
“Por que a gente não negocia, pega esses R$ 80 bilhões, desconta na dívida e os R$ 80 bilhões vão para o Governo Federal, para ele poder investir aqui em Minas Gerais também com infraestrutura?”
Logo depois, Cleitinho voltou a reforçar a disposição para negociar com o próximo presidente.
“Meu governo vai ser diálogo, independente de quem for presidente.”
“Choque de gestão” também acompanha discurso sobre regiões mais pobres
Além da situação fiscal, Cleitinho afirmou que pretende promover o que chamou de “choque de realidade” no Governo de Minas. Nesse ponto, o candidato defendeu começar uma eventual gestão pelas regiões que considera mais carentes da presença do Estado.
Durante a entrevista, ele citou principalmente o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas.
“A gente vai começar onde mais precisa. A gente vai atender todo mundo. A gente vai cuidar primeiro de quem mais precisa.”
A referência ao Vale do Jequitinhonha ocorre no mesmo dia em que Cleitinho escolheu Medina para realizar o lançamento oficial da candidatura ao Governo de Minas, ao lado do candidato a vice, Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas.
Assim, a escolha do município acompanha o discurso apresentado pelo candidato sobre direcionar inicialmente a atenção para regiões menos favorecidas. Entretanto, Cleitinho afirmou que a proposta não significa deixar outras áreas do Estado de lado.
“Eu quero fazer um choque, não só de gestão, mas um choque de realidade.”
Cleitinho diz que pretende dialogar também com adversários
Durante a agenda em Divinópolis, Cleitinho também falou sobre o início da campanha e os debates entre os candidatos ao Governo de Minas.
O candidato afirmou que se considera preparado para os confrontos de propostas e disse que pretende respeitar os demais nomes na disputa. Além disso, evitou classificá-los como adversários.
“Não é nem adversário, é concorrente, porque se cada um está ali no intuito de defender o povo, a gente tem que ver essas pessoas como adversário, não. É como concorrente.”
Por fim, Cleitinho afirmou que pretende apresentar suas propostas durante a campanha e deixar a decisão para os eleitores.
“Mostrar as propostas e o povo mineiro vai escolher. Isso é democracia.”
Com o início oficial da corrida eleitoral, portanto, Cleitinho coloca a situação financeira de Minas entre os principais pontos de seu discurso. A estratégia apresentada pelo candidato combina corte de gastos, revisão de contratos e incentivos fiscais, combate à sonegação e diálogo com o Governo Federal para tentar reduzir a dívida do Estado.


